quarta-feira, 31 de março de 2010

Ósculos.

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Beijos

Quando estamos na quadra da inocência,
Temos um beijo de supremo bem.
Beijo de amor, de zelo e de carícias,
- O beijo santo de mãe.

Quando estamos na quadra florescente,
Da juventude alegre e alvoroçada.
Temos na boca, sôfrego e ardente,
- O beijo da noiva amada.

Quando temos o sonho realizado,
E, a vida se completa venturosa.
Temos por prêmio, então,
- O beijo da terna esposa.

Depois vem meigamente à nossa frente,
Qual estrela puríssima que brilha,
Ao vir da noite em límpido horizonte,
- O casto beijo da filha.

Por fim, sentimos conformadamente,
Quando nossa alma busca em certa noite.
Que as pálpebras nos fecha eternamente,
- O frio beijo da morte.

R.S. Furtado.

terça-feira, 30 de março de 2010

A escravidão.

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A ESCRAVIDÃO

Se é Deus quem deixa o mundo
Sob o peso que o oprime,
Se ele consente esse crime,
Que se chama a escravidão,
Para fazer homens livres,
Para arrancá-los do abismo,
Existe um patriotismo
Maior que a religião.

Se não lhe importa o escravo
Que a seus pés queixas deponha,
Cobrindo assim de vergonha
A face dos anjos seus,
Em delírio inefável,
Praticando a caridade
Nesta hora a mocidade
Corrige o erro de Deus!...

Tobias Barreto.

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Tobias Barreto de Meneses nasceu em Sergipe, em 07 de junho de1839. Mestiço, filho de um escrivão pobre, iniciou estudos com professores particulares em sua província natal. Aos 15 anos era professor de latim em Itabaiana. Na Bahia, influenciado pela leitura de Victor Hugo, iniciou a carreira literária. No Recife, onde bacharelou-se em Direito, ainda em quanto estudante, produziu a maior parte de sua poesia e polemizou com Castro Alves, formando-se em torno dos dois poetas grupos rivais, que gastaram muita energia em “torneios poéticos”. Nada de significativo, no final das contas. Advogado, mas exercendo também outras atividades para sobreviver, acabou por tornar-se professor catedrático da Faculdade de Direito do Recife, alcançando renome como jurista, filósofo e estudioso da cultura alemã. Apesar disso, morreu na miséria e no abandono, em 26 de junho de1889, deixando discípulos como Graça Aranha e especialmente Silvio Romero, que publicou, em 1903, o volume Dias e Noites com poemas de Tobias Barreto. Foi também Silvio Romero quem mais reivindicou a primazia para Tobias Barreto da renovação das ideias no Brasil, no último quartel do século passado, através da Escola do Recife.

Ainda antes de concluir o curso de Direito casou-se com a filha de um coronel do interior, proprietário de engenhos no município de Escada.

A residência em Escada durou cerca de dez anos. Ao voltar ao Recife, aos escassos proventos que recebia juntaram-se os problemas de saúde que acabaram por impedí-lo de sair de casa.

Tentou uma viagem à Europa para restabelecer-se fisicamente. Faltavam-lhe os recursos financeiros para isso. Em Recife abriram-se subscrições para ajudá-lo a custear-lhe as despesas.

Em 1889 estava praticamente desesperado. Uma semana antes de morrer enviou uma carta a Sílvio Romero solicitando, angustiosamente, que lhe enviasse o dinheiro das contribuições que haviam sido feitas até 19 de junho daquele ano. Sete dias mais tarde falecia, hospedado na casa de um amigo.

A obra de Tobias é de significativo valor, levando em conta que o professor sergipano não chegou a conhecer a capital do Império.

Fonte: “Antologia de Poesia Brasileira – Romantismo”. Editora Ática – 1996 e Academia Brasileira de Letras.

segunda-feira, 29 de março de 2010

No teu aniversário.

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NO TEU ANIVERSÁRIO

No lar cercam-te vozes d’alegria
em bando, em nuvens d’oiro, mariposas
que o teu olhar atrai. Canções e rosas
sob os teus pés desfolham-se à porfia.

A noite, alva corbelha de mimosas
sobre ti volta o arcanjo da poesia.
Nublam-se o sono as ondas vaporosas
do turib’lo do amor, como de dia.

Vives feliz no angélico ambiente
de fortuna, feliz. Mas considera,
que eu um pobre, eu misérrimo, eu doente,

eu vibraria a lira, se pudera
vibrar a lira frágil e inocente
a bruta e hedionda garra duma fera.

João Ribeiro.

