quarta-feira, 4 de maio de 2011

Anjo caído.


ANJO CAÍDO

Na flor da vida, formosa,
ingénua, casta, inocente,
eras tu no mundo, rosa!
Quem te arrojou de repente
para o abismo fatal?
Viste um dia o sol de abril;
o teu seio virginal
sorriu alegre e gentil.

Ergueu-se aos clarões suaves
d'aquela doce alvorada
a tua face encantada.
Amaste o doce gorjeio
que desprendiam as aves,
e no teu cândido seio
quanto amor, quanta ilusão
alegre pulava então.

Mal haja o fatal destino,
maldita a sinistra mão,
que em teu cálix purpurino
derramou fera e brutal
esse veneno fatal.

Hoje és bela; mas teu rosto
que outrora alegre sorria,
é todo melancolia!

Hoje nem sol, nem estrela,
para ti brilha no céu;
mal haja quem te perdeu!

Bulhão Pato


Poeta português, Raimundo António de Bulhão Pato nasceu a 3 de março de 1829, em Bilbau, Espanha, e faleceu em 1912.

Filho de portugueses (o seu pai era fidalgo e poeta), teve uma infância difícil, vivendo constantemente rodeado de dificuldades decorrentes da guerra carlista. Já na adolescência, a guerra civil espanhola obriga a família a vir para Lisboa, onde Bulhão Pato frequenta a Escola Politécnica. Por essa altura começou a conviver também com algumas das personalidades literárias mais importantes da época, como Latino Coelho, Andrade Corvo, Rebelo da Silva, Almeida Garrett, Gomes de Amorim e Alexandre Herculano, entre outros. Essa convivência viria a ser de extrema importância para o consolidar dos seus conhecimentos. Colaborou em periódicos como O Panorama, a Revista Universal Lisbonense, a Revista Peninsular e A Semana. Traduz Shakespeare, Bernardin de Saint-Pierre e Vítor Hugo.

Considerado um poeta apaixonado, influenciado pelos valores do Ultrarromantismo que o envolveu durante a sua infância e adolescência (sobretudo em Poesias e Versos, de 1850 e 1862), influenciado por Lamartine e Byron, torna-se célebre com o poema narrativo Paquita, sucessivamente reeditado até 1894, e amplamente reconhecido por Alexandre Herculano e Rebelo da Silva.

É também autor de quatro livros de memórias, escritos num tom íntimo e nostálgico, interessantes pelas informações biográficas e históricas que fornecem. O seu estatuto de derradeiro representante de um Romantismo sentimental ultrapassado, a que as facetas de caçador e de gastrónomo (é seu o livro de receitas O cozinheiro dos cozinheiros, de 1870) conferiam contornos de certa forma castiços, teria, ao que parece, servido de inspiração a Eça de Queirós na composição da figura do poeta Tomás de Alencar, em Os Maias (1888).

Fonte: http://www.infopedia.pt/

8 comentários:

Anônimo disse...

Sublime Amigo Genial:
"...Ergueu-se aos clarões suaves
d'aquela doce alvorada
a tua face encantada.
Amaste o doce gorjeio
que desprendiam as aves,
e no teu cândido seio
quanto amor, quanta ilusão
alegre pulava então...."

Extraordinário e fabuloso demais.
Parabéns pela sua escolha de hoje. Excelente!
Bem-Haja, de gratidão pela beleza expressa no meu blogue.
Sempre a lê-lo com atenção dada a magia de si e dos seus versos fantásticos que concebe.
Grato...

pena

Bem-Haja, notável e enorme amigo de bem.
É admirável.
Adorei.

Andradarte disse...

Que maravilha....Não conhecia...
Vou já fazer uma pesquisa...
Abraço

✿ chica disse...

Mais um lindo poema, ótimo poeta quwe vi aqui! abraços,lindo dia!chica

Wanderley Elian Lima disse...

Olá amigo
Ascensão e queda de uma pessoa, que fez da beleza sua vida. Acontece muito.
Abração

Everson Russo disse...

Muito belo seu post meu amigo,,,abraços de bom dia pra ti.

Lou Witt disse...

Sempre com belas escolhas.

Beijo, querido!

Livinha disse...

Lindo poema, melhor extraordinário de formosura e profundidade impar.
Uma história que exibe muita reflexão...

Feliz noite para ti e os teus

Bjs

Livinha

armalu,blogspot.com disse...

Lindissimo poema. Venho trazer meu abraço e te desejar feliz fim de semana.

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