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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Soneto.



 SONETO

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz, do esquecimento...

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado...
Pára e fica e demora-se um momento.

Pára e fica na doida correria...
Pára à beira do abismo e se demora
E mergulha na noite escura e fria

Um olhar de aço que essa noite explora...
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.

Ângelo de Lima


Ângelo de Lima nasceu no Porto no dia 30 de Julho de 1872. Filho do poeta Pedro de Lima, começou a frequentar aos 10 anos de idade o Colégio Militar (Lisboa). Expulso do Colégio Militar, regressou ao Porto em 1888 onde se inscreveu na Academia das Belas Artes. Enviado para Moçambique em 1891, viria a regressar a Portugal no ano seguinte. Por esta altura começou a denunciar os primeiros indícios de loucura. Foi internado no Hospital do Conde de Ferreira em 1894, sendo mais tarde recolhido no hospício dos Irmãos de S. João de Deus e, finalmente, em 1901, no Hospital Rilhafoles. Os seus primeiros poemas foram publicados em 1915 no segundo número da revista Orpheu. Morreu em 1921.



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