sábado, 12 de novembro de 2011

A Teoria de Aristarco de Samos.


A TEORIA DE ARISTARCO DE SAMOS 

250 a.C. – Nasce a primeira teoria de que a Terra se move sobre seu eixo e em redor do Sol. Quem a emite é Aristarco de Samos, célebre astrônomo grego. Viveu entre 320 q 264 antes de Cristo. Sabe-se que por volta de 250 estabeleceu sua teoria, de que goza justa fama, por ter sido o primeiro a enunciá-la. Somente dois homens a consignaram em suas obras – Aristóteles, em “Arenário” e um escritor francês, chamado Fortian, por volta de 1823. O certo é que Aristarco não pode desenvolver a sua teoria como seria do seu desejo. É que em virtude dessa doutrina, Cleanto, o estóico, pretendeu lançar sobre seu autor a acusação de impiedade, por haver perturbado o repouso da deusa Vesta. Temendo ser apontado aos juízes, nas mãos dos quais seria fatalmente condenado à morte, calou-se, pois até então se cria que a Terra fosse o centro do Universo. Aristarco de Samos também inventou um método engenhoso para calcular as distâncias relativas da Terra ao Sol e à Lua. 

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 51/52. 

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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Velhos II.


VELHOS II 

Para onde vão os velhos brasileiros? 
Os velhos paraíbas, as velhas prostitutas, 
os velhos camelôs, o Dr. Rubis do Flamengo, 
os velhos figurantes das chanchadas que voltam aos vídeos 
domingueiros, onde fazem agora as 
caretas da velhice? 
Os velhos músicos de boate, 
as vedetes dos últimos degraus, vão para onde? 
Quando a vida derrete e despenca 
para onde vão os velhos vendedores de chica-bom? 
Eu não quero saber do destino 
dos garfos 
facas 
dentes 
cabelo 
o menino que fui. 
Quero é saber: para onde vão os velhos brasileiros? 

Abel Silva 


“Poeta, Abel Silva surgiu no final dos anos 60, apresentado por Ziraldo no jornal O Pasquim. O primeiro livro, o romance O afogado, foi editado em 1971, seguindo depois um volume de contos e três livros de poesia. Letrista consagrado, é autor de sucessos como Festa do interior e Jura secreta, de onde saiu o verso que dá título a este livro.” (...) “Criador de uma “poesia que se comunica e encontra expressão natural em música”, segundo Carlos Drummond de Andrade; “Neomodernista surpreendente de cuca voadora”, como o definiu  Glauber Rocha; “tem marca própria, uma visão poética original”, densa, mas cheia de alegria de viver e de um lirismo contemporâneo e sensual”, de acordo com Ana Maria Machado; “sensibilidade polifônica, disciplinada e dançarina”, no dizer de Heloisa Buarque de Holanda, Abel Silva formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é professor da mesma universidade, além de ter lecionado na PUC do Rio. Foi editor da revista de poesia Anima, ao lado de Capinam, entre 1974 e 1975, e editor de cultura do jornal Opinião

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/ 

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Gostoso ou Gastoso?


GOSTOSO OU GASTOSO? 

É difícil acreditar que seja o mesmo homem, 
O ser vil, desprezado, abandonado num canto. 
Procurei em volta seus amigos, não os vi. Somem, 
Talvez seja este, quem sabe, o seu desencanto. 

Se quando antes, viril, gastador, autossuficiente, 
Não faltava quem dele tão logo se aproximasse, 
Para sugar o que era seu, de forma vã, indecente, 
Em qualquer lugar, onde quer que ele chegasse. 

Mulheres então, não faltavam, eram muitas, 
A cada minuto, todos os dias, o dia inteiro. 
Desprezíveis devassas, fiéis exemplos de putas, 
Que dele visavam, simplesmente o dinheiro. 

Hoje ao vê-lo ao relento, de cabeça abaixada, 
Muitos o apontam. --Aquele era o gostoso! 
Mas, para quem o conhecem, gostoso que nada, 
Não passou de um pobre, miserável gastoso. 

R.S. Furtado

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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Crónica feminina.


CRÓNICA FEMININA 

estava nua, só um colar lhe dava 
horizontes de incêndio sobre o peito, 
a transmutar, num halo insatisfeito, 
a rosa de rubis em quente lava. 

estava nua e branca num estreito 
lençol que o fim do sono desdobrava 
e a noite era mais livre e a lua escrava 
e o mais breve pretérito imperfeito 

só o tempo verbal lhe fugiria, 
no alongar dos gestos e requebros, 
junto do espelho quando as aves vão. 

toda a nudez, toda a nudez, toda a melancolia 
a dor no mundo, a deslembrança, a febre, os 
olhos rasos de água e solidão 

Vasco Graça Moura 


Vasco Graça Moura (n. Foz do Douro, 3 de Janeiro de 1942), escritor e político português. 

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Vasco Graça Moura é um dos nomes centrais da poesia portuguesa da segunda metade do Século XX, numa obra extensa, que integra o classicismo de contornos eruditos, até aos aspectos do quotidiano. Advogado, entre 1966 e 1983, está na escrita como poeta, ensaísta, ficcionista, dramaturgo, cronista e tradutor. Neste último, tem traduzido, entre outros, autores como Dante Alighieri, Petrarca, François Villon, Racine, García Lorca, Rainer Maria Rilke ou Shakespeare. Quer ler mais?

Fonte: http://poemas-poestas.blogspot.com/ 

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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Kwanza.


O KWANZA 

O Kwanza é um rio bonito 
que corre aflito 
para Luanda, a catita. 
Por onde passa recita 
um rosário de gritos. 

O Kwanza é caseiro 
e às vezes molengão; 
é um rio de papel 
que escorre de mão em mão num tropel 
o ano inteiro 
a fingir que é dinheiro. 

Manuel Guedes dos Santos Lima 
 
Manuel Guedes dos Santos Lima fez seu estudos primários em Vila Teixeira de Sousa; secundários e universitários em Portugal e na Suíça, tendo doutorado em letras pela Universidade de Lausanne. Desertor do Exercito Português e fundador do Exercito Popular de Libertação de Angola (braço armado do Movimento Popular de Libertação de Angola) e seu 1° comandante-em-chefe. 

Professor universitário; docência no Canadá, França e Portugal. Presidente do Movimento de Unidade Democrática Angolana para a Reconstrução (MUDAR). 

Obras: Kissange (poemas); As Sementes da Liberdade (romance); A Pele do Diabo (teatro); Os Anões e os Mendigos (romance) 

Poemas extraídos da obra: ROZÁRIO, Denira, org. PALAVRA DE POETA; CABO VERDE – ANGOLA. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. ISBN 85-286-0675-9 

Nota explicativa: “Kwanza” – brincadeira poética em torno do Kwanza ( o maior rio de Angola), e a moeda nacional com o mesmo nome, uma espécie de caricatura de dinheiro, pois a verdadeira moeda de Angola é o dólar. 

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.b

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