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segunda-feira, 22 de junho de 2020

Ciúme de Cabra macho.


CIÚME DE CABRA MACHO

Ói aquí sô Zé Mané,
Num brinque cum fôgo não.
Muié di macho né pra quem qué,
Nem pra vagabundo não.
Dêxe in paz minha muié,
Ô vai pará nu caxão.

Já num tô gostando nada,
Do seu jeitim de oiá.
Cum essa cara safada,
Quando óia ela passá.
Cuidado ca tua vida,
Sinão o páu vai cantá.

Já tô ficando arretado,
Já tô pensando em bestêra.
Dêxe di ficá assanhado,
Que sinão vai dá zunzêra.
Pru que pra cabra safado,
O que eu tenho é pexêra.

R.S. Furtado

sábado, 22 de junho de 2019

São João da minha Terra.

SÃO JOÃO DA MINHA TERRA

O São João da minha terra,
É porreta, é arretado.
Começa no pé da serra,
E se espalha no povoado.

Tem festa pra todo lado,
Tem traque, foguete e rojão.
Cachaça tem pra danado,
Tem xote, xaxado e baião.

Tem quadrilha, com casamento,
Tem padre, e até delegado.
Tem carroça puxada por jumento,
Pra carregar o casal enforcado.

Tem inhame, batata e macaxeira,
Bolo tem, de toda qualidade.
Tem milho assado na fogueira,
Pra ninguém ficar na saudade.

Tem cuscuz, tem canjica e pamonha,
Tapioca, beijú, arroz doce e mungunzá., Xaxado
E tudo isso é pra comer, sem vergonha,
E encher a pança até se empanturrar.

Forró tem em todo canto,
Pra quem pra lá, for brincar.
Mulher tem demais, no entanto,
É proibido, no salão se esfregar.

As mulheres de lá são fogosas,
Mas, tem umas que vivem pra rezar.
As que não casam ficam em pavorosas,
Enquanto as outras, só querem ficar.

Tem gente de toda qualidade,
Pacata, mas também arruaceira.
Quem lá chegar com maldade,
Vai pra ponta da peixeira.

Portanto, meus queridos amigos,
Não sendo um burro que emperra.
Vou relembrar os festejos antigos,
Do São João da minha terra.

R.S. Furtado
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