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sábado, 12 de julho de 2014

Soneto.

 
SONETO

Portuguêses! A nuvem tenebrosa
Qu'ofuscava a razão desaparece,
Desfez-se o cáos que a discordia tece:
Já se encara sem medo a luz formosa.

Dos erros a progenie maculosa
Baqueando em soluços estremece.
A justiça dos céus ao trôno desce,
Marcando os faustos à nação briosa,

Lisia, berço de herois, oh Lisia, alerta!
Cumpre que os ferros o Brasil arroje.
Seguindo o impulso que a razão desperta.

A expressão de terror desmaia e foge,
Graças a invícta mão que nos liberta;
Escravos hontem, sois romanos hoje!

Eloi Otoni
 

Nasceu José Eloi Otoni no dia 1º de dezembro de 1764, na vila do Principe, hoje do Serro, na Capitania de Minas Gerais.

Seu pai, Manoel Vieira Otoni, era neto de Emanuel Otoni, cidadão genovês que emigrara para o Brasil em 1727, tornando-se o tronco da família Otoni que, durante um seculo, dera ao Brasil filhos ilustres e eminentes. Sua mãe, D. Ana Felizarda Pais Leme, descendia de ilustre família paulista que se prendia ao governador das Esmeraldas.

Muito jovem, foi mandado José Eloi cursar as primeiras aulas no arraial do Tejuco, hoje cidade de Diamantina, onde se salientou especialmente no... Leia mais aqui: Com certeza uma linda história.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Soneto.

 
 

SONETO

Gigantesco caudal, largo e profundo,
Sob o céu do Equador, um leito undoso
Arroja um mar nos mares, majestoso,
Rio, rei dos rios desse mundo.

Regando um solo, vai grande e fecundo,
Em ricas produções, solo ditoso,
Que abriga um povo forte e generoso,
Das plagas amazônicas oriundo.

Dias serenos, dias de esperança,
Neste asilo de paz, tranquilidade,
Gozei, da vida em plácida bonança.

Dele parto, saudoso e triste, ausente,
No grato peito meu vive lembrança
Deste Céu, desta Terra, desta gente.

Jerônimo Francisco Coelho


Jerônimo Francisco Coelho nasceu em 30 de setembro de 1806 em Laguna, SC, filho de Antonio Francisco Coelho e Francisca Lina do Espírito Santo Coelho. Faleceu em Friburgo, atual Estado do Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 1860. cedo iniciou sua carreira militar, como era praxe à época. Assim, em 17/12/1813, com sete anos e quatro meses assentou praça na condição de 1º Cadete da Companhia de Artilharia de Guarnição de Fortaleza, CE, levado pelo pai, que havia sido nomeado comandante de... Leia mais aqui: 

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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Soneto.

  


SONETO

Vinte vezes a lua prateada
inteira o rosto seu mostrado havia,
Quando um terrível mal, que então sofria,
Me tornou para sempre desgraçada.

De ver o céu e o sol sendo privada,
Cresceu a par comigo a mágoa ímpia;
Desde a infância a mortal melancolia
Se viu em meu semblante debuxada.

Sensível coração deu-me a natura,
E a fortuna, cruel sempre comigo,
Me negou toda a sorte de ventura;

Nem sequer um prazer breve consigo:
Só para terminar minha amargura
Me aguarda o triste, sepulcral jazigo.

Delfina Benigna da Cunha
 

Delfina Benigna da Cunha (São josé do Norte/RS, 17 de junho de 1791 – Rio de Janeiro, 13 de abril de 1857) foi uma poetisa brasileira.

É tida como figura de destaque nas manifestações fundadoras da literatura gaúcha, embora a posição que ocupe na historiografia literária sulina seja hoje periférica, em razão da retração crítica que seu valor... Leia mais aqui: 

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sábado, 25 de janeiro de 2014

Soneto.



SONETO

Em 1817 em Pernambuco levantou-se o grito em prol da republica, e, apesar de haver recusado o cargo de conselheiro do governo provisório pela revolução, foi Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva preso, e julgado ter de subir ao cadafalso não sucumbiu, antes resignado e pronto a morrer pela pátria, escreveu em horas de agonia este soneto de altiva inspiração”:

Sagrada emanação da divindade,
Aqui do cadafalso eu te saúdo;
Nem com tormentos nem revezes mudo,
Fui teu votário e sou, ó liberdade.

Pode a vida feroz brutalidade
Arrancar-me em tormento o mais agudo;
Porém zomba do déspota sanhudo
De min'alma a nativa dignidade.

Livre nasci, vivi e livre espero
Encerrar-me na fria sepultura,
Onde império não tem mando severo.

Nem da morte a medonha catadura
Incutir pode horror n'um peito fero,
Que aos fracos somente a morte é dura.

