RESIGNAÇÃO
Já
não mais vejo o raiar no horizonte,
De
um lindo dia de primavera radiante,
Surgindo
manso, que beleza, que esplendor.
Já
não mais vejo o jardim tão verdejante,
Com
suas flores de odor tão deslumbrante,
Me
enchendo o peito de alegria e vigor.
Já
não mais vejo o rio perene e calmamente,
Com
suas águas cristalinas e tão reluzentes,
Refletindo
do céu os raios do luar.
Já
não mais vejo os peixes de cores atraentes,
Nadando,
brincando, de forma inocente,
Como
se quisessem a mim, cortejar.
Já
não mais vejo como antes eu via,
A
beleza dos pássaros, cantando de alegria,
Enchendo-me
o peito com tamanha emoção.
Já
não mais vejo o pomar que existia,
Com
seus belos frutos, tal qual uma magia,
Florindo
e brotando em cada estação.
Já
não mais vejo a relva espalhada,
No
solo fértil, linda como que encantada,
Exalando
seu odor gostoso e perfumado.
Já
não mais vejo as palmeiras bem cuidadas,
Beirando
o rio, tão belas, enfileiradas,
Tal
qual um batalhão, uniforme e perfilado.
Já
não mais vejo nada, porém sou feliz,
Porque
nesta vida já vi tudo que quis,
Pois,
pior que ser cego, é não ter coração.
Já
não mais vejo nada, mas sei que existe,
A
beleza da vida em meu ego persiste,
É
por isso que vivo com resignação.
R.S.
Furtado