quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Ao Papai Noel.

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Ao Papai Noel.

Sabe Papai Noel, eu não ia escrever não. Sabe por quê? Porque eu tava com raiva do senhor. É! Tava mesmo. Eu ainda estou, mas, só um tiquito de nada. Todo ano eu esperava um presente e nunca ganhava nada. O último ano, como eu não tinha sapato, – disseram que o senhor só botava o presente no sapato – aí eu botei o sapato velho de pai. Foi um sapato que ele achou no lixo. É que pai vive catando lixo. No dia que os carros passam, ele sai bem cedinho, que é pra catar o lixo antes do carro passar. O povo sempre bota o lixo pra fora de noite porque o carro não tem hora pra passar no outro dia. Mãe disse que o senhor não botou o presente, porque o sapato tava furado e fedendo ao chulé de pai. Mãe num trabalha por causa da minha irmã pixitita, mas ela ajuda pai a separar o lixo. Ela só sai de tarde, porque vai na casa duns ricos que moram aqui perto. Tem uma empregada lá, que junta os restos de comida que ficam nos pratos, bota numa lata, e dá pra mãe trazer pra gente comer. Sabe Papai Noel, teve um ano que eu tava com tanta raiva, que eu desejei que desse um vento bem forte, e derrubasse a tua carrocinha com os presentes aqui bem pertinho do viaduto. Ah! Eu nem falei! É que a gente mora embaixo dum viaduto no caminho que vai pra cidade. Será que não dá pra o senhor trazer uns presentinhos aqui pra gente. Quando eu digo pra gente, é porque aqui embaixo do viaduto tem outras famílias e tem muitos meninos. O senhor pode fazer o seguinte: ao invés de dar os brinquedos novos aos ricos, o senhor troca pelos velhos, e guarda pra trazer pra gente. Ah! Se o senhor trouxer os presentes, veja se dá pra trazer pão também, a gente aqui, sempre vai dormir com fome, mas, como vai ser no Natal, a gente poderia comer, pelo menos, um pedaço de pão.

Eu acho que vou parar por aqui. Quem está escrevendo esta carta é uma amiga minha que trabalha aqui num posto de saúde. Como agora não tem médico, nem medicamento, nem equipamento, também não tem ninguém pra ela atender. Aí, eu falei pra ela que se eu soubesse escrever, eu escreveria uma carta para o Papai Noel pra pedir um presente. Foi quando ela pegou uma folha do caderno dela e mandou que eu falasse o que eu gostaria de lhe dizer. Pois é Papai Noel, já estou com nove anos e ainda não sei ler nem escrever. Todo dia mãe me manda rezar pra ver se as coisas melhoram. Reza meu filho! Reza e pede a DEUS, pra ver se os homens deixam de roubar, criam vergonha na cara, e melhoram a situação do povo. A escola fica muito longe daqui do viaduto, também, eu não tenho nem lápis, nem caderno, e nem também, roupa e sapato. Sim! Ia esquecendo! Tem também a minha irmã pixitita. Quando ela está dormindo, eu também ajudo pai a separar o lixo e quando ela está acordada, eu tenho que tomar conta dela quando mãe ajuda pai ou precisa sair pra pegar os restos de comida ou a água numa pracinha aqui perto.

Será que o senhor não vai esquecer? Olha! Eu não vou mandar um beijo pra o senhor, porque eu não escovei os dentes. Eu nem tenho escova! Sabe como é pobre né?

Um abraço,

Palito (esse é meu apelido porque sou muito magro, e também, porque pobre não tem nome).

O Natal chegou, e com ele as festas, as alegrias, e acenderam-se as esperanças de muitos, quanto à obtenção de dias melhores. Aproveitamos a oportunidade, para agradecer a todos, indistintamente, pelo apoio e pelo carinho dedicado ao nosso Arte & Emoções, não só aos nossos queridos e leais amigos seguidores, como também, àqueles que nos visitaram durante o ano de 2009, pois temos certeza de que sem esse apoio jamais teríamos chegado aonde chegamos nesses treze meses de vida. Não sei se será pedir demais, mas, gostaríamos de continuar contando com esse valiosíssimo apoio, por tratar-se do nosso principal fomento e a razão maior da nossa existência. Aproveitamos também para apresentar nossas desculpas, caso tenhamos, mesmo inadvertidamente, cometido algum erro. A partir de hoje, faremos uma pequena pausa para descanso, repor as energias e concatenar as ideias, e somente retornaremos em 2010, ocasião em que atualizaremos as nossas visitas.

