segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Invenção do Psicógrafo.



INVENÇÃO DO PSICÓGRAFO

1932 – Harrry Lavery, médico norte-americano, inventa o psicógrafo, aparelho que revela o caráter. Há um século mais ou menos, o Dr. Gall provocou vivo interesse em torno de sua famosa teoria de localização das faculdades mentais, conhecida com o nome de frenologia. Ele imaginara uma relação constante e regular entre as características intelectuais e morais do indivíduo e a forma, desenvolvimento mais ou menos considerável das diversas regiões do cérebro. Gall dividia curiosamente as 37 faculdades humanas, reconhecidas por ele em três grandes grupos, a saber:

1º – Onze faculdades animais: animalidade, filogenitura afetividade,  concentratividade, habilitatividade,  combatividade, destrutividade, apetite, secretividade, agrupatividade e construtividade.

2º – Treze faculdades afetivas: estima por si mesmo, aprovabilidade, circunspecção, benevolência, veneração, firmeza, esperança, consciência, admiração, idealismo, sublimidade, espírito e irritação.

3º – Treze faculdades mentais: individualismo, configuração, extensão, peso, cor, localidade, número, ordem, eventualidade, tempo, tom, linguagem e comparação.

A despeito de todas as demonstrações da Anatomia e da Neurologia, ainda há quem se deixe seduzir por essa teoria paracientífica, a ponto de se construir um aparelho para ressuscitá-la, como no caso da presente invenção.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 4, páginas 718/731.

domingo, 5 de setembro de 2010

Estreitezas.


ESTREITEZAS

Madalena, Madalena,
no escuro da minha cela
penso em ti como naquela
que passou pelo portão
mais estreito: o do perdão
depois do doce pecado.
Mas meu corpo encarcerado
não tem nenhuma opção:
na estreiteza desta cela
a pele ardente e morena
que me acossa e me flagela
não conhece remissão.
Na comprida noite fria
como na manhã vazia,
minha carne, Madalena,
não tem escolha ou perdão.

BRUNO TOLENTINO


Bruno Lucio de Carvalho Tolentino (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1940, foi um poeta brasileiro. Nascido numa tradicional e rica família carioca, conviveu desde criança com intelectuais e escritores, entre eles Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Foi ensinado a falar francês e inglês antes mesmo de se alfabetizar no português. Seu avô foi conselheiro do Império e fundador da Caixa Econômica Federal. Saiu do Brasil em 1964, mudando-se para a Europa, onde viveu por mais de 30 anos, tendo trabalhado com o poeta inglês W. H. Auden, e convivido com os escritores Giuseppe Ungaretti, Elizabeth Bishop e Samuel Beckett. Foi professor nas universidades de Oxford, Essex e Bristol, publicando obras em Paris e Oxford durante a década de 1970. Em 1987, é condenado à prisão de 11 anos, sob a acusação de tráfico de drogas. Cumpriu 22 meses da pena em Dartmoor.

Tolentino retornou ao Brasil em 1993, publicando, em 1994, o livro "As Horas de Katarina", pelo qual recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura. Bruno também recebeu o prêmio em 2003, com o livro "O Mundo como Idéia", o qual escreveu ao longo de 40 anos.

No Brasil, o poeta teve um histórico de aparições na mídia devido a polêmicas. Numa entrevista a Revista Veja, em 1996, criticou Caetano Veloso, Chico Buarque e os irmãos concretistas Haroldo de Campos e Augusto de Campos. Teve também desavenças com críticos literários e professores de filosofia da Universidade de São Paulo.

Tolentino, que tinha Aids e já havia superado um câncer, esteve internado durante um mês na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, onde veio a falecer, aos 66 anos de idade, vitimado por uma falência múltipla de órgãos, em 27 de junho de 2007.

Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Máxima - 4.


“A vida é como uma guerra dividida em inúmeras batalhas, onde ganhamos umas, perdemos outras, e assim vamos lutando até a batalha final, quando a perdemos.”

R.S. Furtado.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Os amantes sem dinheiro.


OS AMANTES SEM DINHEIRO

Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.

Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.

