sábado, 7 de agosto de 2010

Cruz Vermelha.


FUNDAÇÃO DA CRUZ VERMELHA

1864 – Henri Dunant funda em Genebra, na Suíça, a Cruz Vermelha. Nasceu em Genebra em 08 de maio de 1828. Em 1859 Henri Dunant viajava pela Itália e seguia as peripécias da guerra. Em várias ocasiões ficou dolorosamente impressionado pela insuficiência de socorro aos feridos. Estes gritavam de dor, choravam no abandono, até que a morte os fizesse calar para sempre. Propôs-se a fazer quanto pudesse para remediá-la. Procurou e encontrou o auxílio de algumas mulheres generosas e de vários estrangeiros. A 24 de junho, em Solferino, onde durante 15 horas lutaram frente a frente 300.000 homens, Dunant e seus auxiliares percorreram o campo de batalha recolhendo e assistindo os feridos. Quantos daqueles infelizes teriam morrido sem o auxílio de Dunant e seus amigos. Ao voltar à Suíça Dunant ocupou-se sem descanso em dar a sua obra uma forma definitiva e fazer com que o principio fosse aceito por todas as nações. Em 1864 os representantes de 16 potências reunidas em Genebra, decidiram sob proposta de Dunant, a neutralidade das ambulâncias e a criação das sociedades de socorros aos feridos. Estes, fosse qual fosse a sua nacionalidade, deviam ser recolhidos e tratados. E elegeu-se como signo o distintivo único, para todos os exércitos do mundo, a Cruz Vermelha, sobre fundo branco, para servir de proteção e abrigo contra toda agressão ao pessoal e material sanitários. Tais foram as decisões desde então aplicadas e respeitadas por todos os povos realmente civilizados. Henri Dunant foi o iniciador, o verdadeiro criador dessa grande obra. Para completá-la, porém, surgiu nesse mesmo ano, em Londres, uma mulher bastante corajosa e de coração humanitário. Trata-se de Florence Nghtingale, nascida em Florença (Itália), que passou a sua infância e adolescência na Inglaterra. Aí organizou a Cruz Vermelha e criou as bases da Enfermagem Moderna. E foi também sob sua influência e do seu grupo de enfermeiras, que se criou, então, em Genebra, o “Comitê Internacional da Cruz Vermelha”.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume3, páginas 462/466.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Rosa.


ROSA

Rosa do meu Jardim, que ardes na minha Jarra,
filha do meu afã, mártir do meu amor!
Minha grande paixão egoísta te desgarra
as pétalas, te aspira o segredo interior.

Pois que estamos a sós — eu volúvel cigarra,
tu, borboleta rubra estacionada em flor —
deveras ter comigo uma folha de parra,
a fim de preservar-te a beleza e o pudor...

Pois que! tão nua assim, tão fresca e tão punícea,
rosa da Tentação, rosa da Impudicícia,
és o próprio Pecado: e há virtude em pecar...

— Pecar morrendo em ti, sangrando em teus espinhos,
remindo num Desejo os desejos mesquinhos,
gozando pelo Olfato e amando pelo Olhar...

Hermes Fontes


Hermes Floro Bartolomeu Martins de Araújo Fontes nasceu em Sergipe, em 28 de agosto de 1888 e faleceu no Rio de Janeiro em 25 de dezembro de 1930.

Filho de Francisco Martins Fontes e de Maria José de Araújo Fontes veio para o Rio de Janeiro em 1898 e aqui bacharelou-se em Direito, em 1911, pela então Faculdade de Direito do Rio de Janeiro e, aqui também, foi funcionário dos Correios e Oficial de Gabinete do Ministro da Viação.

Em Aracajú é nome de uma Avenida e de uma Praça Pública e só não é também nome de algum dos logradouros de Paquetá por já dar nome à uma das ruas do bairro de São Cristóvão, na cidade do R. J.

Aqui também, com Júlio Surkhow e Armando Mota, em 1904, fundou o jornal "Estréia" e colaborou também em vários periódicos como os jornais Fluminense, Rua do Ouvidor, Imparcial, Folha do Dia, Correio Paulistano, Diário de Notícias e as revistas Careta, Fon-Fon, Tribuna, Tagarela e Atlântida, entre outras...