Pedimos ao nosso DEUS misericordioso que cubra com seu manto todo o universo, abençoe e proporcione a todos os viventes de um modo geral, um Feliz Natal e que o ano de 2010, seja de muita paz, amor, saúde e felicidades, e que o homem adote como prioridades, a compreensão, a harmonia e a solidariedade para com o seu semelhante, e assim, possamos ter um mundo mais justo e mais humano.

Muitíssimo obrigado e até 2010.

R.S. Furtado.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Menina sedução.

http://g1.globo.com/Carnaval2009/foto/0,,17593080-EX,00.jpg

MENINA SEDUÇÃO

Menina gostosa, tua boca,
É uma coisa louca,
Bem legal de beijar.
Menina, teu corpo embalado,
Neste teu requebrado,
Só me faz desejar.

Menina, teus olhos azulados,
Só lembram pecados,
Neste teu modo de olhar.
Menina, teus cabelos doirados,
Sedosos e bem cuidados,
Convidam-me a te amar.

Menina, tuas pernas alongadas,
Tão lindas e bem moldadas,
Agitam-me o coração.
Menina, tu és minha luz,
Teu corpo me seduz,
És minha excitação.

R.S. Furtado.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Nós.

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NÓS

Eu e tu: a existência repartida
por duas almas; duas almas numa
só existência. Tu e eu: ávida
de duas vidas que uma só resuma.

Vida de dois, em cada uma vivida,
vida de um só vivida em dois; em suma:
a essência unida à essência, sem que alguma
perca o ser una, sendo a outra unida.

Duplo egoísmo altruísta, a cujo enleio
no próprio coração cada qual sente
a chama que em si nutre o incêndio alheio.

O mistério do amor onipotente,
que eternamente eu viva no teu seio,
e vivas no meu seio eternamente.

Silva Ramos.

No Recife nasceu José Júlio da Silva Ramos, em 06 de março de 1853, filho de pai brasileiro (médico formado em Coimbra) e mãe portuguesa. Feitos os preparatórios, foi estudar leis em Coimbra, onde chegou em 1869, depois de breve estagio na Escola Acadêmica de Lisboa. Conheceu durante sua estada futuros grandes vultos literários, como Gonçalves Crespo, João de Deus, Guerra Junqueiro e outros. De volta ao Brasil (1882), foi inspetor escolar (1890), diretor do Ginásio Fluminense, em Petrópolis, e professor de português no Colégio Pedro II (1903). Colaborou em A Semana, sob o pseudônimo de Júlio Valmor, na Revista Brasileira e na Revista da Academia. Pertencia ao sodalício, como fundador. Faleceu em 16 de dezembro de 1930.

Fonte: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Argumento de defesa.

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ARGUMENTO DE DEFESA

Disse alguém, por maldade ou por intriga,
que eu de Vossa Excelência mal dissera;
que tinha amantes, que era “fácil”, que era
da virtude doméstica, inimiga.

Maldito seja o cérebro que gera
infâmias tais que, em cólera, maldigo!
Se eu disse tal, que tenha por castigo
o beijo de uma sogra ou de outra fera!

Ponho a mão espalmada na consciência
e ela, senhora, impávida, protesta
contra essa intriga da maledicência!

Indague a amigos meus; qualquer atesta
que eu acho e sempre achei Vossa Excelência
feia demais para não ser honesta...

Bastos Tigre.

Manoel Bastos Tigre nasceu no Recife em 12 de março de 1882 e estudou no Colégio Diocesano de Olinda, onde compôs seus primeiros versos e criou um jornalzinho humorístico, O Vigia. Freqüentou a Escola de Engenharia de seu estado, da qual se transferiu para o Rio de Janeiro: diplomou-se em 1906. Esteve na Europa, nos Estados Unidos; de regresso, exerceu engenharia e depois se fez bibliotecário, no Museu Nacional e na Universidade do Brasil. Ao mesmo tempo, trabalhou na imprensa (desde 1902 no Correio da Manhã), no rádio, em publicidade. Faleceu no Rio de Janeiro, em 02 de agosto de 1957.

Fonte: “Poesia Parnasiana-Antologia” Edições Melhoramentos – 1967.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Soneto.

