DÁ MEIA-NOITE
Dá meia-noite; em céu azul ferrete
Formosa espádua a lua
Alveja nua,
E voa sobre os templos da cidade.
Nos brancos muros se projetam sombras;
Passeia a sentinela
À noite bela
Opulenta da luz da divindade.
O silêncio respira; almos frescores
Meus cabelos afagam;
Gênios vagam,
De alguma fada no ar andando a caça.
Adormeceu a virgem; dos espíritos
Jaz nos mundos risonhos –
Fora eu os sonhos
Da bela virgem... Uma nuvem passa.
Sousândrade.

Joaquim de Sousa Andrade nasceu na Fazenda de Nossa Senhora da Vitória, Comarca de Alcântara, Município de Guimarães, no Maranhão, em 09 de julho de 1832. Estudou primeiramente em São Luís e mais tarde em Paris, aí cursando letras em Sorbonne e engenharia de minas. Viajou através da Amazônia, onde observou costumes indígenas. Posteriormente, percorreu vários países da Europa e da América Latina.
Para acompanhar os estudos da filha, após a separação da mulher, fixou residência em Nova York, onde publicou alguns livros de poesia, e participou da revista O Novo Mundo, como editor e autor de artigos políticos e literários.
De volta ao Brasil, participou da campanha abolicionista e republicana e integrou o primeiro governo republicano do Estado do Maranhão, tendo sido também o idealizador de sua bandeira. Em São Luís, foi professor de grego, e concebeu um plano de fundar uma universidade, que acabou frustrado. Morreu pobre e esquecido, em 21 de abril de 1902.
Fonte: “Antologia de Poesia Brasileira – Romantismo” – Editora Ática – 1996.