Andrada Machado

 
(1773-1845) Nascido em Santos, Antônio Carlos forma-se em Direito e Filosofia pela Universidade de Coimbra. Ocupa os cargos de juiz de paz, em sua cidade natal; de ouvidor, na comarca de Olinda; e de desembargador, na Relação da Bahia. Defensor da Independência, participa em Pernambuco da Revolução de 1818, ficando por isto preso durante quatro anos em Salvador. Em 1821 elege-se deputado às Cortes de Lisboa, onde luta em vão contra as medidas recolonizadoras. Retirando-se de Portugal, refugia-se na Inglaterra. De lá volta ao Brasil em 1823, sendo eleito deputado à Assembléia Constituinte, na qual assume a presidência e é relator do projeto da Constituição. Após o fechamento da Constituinte, exila-se na França, juntamente com seus irmãos José Bonifácio e Martim Francisco. No mesmo ano casa-se com Ana Josefina de Carvalho, filha de sua irmã Ana Marcelina Ribeiro de Andrada. Reside na França por cinco anos; retorna ao Brasil em 1828 e, após a abdicação de d. Pedro I em 1831, toma parte nas lutas políticas da Regência, participando do movimento restaurador. Em 1838 é eleito deputado geral por São Paulo, sendo um dos artífices da antecipação da maioridade de d. Pedro II. Ocupa a pasta do Império no gabinete de 24 de julho de 1840. Em 1845 elege-se senador por Pernambuco, mas falece, no Rio de Janeiro, antes de exercer o mandato.

Fonte: www.obrabonifacio.com.br

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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Soneto.



 SONETO

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento...

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado...
Pára e fica e demora-se um momento.

Pára e fica na doida correria...
Pára à beira do abismo e se demora
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço que essa noite explora...
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.

Ângelo de Lima


Ângelo de Lima nasceu no Porto no dia 30 de Julho de 1872. Filho do poeta Pedro de Lima, começou a frequentar aos 10 anos de idade o Colégio Militar (Lisboa). Expulso do Colégio Militar, regressou ao Porto em 1888 onde se inscreveu na Academia das Belas Artes. Enviado para Moçambique em 1891, viria a regressar a Portugal no ano seguinte. Por esta altura começou a denunciar os primeiros indícios de loucura. Foi internado no Hospital do Conde de Ferreira em 1894, sendo mais tarde recolhido no hospício dos Irmãos de S. João de Deus e, finalmente, em 1901, no Hospital Rilhafoles. Os seus primeiros poemas foram publicados em 1915 no segundo número da revista Orpheu. Morreu em 1921.



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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Soneto.




SONETO

Monarca Augusto da ciência amante,
Quinto João em tudo preeminente,
no estilo mais que Cícero eloquente,
na observação dos Céus maior Atlante.

que elevais a Hemisfério dominante
a ordem literária, a Toga ciente,
e no Grêmio do Cetro mais potente
dais às letras lugar tão relevante.

As letras cá na terra sempre invictas
serão por vós agora sem cautelas
colocadas na Esfera a novas ditas.

Nesse papel celeste em lições belas
poreis constelações de novo escritas
luzindo os Caracteres como Estrelas.

Rocha Pita


Nasceu Sebastião da Rocha Pita na Bahia, em 3 de maio de 1660, filho de João Velho Gondin e D. Brites da Rocha Pita, irmã do Desembargador João da Rocha Pita. Estudou no Colégio dos Jesuítas da Bahia, e aos dezesseis anos cruzou o mar, formando-se em Cânones pela Universidade de Coimbra (1682). Teve patente de alferes em 1678 e atingiu o posto de coronel do regimento privilegiado de ordenanças da cidade em 1694. Senhor de engenho, cultivou cana-de-açúcar numa fazenda que tinha às margens do Paraguaçu e exerceu a vereança em Salvador, por muito tempo. Foi cavaleiro professo da Ordem de Cristo e fidalgo da Casa Real, por alvará de 30 de maio de 1701. Faleceu em 3 de novembro de 1738.



Fonte: Poesia Barrôca Antologia, Edições Melhoramentos.

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sexta-feira, 2 de março de 2012

Soneto.


SONETO 

Amada filha, é já chegado o dia, 
em que a luz da razão, qual tocha acesa, 
vem conduzir a simples natureza: 
- é hoje que o teu mundo principia. 

A mão, que te gerou, teus passos guia; 
despreza ofertas de uma vã beleza, 
e sacrifica as honras e a riqueza 
às santas leis do Filho de Maria. 

Estampa na tua alma a Caridade, 
que amar a Deus, amar aos semelhantes, 
são eternos preceitos da Verdade. 

Tudo o mais são idéias delirantes; 
procura ser feliz na Eternidade, 
que o mundo são brevíssimos instantes. 

Bárbara Heliodora 


Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira (São João del-Rei, c. 1758 — São Gonçalo do Sapucaí, 24 de maio de 1819) foi uma poetisa brasileira. Foram seus pais o Dr. José da Silveira e Sousa e D. Maria Josefa Bueno da Cunha. Para alguns estudiosos, era descendente de uma das famílias paulistas mais ilustres: a de Amador Bueno, o aclamado. 