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SONETO

Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sôbre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!

Álvares de Azevedo.
(1831-1852)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Escurinha.

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ESCURINHA

Escurinha, tu és tão linda,
Tu és a menina,
Do meu coração.
Escurinha, teu corpo moreno,
É mais que veneno,
Mata-me de paixão.

Teu corpo bonito e charmoso,
É mais que gostoso,
Gosto tanto de ver.
Escurinha, esse teu rebolado,
Deixa-me arrepiado,
Mata-me de prazer.

Os teus cabelos tão lindos,
Pelos ombros caindo,
Olho com tanta emoção.
Teus lábios belos e atraentes,
Beijo, porque são ardentes,
Escurinha, tu és meu tesão.

Tuas pernas tão bem torneadas,
Por Deus abençoadas,
Faz-me estremecer.
Como uma rainha te vejo,
Por ti, morro de desejo,
Escurinha, quero amar e ter.

Escurinha, és a flor do pecado,
Esse teu rebolado,
Faz-me enlouquecer.
Escurinha, és a flor do pecado,
Com esse teu rebolado,
Vou morrer de prazer.

R.S. Furtado.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A Cigarra morta.

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A CIGARRA MORTA

Ontem, Cigarra, quando veio a aurora,
acordei a vibrar com a tua vinda.
A tua voz tinha, de espaço fora,
notas tão claras que eu a escuto ainda.

Glorificando a luz consoladora,
cantaste, e enfim tua cantiga é finda.
Tenho nas minhas mãos, inerte agora,
teu corpo cor de mel, Cigarra linda.

Foste feliz, porque te deram esta
garganta de ouro. Assim, de palma em palma,
passou, num sonho, a tua Vida honesta...

Vendo-te, os meus sentidos se levantam,
esperando a cantiga da tua alma,
que as almas das Cigarras também cantam...

Olegário Mariano
(1889-1958)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Suave Mari Magno.

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“SUAVE MARI MAGNO”

Lembra-me que, em certo dia,
Na rua, ao sol de verão,
Envenenado morria
Um pobre cão.

Arfava, espumava e ria,
De um riso espúrio e bufão,
Ventre e pernas sacudia
Na convulsão.

Nenhum, nenhum curioso
Passava, sem se deter,
Silencioso,

Junto ao cão que ia morrer,
Como se lhe desse gozo
Ver padecer.

Machado de Assis.
Do livro “Ocidentais”.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sonetos.

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SONETOS


Baixei veloz, que ao úmido elemento
A voz no nauta experto afoito entrega,
Demora o curso teu, perto navega
Da terra onde me fica o pensamento!


Enquanto vais cortando o salso argento,
Desta praia feliz não se desprega
(Meus olhos, não, que amargo pranto os rega)
Minha alma, sim, e o amor que é meu tormento.


Baixei, que vais fugindo despiedado,
Sem temor dos contrastes da procela,
Volta ao menos, que vais tão apressado.


Encontre-a eu gentil, mimosa e bela!
E o pranto qu’ora verto amargurado,
Possa eu verter então nos lábios dela!


Gonçalves Dias.
Rio de Janeiro- 17 de junho de 1847.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Um Glutão.

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UM GLUTÃO

Venha assada a titela de um peru,
Uma galinha ao pardo ou um capão.
Uma fritada de ostra ou sururu,
E umas dez costeletas de leitão.

Uma terrina meia de feijão,
Uma garrafa da ideal pitu.
Uma salada, arroz ou macarrão,
E três pires de doce de caju.

Ele espera esse dia e, a espera-lo,
Quando sente algum cheiro de panela,
Seu apetite passa a ser um entalo...

Tal “banquete” isso é coisa de futuro...
Que no presente nem sempre em sua goela,
Passa café aguado com pão duro.

R.S. Furtado.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Modinha do empregado de banco.


MODINHA DO EMPREGADO DE BANCO

Eu sou triste como um prático de farmácia,
sou quase tão triste como o homem que usa costeletas.
Passo o dia inteiro pensando nuns carinhos de mulher
mas só ouço o tectec das máquinas de escrever.

Lá fora chove e a estátua de Floriano fica linda.
Quantas meninas pela vida afora!
E eu alinhando no papel a fortuna dos outros.
Se eu tivesse esses contos punha a andar
a roda da imaginação nos caminhos do mundo.
E os fregueses do Banco
que não fazem nada com esses contos!
Chocam outros contos para não fazerem nada com eles.

