VELHOS II
Para onde vão os velhos brasileiros?
Os velhos paraíbas, as velhas prostitutas,
os velhos camelôs, o Dr. Rubis do Flamengo,
os velhos figurantes das chanchadas que voltam aos vídeos
domingueiros, onde fazem agora as
caretas da velhice?
Os velhos músicos de boate,
as vedetes dos últimos degraus, vão para onde?
Quando a vida derrete e despenca
para onde vão os velhos vendedores de chica-bom?
Eu não quero saber do destino
dos garfos
facas
dentes
cabelo
o menino que fui.
Quero é saber: para onde vão os velhos brasileiros?
Abel Silva
“Poeta, Abel Silva surgiu no final dos anos 60, apresentado por Ziraldo no jornal O Pasquim. O primeiro livro, o romance O afogado, foi editado em 1971, seguindo depois um volume de contos e três livros de poesia. Letrista consagrado, é autor de sucessos como Festa do interior e Jura secreta, de onde saiu o verso que dá título a este livro.” (...) “Criador de uma “poesia que se comunica e encontra expressão natural em música”, segundo Carlos Drummond de Andrade; “Neomodernista surpreendente de cuca voadora”, como o definiu Glauber Rocha; “tem marca própria, uma visão poética original”, densa, mas cheia de alegria de viver e de um lirismo contemporâneo e sensual”, de acordo com Ana Maria Machado; “sensibilidade polifônica, disciplinada e dançarina”, no dizer de Heloisa Buarque de Holanda, Abel Silva formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é professor da mesma universidade, além de ter lecionado na PUC do Rio. Foi editor da revista de poesia Anima, ao lado de Capinam, entre 1974 e 1975, e editor de cultura do jornal Opinião.
Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/
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