Em 1913 publicou o seu primeiro livro de poesias, "Gênese", seguindo-se Ciclo da Perfeição (1914), Miragem do Deserto (1917), Microcosmo (1919), A Lâmpada Velada (1922) e A Fonte da Mata (1930).

Nesse mesmo ano, suicidou-se no Rio de Janeiro.

Dentre as suas principais poesias destacam-se Mãe, A Cigarra, A Guerra, Anoitecer na Praia, Jogos de Sombras, Luar de Paquetá, Messianeida, Moema, e Rosa.

Fonte: http://www.webartigos.com/articles/3511/1/Hermes-Fontes/pagina1.html#ixzz0vmIdMLgF

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Inocência


INOCÊNCIA

Onde eu trabalho, minha filha enfeita,
Todos os dias com singelas flores.
Meigamente, grácil, ela os ajeita,
Num frasquinho sem tinta, nem labores.

Ao coração de pai, nós escritores,
De uma vida que quase está desfeita.
Ante a sua meiguice e seus primores,
Da sua angustia uma ternura é feita.

Sete anos! Vida de ambições despida!
Pura alma de anjo alado, no transporte.
De inocência e alegria não fingida.

Que Deus te dê filhinha boa sorte.
Assim como hoje enfeitas minha vida,
Enfeite em algum dia minha morte.

R. S. Furtado

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O milagre de São João.


O MILAGRE DE SÃO JOÃO

E agora eu peço a sa dona,
que é muié civilizada,
que é muié de inducação,
pelo que não arrepare
na minha comparaçào
As caderas de Joaninha
tava sadia istufada,
como uma pedra encalhada
na beira de um riachão,
que as agua que vai passando,
vai, aos poucos arrendondando
inchando, que nem balão,
inté ficá tão redonda
como as anquinhas macia
de uma bonita nuvia,
que ainda fica assustada,
vendo um touro, um barbatão.

Catulo da Paixão Cearense



Nasceu Catulo da Paixão Cearense em 08 de outubro de 1863, em São Luiz ,Estado do Maranhão, à rua Grande, (hoje Oswaldo Cruz) nº 66.

Filho de Amâncio José Paixão Cearense (natural do Ceará) e Maria Celestina Braga (natural do Maranhão).

Sua infância até os 10 anos se passou em São Luiz do Maranhão. Depois, transferiu-se para o sertão agreste cearense onde seus avós maternos portugueses eram fazendeiros, onde permaneceu por lá até os 17 anos.

Em 1880 em companhia de seus pais e irmãos (Gil e Gerson) mudou-se para o Rio de Janeiro, na rua São Clemente nº 37, Botafogo.

Aos 19 anos interrompeu os estudos e abraçou o violão, instrumento naquela época, repelido dos lares mais modestos. Iniciante tocador de flauta, a trocou pelo violão, pois assim, podia cantar suas modinhas. Nesse tempo passou a escrever e cantar as modinhas como, “Talento e Formosura”, “Canção do Africano” e “Invocação a uma estrela”. Moralizou o violão levando-o aos salões mais nobres da capital.

Catulo foi autodidata autentico. Suas primeiras letras foram ensinadas por sua genitora e toda sua grande cultura foi adquirida em livros que comprava e por sua franquia à Biblioteca do Senador do Império, por ser professor dos filhos do Conselheiro Gaspar da Silveira .

“Aprendi musica, como aprendi a fazer versos, naturalmente”, dizia o Velho Marruêro.

Seu pai faleceu em 01 de agosto de 1885, desgostoso por seu filho ter abandonado os estudos para ser poeta, sem tempo de assistir a moralização do violão, o que veio a marcar tremendamente Catulo.

À medida que envelhecia mais se aprimorava. Catulo homem, não se modificava, sempre fiel ao seu estilo. “... Com gramática ou sem gramática, sou um grande Poeta...”.

A sua casinhola em Engenho de Dentro, afundada no meio do mato era histórica. Alí recebia seus admiradores, escritores estrangeiros, acadêmicos nacionais, sempre com banquetes de feijoada e o champagne nunca substituía o paratí, por mais ilustre que fosse o visitante.

As paredes divisórias eram lençóis e sempre que previa a presença de pessoas importantes, dizia para a mulata transformada em dona de casa. “Cabocla, lave as paredes amanhã, que Domingo vem gente!”

Sua primeira modinha famosa “Ao Luar” foi composta em 1880.