Eugénio de Andrade


Eugénio de Andrade (José Fontinhas) é um inspirado poeta português nascido em Póvoa de Atalaia (Fundão), a 19 de Janeiro de 1923. Aos sete anos vai para Lisboa com sua mãe, lá residindo até 1950, exceto nos anos de 1943 a 1946, quando viveu em Coimbra. Em 1947 ingressa nos quadros dos Serviços Médico-Sociais, do Ministério da Saúde, onde desempenhará durante 35 anos a mesma função - a de inspetor administrativo - pois nunca se dispôs a fazer concursos de promoção. A sua transferência para a cidade do Porto, por razões de serviço, deu-se em Dezembro de 1950, e quando houve oportunidade para voltar a Lisboa, motivação já não havia pois sua mãe falecera. Apesar do seu prestígio, face ao reconhecimento internacional de sua obra, o poeta vive extremamente distanciado do que se chama vida social, literária ou mundana, avesso à comunicação social, arredado de encontros, colóquios, congressos, etc., e as suas raras aparições em público devem-se a "essa debilidade do coração, que é a amizade", devendo encarar-se do mesmo modo o fato de ser membro da Academia Mallarmé, de Paris. Cabe aqui referir que nunca concorreu aos prêmios que lhe foram atribuídos, como nunca ninguém o viu usar usar qualquer insígnia das condecorações com que foi agraciado. A poesia que escreve é honra que lhe parece suficiente.

A obra de Eugénio de Andrade, além de sua poesia, prosa, livros infantis e traduções, é também engrandecida pelas antologias que organizou, em sua maioria sobre a terra portuguesa,caracterizadas por uma total ausência de preconceitos e sectarismos literários. Traduzido em cerca de vinte línguas, a poesia de Eugénio de Andrade tem sido estudada e comentada por, entre outros, Vitorino Nemésio, Gaspar Simões, Oscar Lopes, António José Saraiva, Eduardo Lourenço, Jorge de Sena, Eduardo Prado Coelho, Arnaldo Saraiva, Joaquim Manuel Magalhães, Ángel Crespo, Carlo V. Cattaneo, e suscitado o interesse de vários músicos, entre os quais Fernando Lopes-Graça, Jorge Peixinho e Filipe Pires. O poeta foi o distinguido com a edição do ano 2000 do Prêmio Vida Literária, instituído pela Associação Portuguesa de Escritores (APE).

No dia 10 de julho de 2001, aos 78 anos, foi agraciado com o Prêmio Camões 2001, considerado o mais importante prêmio da língua portuguesa, pelo conjunto de sua obra. Passa a fazer companhia a outros grandes nomes de nossa literatura, já premiados, como José Saramago e Sophia de Mello Breyner (portugueses), e Autran Dourado, João Cabral de Melo Neto, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Antônio Cândido (brasileiros).

O poeta faleceu na cidade do Porto, em Portugal, no dia 13 de junho de 2005.

Fonte: http://users.isr.ist.utl.pt

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Descoberta da Insulina.


DESCOBERTA DA INSULINA

1922 – É descoberta a insulina (substância extraída do pâncreas do boi), pelo cientista canadense Frederick G. Banting. Trata-se dum produto bioquímico, que favorece a utilização dos hidratos de carbônio pelo organismo e empregado no tratamento da diabete. Banting extraia pâncreas de cães, carneiros, porcos e vacas, que lhe forneciam insulina. A 14 de novembro de 1921 apresentou o Journal Club do Departamento de Fisiologia o seu primeiro trabalho completo, com dispositivos mostrando gráficos de glicemia. Bastava agora saber a proposta definitiva com a aplicação da insulina em seres humanos. Leonard Thompson, de 14 anos, morava do outro lado da rua do Hospital Geral de Toronto. Há dois anos a diabete o torturava. Pesava 29 quilos. Levantava com dificuldade a cabeça do travesseiro. Em janeiro de 1922 Banting aplicou-lhe a injeção. Leonard sarou. Criou vida nova. Foi o primeiro caso de cura. Daí em diante, dezenas, centenas, milhares de pessoas passaram a curar-se com insulina. A primeira recompensa de Banting foi o Prêmio Reeve – 50 dólares. Em seguida o Parlamento Britânico lhe concedeu uma pensão vitalícia de 7.500 dólares. Em 1923 recebeu o Prêmio Nobel. Banting, que é canadense, tratava de seus clientes no Hospital Geral de Toronto. Um dia, na Universidade, disse a um seu colega, que iria concentrar seus planos na pesquisa. Isto se passou num dia invernoso de fevereiro de 1941. Mas seu ideal não se realizou. Três dias depois, então major Sir Frederick Banting, trabalhava em problemas de medicina aviatória. Encontrava-se a bordo dum bombardeiro bimotor. Fazia uma viagem para a Inglaterra. Em pleno voo o avião é castigado por uma tremenda tempestade de neve. Cai numa floresta, perto de Musgrave Harbor, na Terra Nova. Banting ficou com as costelas esmagadas. Em consequência disto perfurou-lhe o pulmão. O piloto, único sobrevivente, estorcia-se em dores. Banting arrastou-se como pode. Empregou o resto de suas forças para curar-lhe as feridas. Vendo-o salvo, deitou-se nas ramagens dum pinheiro, sobre a brancura das neves e dormiu para não mais acordar.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 4, páginas 681/683.