domingo, 30 de agosto de 2009

Recordação.

RECORDAÇÃO
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Quando em meu peito as aflições rebentam
Eivadas de sofrer acerbo e duro;
Quando a desgraça o coração me arrocha
Em círculos de ferro, com tal força,
Que dele o sangue em sorbotões golfeja;
Quando em minha alma de sofrer cansada,
Bem que afeita a sofrer, sequer não pode
Clamar: Senhor piedade; – e que os meus olhos
Rebeldes, uma lágrima não vertem
Do mar d’angústia que meu peito oprime:

Volvo aos instantes de ventura, e penso
Que a sós contigo, em prática serena,
Melhor futuro me augurava, as doces
Palavras tuas, sôfregos, atentos
Sorvendo meus ouvidos, – nos teus olhos
Lendo os meus olhos tanto amor, que a vida
Longa, bem longa, não bastara ainda
Porque de os ver me saciasse!... O pranto
Então dos olhos meus corre espontâneo.
Que não mais te verei. – Em tal pensando
De martírios calar sinto em meu peito
Tão grande plenitude, que a minha alma
Sente amargo prazer de quanto sofre.

Gonçalves Dias.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Canção do exílio.

CANÇÃO DO EXÍLIO
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Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá.
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem que ainda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Gonçalves Dias.

Coimbra – julho de 1843.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O valioso sentimento do perdão.

O VALIOSO SENTIMENTO DO PERDÃO
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O verdadeiro sentimento do perdão nos erros que alguém tenha praticado contra nós é, além de uma atitude de profunda sabedoria, o real reconhecimento de que todos nós, por nossas próprias imperfeições, estamos, também, sujeitos a erros. Ao perdoarmos alguém é necessário que estejamos imbuídos do sentimento da verdadeira humildade, o que nos torna realmente digno no sentido ético das realidades que envolvem a humana existência.

O sentido do perdão se auto-introduz silentemente em nós quando perfeitamente compreendemos que ele se faz tão necessário a nós como a alguém que tenha cometido erros contra nós.

O sentimento do perdão auto-induzido ao âmago do nosso ser tem o maravilhoso poder de nos livrar de pensamentos retaliativos ou ações profundamente ofensivas contra alguém que, abrigado na mais pura insensatez, nos tenha diretamente ofendido.

O sentimento do perdão, quando claramente auto-conscientizado em nós brota firmemente do íntimo do nosso prodigioso ser, espargindo a luz da humildade, do amor, da compreensão e da verdadeira harmonia. Esse procedimento equânime liberta-nos totalmente de pensamentos odiosos, vingativos, por demais prejudiciais a saúde e ao desenvolvimento harmonioso de nossa dual e vibrante personalidade.

O sentimento real do perdão, na prática evita guardarmos dentro de nós pensamentos de revolta e de revide contra aquele que, direta ou indiretamente, nos tenha atingido com ofensas morais ou físicas.

O sentimento do verdadeiro perdão nos é perfeitamente saudável, pois sabemos que ao nos afastarmos dos pensamentos de ódio e vingança, evitamos atingir seriamente, de forma direta e irreversível, a nós mesmos. E, consoante a biologia e a lei cósmica que regula a aura humana, quando possuímos pensamentos negativos de ódio, intenções de vingança, etc, não os transmitimos a ninguém, pois, o Cósmico não veicula o mal, só o bem, isto é: retemos o mal em nós mesmos e somos verdadeiramente os únicos prejudicados.

O sentimento do perdão pacifica o corpo físico e em conseqüência o ser psíquico que, livre de pensamentos não harmoniosos, vingativos, se desfaz de verdadeiros entulhos psicológicos que só entravam o desenvolvimento global da nossa personalidade.

Perdoar é, pois, se auto-afirmar com certa humildade e condignamente se impor com bastante altruísmo e amor ao seu semelhante.

Otacílio Negreiros Pimenta.
In Memorian.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Resignação.