Em algumas composições teve a colaboração de alguns parceiros: Anacleto Medeiros, Ernesto Nazareth, Chiquinha da Silva, Francisco Braga e outros. Como intérprete, o maior tenor do Brasil, Vicente Celestino.

Catulo morreu aos 83 anos de idade, em 10 de maio de 1946, na rua Francisca Meyer nº 78, casa 02. Seu corpo foi embalsamado e exposto a visitação pública até 13 de maio, quando desceu à sepultura no cemitério São Francisco de Paula , no Largo do Catumbí, ao som de “Luar do Sertão”.

Catulo deixou inúmeras obras, tais como;

Canções musicadas
- Luar do Sertão
- Choros ao Violão
- Trovas e Canções
- Cancioneiro Popular
- A Canção do Africano
- O Vagabundo
- Etc...

Livros de Poemas:
- Meu Sertão
- Sertão em Flor
- Poemas Bravios
- Mata Iluminada
- Poemas Escolhidos
- O Milagre de São João
- Etc....

Obras teatrais;
- O Marroeiro
- Flor da Santidade
- E o clássico “Um Boêmio no Céu“.

Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Canção do mestiço.


CANÇÃO DO MESTIÇO

Mestiço

Nasci do negro e do branco
e quem olhar para mim
é como que se olhasse
para um tabuleiro de xadrez:
a vista passando depressa
fica baralhando cor
no olho alumbrado de quem me vê.

Mestiço!

E tenho no peito uma alma grande
uma alma feita de adição.

Foi por isso que um dia
o branco cheio de raiva
contou os dedos das mãos
fez uma tabuada e falou grosso:
– mestiço!
a tua conta está errada.
Teu lugar é ao pé do negro.

Ah!
Mas eu não me danei...
e muito calminho
arrepanhei o meu cabelo para trás
fiz saltar fumo do meu cigarro
cantei alto
a minha gargalhada livre
que encheu o branco de calor!...

Mestiço!

Quando amo a branca
sou branco...
Quando amo a negra
sou negro.
Pois é...

Francisco José Tenreiro


Poeta são-tomense, Francisco José Tenreiro nasceu em 1921, em São Tomé e Príncipe, e faleceu em 1963, numa altura em que se intensificava a Guerra Colonial. Geógrafo por formação, usou a poesia para exprimir a nova África, já não a dos postais ilustrados e dos povos, plantas e animais exóticos, mas a de um novo tempo, marcado pela fusão de culturas nativas.

Veio para Lisboa ainda bastante novo, numa altura em que nos Estados Unidos e na França se ouviam as novas vozes dos intelectuais negros a reclamarem os direitos e a proclamarem a identidade dos povos africanos. Tenreiro enquadra-se nesta corrente. Também ele viveu para exaltar a cultura da sua terra natal, se bem que não renegando certos valores adquiridos com a colonização. Por isso, mais do que o poeta da negritude, assume uma postura de defesa de todas as minorias étnicas, como é visível no poema Negro de Todo o Mundo. A sua poesia exalta o homem africano na sua globalidade, ou seja, a diáspora africana que se propagou por todos os cantos do mundo.

Publicou a sua primeira obra - Ilha do Nome Santo - na colecção coimbrã Novo Cancioneiro, integrando-se na corrente neo-realista que então surgia em Portugal. Poeta da mestiçagem, do cruzamento de culturas e de vozes, escreve, na Canção do Mestiço, «nasci do negro e do branco / e quem olhar para mim / é como se olhasse / para um tabuleiro de xadrez», continuando «E tenho no peito uma alma grande, / uma alma feita de adição». É nessa adição que reside a diferença. Tenreiro não apela a um retorno às origens africanas, mas ao respeito das pessoas de todas as cores, de todas as tradições. A sua voz é verdadeiramente a voz do exílio, por um lado, e do entrecruzamento das culturas e das raças, por outro.

Em 1953, juntamente com o angolano Mário de Andrade, publica, em Lisboa, Poesia Negra de Expressão Portuguesa, uma antologia de textos de novos intelectuais africanos. O próprio nome era já provocação: a africanidade implicava a desestruturação da portugalidade, o que, numa época de ditadura, era no mínimo arriscado fazer. É a busca de uma nova consciência africana.

Em 1962, Tenreiro concluiu o seu segundo livro de poesia, Coração em África, que já não viu publicado, por ter falecido no ano seguinte.

Fonte: http://lusofonia.com.sapo.pt