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João Batista Ribeiro de Andrade Fernandes nasceu em laranjeiras, no estado de Sergipe, em 24 de junho de 1860. Em 1881 estava no Rio de Janeiro, onde se fez professor de estabelecimentos particulares de ensino. Em 1885 foi nomeado para a Biblioteca Nacional, depois de ter prestado concurso, e em 1887 concorreu à cadeira de Português do Colégio Pedro II, vindo a ser nomeado em 1890, professor de História Universal do mesmo colégio. Em 1894 formou-se em Direito e no ano seguinte visitou a Alemanha, a Itália, a Inglaterra e a França: estudou pintura no primeiro desses países, e recebeu a incumbência oficial de estudar a instrução pública européia. Em 1901 realiza outra viagem à Europa, e aperfeiçoa seus conhecimentos de pintura na Itália; em 1913 viaja para o Velho Mundo pela terceira e última vez. Em 1898 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na primeira vaga ocorrida, a de Luís Guimarães Júnior, e em 1900 realizou no Rio de Janeiro uma exposição de seus quadros. Faleceu na então capital da República, em 13 de abril de 1934.

João Ribeiro foi de início considerado realista por Silvio Romero, em função de um livro que não chegou a publicar, Idílios Modernos, mas logo se fez o mais parnasiano que pode, como se observa pela exploração de temas gregos, na série de sonetos “Museon”, e não só por essa exploração, como pelo boleio da frase, pelas inversões e pelo uso sistemático das figuras de palavras. João Ribeiro tinha grande simpatia pelos novos; incentivou, por exemplo, os modernistas, mas o simbolismo jamais lhe agradou.

Não obteve grande evidência no parnasianismo, situação que ele próprio acoroçoou, ao dizer-se “péssimo poeta” e ao deixar a poesia de lado, ou quase. Granjeou, contudo, larga fama de erudito, fama essa que Alberto Ramos julgava curta para seu mérito, muito superior.

Fonte: “Poesias Parnasianas – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967.

domingo, 28 de março de 2010

O primeiro vestido de cauda.

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O PRIMEIRO VESTIDO DE CAUDA

1260 – Inventam-se os vestidos de cauda. Luís IX (1215-1270), rei da França, canonizado pelo papa Bonifácio VIII, tinha umas filhas que possuíam pés desconformes. Elas demonstravam certo acanhamento no andar e até mesmo vergonha de mostrá-los, principalmente quando havia visitas ou recepção na corte. Para escondê-los inventaram uns vestidos de cauda que, além de cobrirem seus pés, ainda lhes davam elegância no andar, firmeza nos gestos e maior ar de autoridade e nobreza. Desde então a moda pegou entre as palacianas e até entre as noivas, visto que o vestido de cauda se tornou para a mulher um símbolo ou princípio de autoridade ou de dirigente, quer na política quer no lar.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume1, páginas 90/91.

sábado, 27 de março de 2010

Dá meia-noite.

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DÁ MEIA-NOITE

Dá meia-noite; em céu azul ferrete
Formosa espádua a lua
Alveja nua,
E voa sobre os templos da cidade.

Nos brancos muros se projetam sombras;
Passeia a sentinela
À noite bela
Opulenta da luz da divindade.

O silêncio respira; almos frescores
Meus cabelos afagam;
Gênios vagam,
De alguma fada no ar andando a caça.

Adormeceu a virgem; dos espíritos
Jaz nos mundos risonhos –
Fora eu os sonhos
Da bela virgem... Uma nuvem passa.

Sousândrade.

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Joaquim de Sousa Andrade nasceu na Fazenda de Nossa Senhora da Vitória, Comarca de Alcântara, Município de Guimarães, no Maranhão, em 09 de julho de 1832. Estudou primeiramente em São Luís e mais tarde em Paris, aí cursando letras em Sorbonne e engenharia de minas. Viajou através da Amazônia, onde observou costumes indígenas. Posteriormente, percorreu vários países da Europa e da América Latina.

Para acompanhar os estudos da filha, após a separação da mulher, fixou residência em Nova York, onde publicou alguns livros de poesia, e participou da revista O Novo Mundo, como editor e autor de artigos políticos e literários.

De volta ao Brasil, participou da campanha abolicionista e republicana e integrou o primeiro governo republicano do Estado do Maranhão, tendo sido também o idealizador de sua bandeira. Em São Luís, foi professor de grego, e concebeu um plano de fundar uma universidade, que acabou frustrado. Morreu pobre e esquecido, em 21 de abril de 1902.

Fonte: “Antologia de Poesia Brasileira – Romantismo” – Editora Ática – 1996.