RESIGNAÇÃO
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Já não mais vejo o raiar no horizonte,
De um lindo dia de primavera radiante,
Surgindo manso, que beleza, que esplendor.
Já não mais vejo o jardim tão verdejante,
Com suas flores de odor tão deslumbrante,
Me enchendo o peito de alegria e vigor.

Já não mais vejo o rio perene e calmamente,
Com suas águas cristalinas e tão reluzentes,
Refletindo do céu os raios do luar.
Já não mais vejo os peixes de cores atraentes,
Nadando, brincando, de forma inocente,
Como se quisessem a mim, cortejar.

Já não mais vejo como antes eu via,
A beleza dos pássaros, cantando de alegria,
Enchendo-me o peito com tamanha emoção.
Já não mais vejo o pomar que existia,
Com seus belos frutos, tal qual uma magia,
Florindo e brotando em cada estação.

Já não mais vejo a relva espalhada,
No solo fértil, linda como que encantada,
Exalando seu odor gostoso e perfumado.
Já não mais vejo as palmeiras bem cuidadas,
Beirando o rio, tão belas, enfileiradas,
Tal qual um batalhão, uniforme e perfilado.

Já não mais vejo nada, porém sou feliz,
Porque nesta vida já vi tudo que quis,
Pois, pior que ser cego, é não ter coração.
Já não mais vejo nada, mas sei que existe,
A beleza da vida em meu ego persiste,
É por isso que vivo com resignação.

R.S. Furtado

sábado, 22 de agosto de 2009

Reação.

REAÇÃO
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Vamos querida, pela vida a fora,
Unidos pelo nosso amor florido.
Que seja num céu azul, e lindo agora,
O mundo enganador e denegrido.

Que o nosso amor jamais seja contido,
Floresça em cada e em cada aurora.
Estáticos, atiremos para o abismo,
Os dissabores trágicos de outrora.

Abandonemos do martírio a cruz,
Façamos do viver um paraíso,
De róseas tardes e manhãs azuis.

Fortes, renasçam, pois, nossos desejos,
Haja alegria em flor nos teus sorrisos,
E sôfrega harmonia nos meus beijos.

R.S. Furtado.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Porque mentias?

PORQUE MENTIAS?
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Porque mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e se minha vida
Tu vias desmaiar, porque mentias?

Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro...
Leviana sem dó, porque mentias?

Sabe Deus que te amei! sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe êsse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu porque mentias!

Vê minha palidez – a febre lenta,
Êsse fogo das pálpebras sombrias...
Pousa a mão no meu peito! Eu morro! eu morro!
Leviana sem dó, porque mentias.

Álvares de Azevedo.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Soneto-I.

SONETO-1
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Que dor pungente, oh! céu, sinto no peito,
Que até meu coração retalha, e esboroa!
Um pêso enorme a fronte me atordoa,
E contra meu querer me encosto ao leito!

Ah! quem, pobre de mim, me tem sujeito?
Que será, oh! meu Deus? Quem me magoa?
Mas que espectro de mim em tôrno voa?
A morte... é ela... lá lhe vejo o aspecto!

Ah! vem, que firme estou; vem apressada;
Eu não temo morrer; desfecha o corte,
E leva-me esta vida amargurada.

Porém que fazes tu? cruenta morte,
Poupas uma existência malfadada?
Oh! quanto é dura e triste a minha sorte.

Gonçalves de Magalhães.

domingo, 16 de agosto de 2009

Contraste.

CONTRASTE
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Toda em amor desperta apaixonada,
Nos meus braços caía languemente.
De passos em desmaios, abrasadas,
Pela caricia do meu beijo ardente.

Coração, alma, vida, me entregava,
E, nas juras de amor que eu lhe fazia.
Ela tão meigamente acreditava,
No entanto eu lhe fingia...
Pela mulher que assim me idolatrava,
Dentro em meu peito, amor não existia...

Depois ela por certo compreendendo,
Do meu afeto o simples fingimento.
Seu louco amor por mim fenecendo,
E nascendo de então o meu tormento.

Minhas juras de amor não acatavam,
Nos seus em flor já não queria,
O meu beijo que tanto lhe abrasara.
No entanto eu não fingia.
Pela mulher que assim me precisava,
Dentro em meu peito, amor muito existia.

