O
ARRASTA-PÉ DO JOJÓ DE TOTONHA
Mês
de junho! Todo ano neste mês,
O
São João no Nordeste é animado.
Tem
gente acostumado, já freguês,
É
corre-corre, é turista de todo lado.
Aqui
pertinho tem um famoso arraiá,
É o
arrasta-pé do Jojó de Totonha.
Tem
gente decente, que vai só brincar,
Mas
também vai cabra sem vergonha.
Na
festança, tem dança de todo jeito,
Tem
forró e também tem quadrilha.
Tem
tanta mulher, que o sujeito,
Nem
se importa com a partilha.
Chega
a hora em que a mulherada,
Queira
ou não, é intimada a dar.
E,
na espreita, fica a rapaziada.
Para
no momento, se aproveitar.
Tem
umas que dão mesmo sem querer,
Tem
outras que fazem questão de dar.
Já
tem umas que dão por prazer,
Enquanto
outras, não querem nem pensar.
Tem
aquela que reluta, mas contudo,
Sem
saída, a dar ela é sempre obrigada.
Já
tem umas que não dão, nem por tudo.
Já
outras que insistem, e dão por nada.
Tem
umas, nem ligam, dão sorrindo,
Tem
outras que dão de cara fechada.
Mas
logo se vê, todas estão fingindo,
Porque
a vontade é dar dando risada.
No
final, que se segure a rapaziada,
Cada
um que controle à emoção.
Pois
é chegada a hora da mulherada,
Dar
à tão esperada rodada no salão.
R.S.
Furtado.
(Reedição)
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