sábado, 18 de setembro de 2010

Código da Hereditariedade-DNA.


CÓDIGO DA HEREDITARIEDADE - DNA

1952 – O Dr. Maurice Wilkins, do King's College de Londres abre caminho para decifração do Código da Hereditariedade, cuja sigla DNA designa o ácido deoxiribonucléico. Tal código determina a natureza fundamental de todos os organismos vivos, a ameba unicelular até o próprio homem. Quando for decifrado, o homem poderá curar o câncer, alterar as características das plantas e dos animais e talvez até criar a vida por meio de substâncias químicas. É que o Dr. Maurice, utilizando-se de Raios X, é o primeiro a surpreender reflexos de átomos numa molécula de DNA. Contempla aí uma bela espiral, a partir da qual, em abril de 1953, os Drs. James D. Watson e Francis H. C. Crick, da Universidade de Cambridge, elaboram um esquema e publicam um diagrama do DNA. Faz lembrar uma delicada mola. Depois dessa sensacional revelação, as descobertas se sucedem, até que os cientistas possam descrever a molécula, mater da vida, com pormenores exatos e dizer precisamente como se articulam os seus milhares de átomos e como agem para criar e manter a vida. Descobriram que o DNA tem uma memória clara e inerente. Armazena, como um computador microscópico, uma enorme quantidade de instruções e esquemas, que emite na hora e no lugar exatos, para determinar a formação de todas as células e estruturas de um organismo, para fazê-las crescer e para sincronizar-lhes as atividades em todos os segundos da cota de vida que lhes cabe. O DNA não só dá à pessoa ao nascer os seus dons hereditários, mas dirige também todas as suas funções físicas. Além de estar presente nas células sexuais, existe também em todas as células vivas exceto nos glóbulos vermelhos do sangue e em alguns vírus, é algumas das muitas coisas que nos explica o cientista Rutherford Platt sobre o assunto. O certo é que tais pesquisas vêm sendo feitas desde 1868. Neste ano o químico alemão Frederick Miecher descobriu que ficava sempre um sedimento escuro insolúvel depois de a matéria viva haver sido embebida em ácidos e agitada dentro do éter. Tal sedimento por ele encontrado nas células de todas as plantas, fê-lo concluir que poderia ter alguma relação com a hereditariedade, embora não dispusesse de conhecimentos que lhe permitissem verificar essa hipótese. Em nosso século com a construção de poderosos microscópios, é que os cientistas poderão tirar conclusões mais positivas, com seus estudos constantes nos laboratórios.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 5, páginas 817/818.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sonata para ir à Lua.



SONATA PARA IR À LUA

Desnudo já me dou de mim doendo
na doação das folhas da floresta
que vão caindo sem saber-se sendo
pedaços de nós na noite deserta

A lua imponderável vai ardendo
cúmplice em nossa luz de fogo e festa
Meus braços são dois galhos te dizendo
que o forte às vezes treme em sua aresta

Esta outra face frágil de aparência
que só aos puros é dado conhecer
no abraço da paixão e sua ardência

Mesmo cego de mim eu pude ver
e sentir no teu beijo a clara essência
que faz do nosso amor raro prazer

Aníbal Beça


Aníbal Augusto Ferro de Madureira Beça Neto era amazonense de Manaus, onde nasceu a 13 de setembro de 1946 e faleceu no dia 25 de agosto de 2009. Era poeta, compositor e jornalista. Desde muito cedo colaborou em suplementos literários e em publicações similares nacionais e internacionais.

Dividiu seus primeiros estudos entre colégios de Manaus (Aparecida, Dom Bosco e Brasileiro) e em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul (Colégio São Jacó). Durante sua permanência no Rio Grande do Sul, mais precisamente em Porto Alegre, travou conhecimento com o poeta Mario Quintana, quem lhe deu os primeiros ensinamentos e o estímulo para caminhar pelas veredas da poesia.

Especialista em tecnologia educacional na área de Comunicação Social (UFRJ), Teve passagens, como repórter, redator, colunista, copy-desk e editor, em todas as redações dos jornais de Manaus, do ínicio da década de 60 até final da década de 80; foi diretor de produção da Televisão Educativa do Amazonas – TVE e consultor da Secretaria de Cultura e Turismo do Amazonas. Foi idealizador e Editor-geral do suplemento literário "O Muhra", de circulação bi-mestral, editado pela referida secretaria.