Também se o Diretor tivesse a minha imaginação
o Banco já não existiria mais
e eu estaria noutro lugar.

Murilo Mendes.
(1901-1975)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Auto-retrato.



AUTO-RETRATO

Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico

Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação do espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.

Manuel Bandeira.
(1886-1968)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Descobrimento.

[mário.jpg]


DESCOBRIMENTO

Abancado à escrivaninha em São Paulo
Na minha casa da Rua Lopes Chaves
De supetão senti um frúme por dentro.
Fiquei trêmulo, muito comovido
Com o livro palerma olhando pra mim.


Não vê que me lembrei que lá do norte, meu Deus! muito longe de mim.
Na escuridão ativa da noite que caiu
Um homem pálido magro de cabelo escorrendo nos olhos,
Depois de fazer uma pele com a borracha do dia,
Faz pouco se deitou, está dormindo.


Esse homem é brasileiro que nem eu.


Mário de Andrade.
(1893-1945)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Leviana.

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LEVIANA

Mandei-lhe um beijo,
Quando alguém me disse que lhe encontrou.
Muito triste e abatida,
Mal tratada e mal vestida,
Que quase não lhe notou.

Mandei-lhe um beijo,
Quando alguém me disse que você falou.
Que estava arrependida,
E uma vida sem guarida,
Foi tudo que lhe restou.

Mandei-lhe um beijo,
Quando alguém me disse que você chorou.
Lamentando a solidão,
E que o seu coração,
Já não mais suportava a dor.

Vai!
Sai da minha vida, me deixa em paz,
O que você me fez, jamais se faz,
Somente magoou meu coração.
Vai!
O que você me fez já é demais,
Traindo-me com outro, e qualquer rapaz,
Agora você vem me pedir perdão.

É tarde.
Eu já coloquei outra em seu lugar,
Alguém em que eu possa confiar,
Para aliviar os sofrimentos meus.
É tarde.
Segue a sua vida de mundana,
Vivendo e agindo como leviana,
Pois só quem pode perdoar é Deus.

R.S. Furtado

sábado, 5 de dezembro de 2009

A rosa de Hiroxima.

http://resistir.info/pilger/imagens/atomic_bomb.jpg


A ROSA DE HIROXIMA


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.


Vinicius de Moraes
(1913-1980)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Epigrama.

http://www.exercito.gov.br/Recrutinha/2004/dengue/img/doente.jpg

EPIGRAMA

Vendo um Doutor seu doente
Quase em termos de morrer;
Disse aflito: Houve mudança
No remédio, ou no comer.

Tal não houve, meu Doutor,
(O doente lhe voltou)
Eu se morro é porque fiz
Tudo quanto o senhor mandou.

Gonçalves Magalhães.
(1811-1882)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Cultuando.

http://1.bp.blogspot.com/_bbVfEs53XEE/SbD31QAxZfI/AAAAAAAAAnk/OUseXbq46WA/s400/Mulher+1.jpg

CULTUANDO

Amo-a tanto! E, que saiba jamais quero,
Da existência o amor, que como um culto.
Quando comigo, avaramente oculto,
Sem ânsia nem paixão, puro e sincero.

Amo-a e não quero que ela me ame. Exulto,
Em decantar um amor que considero.
Um ídolo sagrado, que venero,
Sem me importar se a alguém servir de insulto.

Vendo-a, vejo uma imagem resplendente.
E sinto o trepidar de minha lira,
Tangida por minha alma reverente.

Firme, esse amor assim mantendo venho.
- Por crença, bastam os versos que me inspiram,
- E, por ventura os beijos que não tenho.

R.S. Furtado.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Mulher proletária.

[Jorge+de+lima+mulher+e+família+pobre.jpg]
MULHER PROLETÁRIA

Mulher proletária – única fábrica
que o operário tem, (fabrica filhos) tu
na tua superprodução de máquina humana
forneces anjos para o senhor Jesus,
forneces braços para o senhor burguês.

Mulher proletária,
o operário, teu proprietário
há de ver, há de ver:
a tua produção,
a tua superprodução,
ao contrário das máquinas burguesas
salvar o teu proprietário.

Jorge de Lima.
(1895-1953)
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