Alvarenga Peixoto e Bárbara Heliodora viveram juntos por algum tempo, e só se casaram, por portaria do bispo de Mariana, de 22 de dezembro de 1781, quando Maria Ifigênia, filha do casal, já contava três anos de idade. Desta união nasceram quatro filhos. Quer ler mais? 

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br

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sábado, 26 de novembro de 2011

Soneto.


SONETO 

Ouviu-te a voz longínqua sobre os mares 
A quilha da ameaça que os cortava 
E os homens que te ergueram seus olhares 
Descem a mão que a arma empunhava. 

Sobre os campos da terra e sobre os rios, 
Sobre o verde das ervas, sobre as fontes 
Pairam sinistras luas e sombrios 
Sóis projetam a sombra sobre os montes. 

Mas no horizonte lívido do dia 
Recuam quando passa a nuvem fria 
Os pássaros metálicos da morte. 

E na amplidão da luz que resplandece 
É de ti que surgiu a mão que tece 
A esperança nova à humana sorte. 

Arnaldo França 


Arnaldo Carlos de Vasconcelos França nasceu na cidade da Praia, Cabo Verde, em 1925. Graduado em Ciências Sociais e Políticas pela Universidade Técnica de Lisboa.    

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Soneto.


SONETO

Tordilhos, alazãos, cavalos baios
neste campo de mar nos são de espanto,
que é rosa a rosa, canto apenas canto,
e os cavalos são rendas, contemplai-os.

Jazem despertos, lúcidos lacaios
de vestes vagas cuidam no entretanto
do seu possível sono a bem de manto
para que os não de ventos e de raios.

Há cavalos vermelhos, mas não esses
porquanto quase azuis. Se os conhecesses
não teria o meu reino e os meus cavalos.

Que ao fim seriam teus, que és feita em bruma,
esses que são de mim corcéio de espuma
de quem só sabe azul no contemplá-los

Edmir Domingues


Edmir Domingues, poeta, advogado, nascido em Recife a 8 de junho de 1927. Nascido de uma família pobre, sua infância, vivida em ambiente urbano, marcou-se mais de invenções do que de realidades. (...) Bom desenhista, financiou grande parte de seus estudos - estudante pobre que era - com o dinheiro que ganhava fazendo ilustrações para revistas, gráficos de produção para indústrias e slides para propaganda em cinema.

Em 1946 entrou para a Faculdade de Direito do Recife, tendo como colegas os teatrólogos Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho, o romancista e pintor Gastão de Holanda (...)

Em 1958, juntamente com outros intelectuais pernambucanos, fundou a seção pernambucana da União Brasileira de Escritores - UBE, onde compôs a primeira diretoria, juntamente com Paulo Cavalcanti, Carlos Moreira, Carlos Pena Filho, Audálio Alves, Cézario de Melo, Renato Carneiro Campos, César Leal, Lucilo Varejão Filho, Olimpio Bonald Neto, José Gonçalves de Oliveira, Jefferson Ferreira Lima, Clóvis Melo e Abelardo da Hora.

Obras: A Rua do Vento Norte. Recife: Editorial Sagitário, 1952; Corcel de espuma. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1960; Cidade Submersa e outros poemas. Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 1972; O domador de palavras. Rio de Janeiro: Edições Tempo Brasileiro Ltda, 1987; Universo Fechado ou O Construtor de Catedrais. Recife: Edições Bagaço, 1996. Lusbelino. Recife: Edições Bagaço, 1996.

Fonte: Wikipédia

sábado, 19 de dezembro de 2009

Soneto.

http://ceci-ceci.zip.net/images/grav_mulher_linda_dormindo_G.jpg

SONETO

Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sôbre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!

Álvares de Azevedo.
(1831-1852)

domingo, 2 de agosto de 2009

Sonêto.

SONÊTO
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg-_59fRp18ubDghvNupnVggkzD6B3xpN_YJKbw2uwbe5_IaajtV1c_Q1bzmAbZ-cEyAidS1TG_EK1zFytEsFDO30M1n9IixS1NdE-3KkOMXbjDITEUDQLNd1YFSmvk64SaX8npn9X-GP1a/s400/o_lago_dos_cisnes03.jpg

Eu passava na vida errante e vago
Como o nauta perdido em noite escura,
Mas tu te ergueste peregrina e pura
Como o cisne inspirado em longo lago.

Beijava a onda num soluço mago
Das moles plumas a brilhante alvura,
E a voz ungida de eternal doçura
Roçava as nuvens em divino afago,

Vi-te; e nas chamas de fervor profundo
A teus pés afoguei a mocidade
Esquecido de mim, de Deus, do mundo!

Mas aí cedo fugiste!... da soidade,
Hoje te implora dêsse amor tão fundo
Uma idéia, uma queixa, uma saudade!

Fagundes Varela