Envolvido com teatro, artes plásticas, foi na música popular que a sua contribuição se faz mais efetiva como compositor, letrista e produtor de espetáculos e de discos. Desde 1968, quando venceu o I Festival da Canção do Amazonas, Aníbal foi colecionando prêmios com mais de 18 primeiros lugares em festivais em sua terra, no Brasil e no exterior. Representou o Brasil no VIII Festival de Joropo de Villa Vicencio, Colômbia (1969);

Foi o único artista amazonense a se classificar e se apresentar no Festival Internacional da Canção FIC, em 1970, com a música "Lundu do Terreiro de Fogo", defendida pela cantora Ângela Maria.

Tem músicas gravadas por vários artistas brasileiros como: As Gatas, Coral JOAB, Felicidade Suzy, Nilson Chaves, Eudes Fraga, Lucinha Cabral, Dominguinhos do Estácio; Bira Hawaí, Aroldo Melodia, Jander, Raízes Caboclas, Mureru, Roberto Dibo, Célio Cruz, Torrinho, Arlindo Junior, Paulo Onça, Paulo André Barata, Almino Henrique, Pedrinho Cavalero, Pedro Callado, Delço Taynara, Grupo Tynbre e outros.

Foi diretor do Sindicato dos Escritores, Presidente da ACLIA Associação de Compositores, Letristas e Intérpretes do Amazonas, Presidente do Coletivo Gens da Selva (ONG), Vice-Presidente da UBE-AM União Brasileira de Escritores, seção Amazonas.

Seu primeiro livro Convite Frugal, data de 1966 (este ano, comemora 33 anos de atividade literária e 35 de produção musical).

A propósito de sua poesia, o poeta Carlos Drummond de Andrade, teceu, em 31 de julho de 1987 - pouco antes de morrer - o comentário: "Li Filhos da Várzea, os poemas-pôster e os haicais afetuosamente a mim dedicados. Obrigado por tudo, meu caro poeta. É de coração aberto que lhe desejo a maior receptividade pública e compreensão para a bela poesia que está elaborando e que, espero, marcará seu nome como um dos que engrandeceram o cultivo artístico do verso." Em 1994, com o livro Suíte para os Habitantes da Noite, sagrou-se vencedor, dentre 7.038 livros de todo o país, do 6º Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira - categoria poesia. O livro, lançado sob o selo da editora Paz e Terra, saiu em 1995.

Outros livros: Filhos da Várzea, ed. Madrugada, 1984, abrigando o livro Hora Nua; Marupiara - Antologia de Novos Poetas do Amazonas, (organizador) Ed. Governo do Estado do Amazonas, 1985; Quem foi ao vento, perdeu o assento (Teatro) Ed. SEMEC, 1986; Itinerário poético da Noite Desmedida à Mínima Fratura, Ed. Madrugada, 1987; Banda de Asa - poesia reunida - Ed. Sette Letras, 1998; contendo o livro inédito Ter/na colheita.

Em junho de 99, Representou o Brasil no VIII Festival Internacional de Poesia de Medellín, e em agosto/99 no Encontro Internacional de Escritores da Associação Americana para o desenvolvimento cultural, em Bogotá.

Fonte: http://www.revista.agulha.nom.br

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Máxima - 5.


“O suicídio é o único erro lamentável, impensado, brutal, covarde, irreparável, imperdoável e 'irrepetível' que o ser humano pode cometer.”

R.S. Furtado.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A Maria Ifigênia.


A MARIA IFIGÊNIA

Em 1786, quando completava sete anos.

Amada filha, é já chegado o dia,
em que a luz da razão, qual tocha acesa
vem conduzir a simples natureza,
é hoje que o teu mundo principia.

A mão que te gerou teus passos guia,
despreza ofertas de uma vã beleza,
e sacrifica as honras e a riqueza
às santas leis do filho de Maria.

Estampa na tua alma a caridade,
que amar a Deus, amar aos semelhantes,
são eternos preceitos da verdade.

Tudo o mais são idéias delirantes;
procura ser feliz na eternidade,
que o mundo são brevíssimos instantes.

Alvarenga Peixoto


Inácio José de Alvarenga Peixoto, nascido em 1744, no Rio de Janeiro, morreu a 27 de Agosto de 1792, em Ambaca, em Angola, e figura entre os nomes grandes do arcadismo brasileiro.

Inácio José de Alvarenga fez grande parte da sua vida em Portugal, onde estudou com os jesuítas antes de, em 1760, ir para a Universidade de Coimbra, onde se doutorou em Leis, em 1767. No ano seguinte, começou a utilizar no seu nome literário o sobrenome Peixoto. A partir de 1769 passou a publicar poesia, embora em vida não tenha editado nenhum livro.

Em Portugal, conviveu com poetas como Basílio da Gama, Caldas Barbosa e Tomás António Gonzaga.