R.S. Furtado.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O Misticismo.

O MISTICISMO
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Mini-pesquisa

Para uma parcela considerável de pessoas, irmãos nossos nesta evolutiva caminhada terrena, misticismo é a disposição de crer firmemente no sobrenatural. É aceitar e se envolver com todo tipo de “mistério”. Para muitos outros, é simplesmente algo misterioso e espiritualmente alegórico.
O misticismo transvertido e aceito como algo sobrenatural e profundamente misterioso, pode levar algumas pessoas ao temor, dando prosseguimento ao medo opressivo e doentio. Surge ai, em alguns, com todas as conotações de angústias, os atormentadores sofrimentos psíquicos.
Pelos parâmetros da Filosofia clássica, dentro de suas conceituações mais simples, “misticismo” é toda crença religiosa ou filosófica que admite comunicações ocultas entre os homens e a divindade. Ou, consoante a Filosofia: “o termo misticismo adquiriu o sentido da crença na possibilidade de união, fusão íntima e direta do espírito humano ao princípio fundamental do ser. Ligando-se íntima e profundamente ao conhecimento supernatural da divindade”. Chama-se ainda de misticismo, toda atitude religiosa que busca a união com o ser divino. Também é a doutrina que afirma que a realidade última é revelada por meios cognoscitivos. É o conhecimento puro, adquirido por via direta, sem intermediários, - distintos do perceptivo, do idealismo e muito superior a estes”. “O misticismo popular considera sobrenaturais certos fatos absolutamente naturais, os quais parecem violar as leis da natureza, pois são produzidos por poderes que ultrapassam a compreensão de algumas pessoas. Às vezes, evidenciando alguns fenômenos cósmicos poucos conhecidos por nós. Especialmente aqueles com ciclos de ocorrências intermediáveis entre centenas ou mais anos de reaparecimentos momentâneos”.
Alguns filósofos, explicitação do termo, estabelecem que “misticismo” é o conjunto de práticas religiosas que levam o crente a contemplação dos atributos divinos. O professor José Pedro Machado, irmão de além-mar, em seu Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, define: “o misticismo é sobretudo bom”.
O místico – o real praticante do misticismo, no idioma grego; mystikós ou mystés, significa religioso, contemplativo e o iniciado na religião. Ou mais apropriadamente, aquele que busca a integração pessoal com o deus de sua fé – cuja existência é latente no âmago da consciência interior de todo o ser humano, seja ele desenvolvido ou não.
Aceitemos o verdadeiro misticismo como uma profunda introspecção aos recônditos mais legítimos da alma. Estabelecendo a perfeita união com a essência íntima. Deus, que existe em toda a amplidão do universo. Em tudo, em tempos e espaços, por todo o comensurável sempre, Deus está em Alma e Espírito, na consubstanciação das realidades visíveis e invisíveis.
No verdadeiro sentido, misticismo é o ideal caminho para a criatura humana conhecer-se mais intimamente. E, através de uma profunda análise pessoal, entender melhor os seus semelhantes.
Vejamos, também, o que é misticismo para a “AMORC-Antiga e Mística Ordem Rosacruz” – “Misticismo não é mistério. O mistério está comumente relacionado com a magia, o logro, a ilusão. Os mistérios do Egito, bem como as escolas eleusianas e órficas da Grécia, referiam-se a uma gnose ou sabedoria secreta, que não deveria ser profanada por sua divulgação às massas. Para os antigos, dirigir as reações espirituais do individuo constituía um conhecimento sagrado.
“- O misticismo consiste em alcançar o cósmico através de si mesmo. Não estamos tentando pesquisar o universo além de nós, mas, vir a conhecê-lo através dos sentidos e do conhecimento do seu trabalho em nosso interior”.
“- O misticismo se ocupa da busca da verdade, ou de valores eternos. É um meio pelo qual o individuo adquire uma consciência ou compreensão intima, pessoal, da causa primeira de todas as coisas”.

Otacílio Negreiros Pimenta.
In Memorian

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Visões da noite.

VISÕES DA NOITE
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Passai, tristes fantasmas! O que é feito
Das mulheres que amei, gentis e puras,
Umas devoram negras amarguras,
Repousam outras em marmóreo leito!

Outras no encalço de fatal proveito
Buscam à noite as saturnais escuras,
Onde empenhando as murchas formosuras
Ao demônio do ouro rendem preito!

Tôdas sem mais amor! sem mais paixões!
Mais uma fibra trêmula e sentida!
Mais um leve calor nos corações!

Pálidas sombras de ilusão perdida,
Minh’alma está deserta de emoções,
Passai, passai, não me poupeis a vida!

Fagundes Varela.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Adjetivado.

ADJETIVADO
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Para este teu orgulho brutegrado,
Que dá-te esta aparência zelifrina.
Eu tenho o meu poder iscanzigrado,
E minha indiferença tevroprina.

Com este teu desdém quecalibrado,
Que tu levas na vida mesifrina.
Somente em teu viver legratofrado,
Colherás ironia quitoprina.

Não te iludas não sou um trasterito,
Que se curva ao teu ódio apristoprinho,
Que nota em teu olhar retrocabrito.

Pois se eu quiser num dia siluplano,
Vencerei teu orgulho quetofrinho,
Apenas com um beijo zetrofeno.

R.S. Furtado.

sábado, 8 de agosto de 2009

Salve o dia dos pais!

Salve o dia dos pais!
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Neste dia tão especial, desejo que Deus, nosso pai todo poderoso, derrame a sua bênção sobre todos os pais do mundo, como também, ilumine a mente dos homens, para que os mesmos adotem como principais prioridades, o amor, a compreensão e a solidariedade para com o seu semelhante, e assim, possamos ter um mundo mais feliz.

R.S. Furtado.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Morta.

MORTA
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Quando exalou seu derradeiro alento,
A tarde suspira, o sol descia.
De nuvens pardas todo o firmamento,
No tão pungente instante se vestia.

Tétrica tarde, fúnebre e sombria,
Para os seus que a cercavam no momento.
Tanta tristeza, e tanta dor havia,
E tanto pranto, e tanto desalento.

Da vida térrea então se despediu,
E com um brando aroma lentamente,
Ela risonha para o além partiu.

E hoje formosa qual estrela pura,
Entre flocos de nuvens transparentes,
Brilha sua alma na celeste altura.

R.S. Furtado.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Num album.

NUM ALBUM
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Ah! não penses que o peito do vate
É cratera de eterno vulcão,
Que essas horas da vida são flores
Que não pendem, não correm no chão.

Ah! não penses que o lume em seus olhos
É planêta de eterno brilhar,
Que em uns olhos pode uma lágrima
Vir o brilho celeste empanar.

Ah! não penses que a eterna harmonia
Que a uns lábios formosa baixou,
Será sempre suave, divina,
Como aquela que em Deus se criou.

Semideus entre a terra e os céus
Duplo lado se deve tocar;
Um sorriso no amor, na esperança,
Desenganos por onde passar.

Porto Alegre.

domingo, 2 de agosto de 2009

Sonêto.

SONÊTO
http://4.bp.blogspot.com/_THMGZwqj29g/SCslQ5Q7FRI/AAAAAAAAAQU/tZ4q0t6FvmY/s400/o_lago_dos_cisnes03.jpg

Eu passava na vida errante e vago
Como o nauta perdido em noite escura,
Mas tu te ergueste peregrina e pura
Como o cisne inspirado em longo lago.

Beijava a onda num soluço mago
Das moles plumas a brilhante alvura,
E a voz ungida de eternal doçura
Roçava as nuvens em divino afago,

Vi-te; e nas chamas de fervor profundo
A teus pés afoguei a mocidade
Esquecido de mim, de Deus, do mundo!

Mas aí cedo fugiste!... da soidade,
Hoje te implora dêsse amor tão fundo
Uma idéia, uma queixa, uma saudade!

Fagundes Varela
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