Foi juiz em Sintra antes de regressar ao Brasil em 1775, onde exerceu o cargo de ouvidor da Comarca de Rio das Mortes, assim como se dedicou à agricultura e à mineração. Dez anos mais tarde, foi nomeado coronel do 1º Regimento de Cavalaria da Campanha do Rio Verde. Entretanto, em 1881, havia casado com a poetisa Bárbara Eliodora, a quem dedicou muitos dos seus versos.

Em 1789, juntamente com o seu parente Tomás António Gonzaga, participou no movimento nacionalista Inconfidência Mineira, em protesto contra os pesados impostos que o reino obrigava a pagar. Em consequência disso, foi preso na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, e condenado à morte. No entanto, três anos mais tarde, acabou por partir para o exílio em Angola, onde morreu pouco depois de chegar, em 1792.

As suas composições poéticas foram reunidas por Joaquim Norberto, em 1865, no livro Obras Poéticas e reproduzidas praticamente um século depois, em 1964, na antologia Poesia de Ouro, um trabalho coordenado por Péricles Eugénio da Silva Ramos. Entretanto, em 1960 havia sido publicada Vida e Obra de Alvarenga Peixoto, a mais completa colecção de cartas e documentos do autor, numa organização de M. Rodrigues Lapa.

Alvarenga Peixoto, que também assinou com os pseudónimos Alceu e Eureste Fenício, enquanto elemento da Arcádia Mineira, terá ainda escrito uma obra chamada Eneias no Lácio, um drama lírico que entretanto desapareceu.

Fonte: http://www.infopedia.pt

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Poesia entre o Cais e o Hospital


POESIA ENTRE O CAIS E O HOSPITAL

Geme no cais o navio cargueiro
No hospital ao lado, o homem enfermo.
O vento da noite recolhe gemidos
Une angústias do mundo ermo.
Maresia transborda do mar em cansaço,
Odor de remédios inunda o espaço.
Máquina e homem, ambos exaustos
Um, pela carga que pesa em seu bojo
Outro, na dor tomando o seu corpo.
Cais, hospital: Portos de espera
E começo de fim da longa viagem.
Chaminés de cargueiros gritando no mar,
Garganta do homem em gemidos no ar.
No fundo, o universo,
O mar infinito,
O céu infinito,
O espírito infinito.
Neblinados em tristezas e medos
Surgem silêncios entre os rochedos.
Chaminés de cargueiros gritando no mar
E a garganta do homem em gemidos no ar.

Adalgisa Nery

Adalgisa Maria Feliciana Noel Cancela Ferreira nasceu em 29 de outubro de 1905, no antigo Distrito Federal (RJ). Perdeu a mãe aos 8 anos, estudou num colégio de freiras, de onde foi expulsa por defender as “órfãs”, que eram maltratadas na época por serem consideradas subalternas. Fez apenas o curso primário.

Casou-se aos 16 anos com um vizinho, o pintor Ismael Nery — um dos precursores do Modernismo no Brasil. O casamento durou  até a morte do pintor, em 1934. Eles tiveram sete filhos, todos homens, mas somente o mais velho, Ivan, e o caçula, Emmanuel, sobreviveram. Viúva aos 29 anos, foi trabalhar na Caixa Econômica. Em seguida, conseguiu um cargo no Conselho do Comércio Exterior do Itamaraty. Em 1940 casou-se com o jornalista e advogado Lourival Fontes. Seguiu o marido em funções diplomáticas, em Nova York de 1943 a 1945 e como embaixador no México, em 1945. O casamento com Lourival durou 13 anos. A partir daí, tornou-se jornalista, escrevendo para o jornal Última Hora.

Foi eleita deputada três vezes, tendo os direitos políticos cassados em 1969. Desamparada e pobre, morou  nos anos 1974 e 1975 em uma casa do comunicador Flávio Cavalcanti, em Petrópolis, onde viveu reclusa. Em maio de 1976, sem ter doença alguma, resolveu internar-se numa casa de repouso para idosos, em Jacarepaguá. Em 1977, sofreu um acidente vascular cerebral e ficou afásica e hemiplégica. Faleceu em 07 de junho de 1980, solitária.

Bibliografia: Poemas, 1937; A mulher ausente (poemas), 1940; Og (contos), 1943; Ar do deserto (poemas), 1943; Cantos de angústia (poemas), 1948; As fronteiras da quarta dimensão (poemas), 1952; A imaginária (romance), 1959; Mundos oscilantes (poemas) 1962; Retrato sem retoque (crônicas), 1966; 22 menos 1 (contos), 1972; Neblina (romance), 1972; e Erosão (poemas), 1973

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br