domingo, 5 de outubro de 2014

Não te irrites.




NÃO TE IRRITES

se quem te procura,
se quem te vem falar
não consegue traduzir
o tumulto que traz consigo.

Mais importante
que escutar as palavras
é adivinhar as angústias,
sondar o mistério,
escutar o silêncio...

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A velhinha me disse,
estranhamente, ao receber a esmola:
“Deus te acompanhe,
na hora dos suores frios!”
Estranhei o plural
– só pensei na morte.
Ela explicou,
sem vacilar:
“Não se morre uma vez só.
Cada vez que se sua frio
– doença, medo, espera, assombração –
só mesmo Deus ajudando”.

Dom Hélder Câmara 



Nome completo: Helder Pessoa Câmara 

Nascimento: 07 de fevereiro de 1909, Fortaleza, Ceará – Brasil 



Falecimento; 27 de agosto de 1999, Recife, Pernambuco – Brasil



Pais: João Eduardo Torres Câmara Filho (jornalista, guarda-livros) 


Adelaide Rodrigues Pessoa Câmara (professora) Leia mais aqui:


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Soneto.


SONETO

Percamo-nos no sal que o sal nos veste
e há de nos levar ao reino das janelas
onde os brinquedos pendem do cipreste
nascido sobre as manchas amarelas.

E onde os ventos que sopram de nordeste
fazem-se mãos e ritmos como aquelas
mãos que teceram fios azul-celeste
levando ao mar as mais que nossas velas.

Mas não houve, e houve volta a essas vulgares
coisas, que não de vento e não de mares,
de quartos e silêncios prolongados.

Quando as damas e os bispos preto e branco
seguiam mais o rei que esse era manco
peões que eram de chumbo e eram soldados.

Edmir Domingues


Leia mais um belo soneto e a biografia do autor aqui:

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Soneto atlântico.

 MEUS QUERIDOS AMIGOS!
É muito difícil externar a nossa gratidão pelas belas e carinhosas palavras de felicitações endereçadas a mim e aos meus dois filhos, deixadas através dos comentários efetuados no post anterior, intitulado "Setenta e duas primaveras", por todos que, gentilmente, aqui passaram.   
 Aceitem o nosso humilde e sincero muito obrigado de coração.

Agradeço, também ao GOOGLE, a linda mensagem de felicitações inserida na sua página inicial do dia 23 de setembro, data em que comemorei as minhas setenta e duas primaveras, e aproveito a oportunidade para parabeniza-lo pelo seu 16º aniversário ocorrido no dia 27, também, de setembro. Portanto, parabéns para o GOOGLE e para toda a sua valiosa equipe.

QUE DEUS SEJA LOUVADO! 
   
SONETO ATLÂNTICO

A vulva de mar que me envolve,
válvula maré que mexe e goza,
leva meu sêmen limpo e devolve
detritos de água ferruginosa.

No ventre atlântico se dissolve
o ritmo vai-e-vem de nossas vidas,
amor que sempre foge e sempre volve
às mesmas chegadas e partidas.

Beber, beber, beber, fel oceânico,
em meu corpo de volúpia e pânico,
sorver tuas espumas de ressaca.


Onda. Linfa. Aquática hemorragia.
Engolfas meu corpo, suja baía:
e sou o braço de mar que te ataca.

Cláudio Murilo Leal 


Nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1937. Doutor em Letras e Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ. Professor da UFRJ; da Universidade de Essex, Inglaterra; da Universidade Toulouse-Le-Mirail, França; da Universidade de Brasília (1971/79, período em que colaborou com os jornais Correio Braziliense e Jornal de Brasília); diretor... Leia mais aqui: 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Setenta e duas primaveras.

S etenta e duas primaveras,

E ntre os altos e baixos da vida. Sempre

T ombando e levantando como tubo pet,

E m sua reciclagem, em prol do ambiente.

N o ar, voando como a abelha em busca de pólen,

T ateando como nau sem rumo, no mundo da net,

A procura de um tema, para um mero poema.



E nveredando por trilhas que me dignifique,



D ivulgando baboseiras sem querer obter record,

U nindo palavras, rimando o angu com o caju,

A frontando a cultura, assassinando a gramática,

S em nenhuma graça, com concordâncias esparsas.



P obre de cultura. Não sou top nem almejo Ibop,

R esponsável eu sou, talvez, um dia não possa ser.

I nvento baboseiras assim, sem olhar de onde parti,

M isturando rima de caqui, com rima de aipim.

A prendo com os livros o que mais me interessa,

V ejo, também, as besteiras e o melhor da Tv.

E rguendo-me sempre, em cada vez que tropece,

R espeitando os direitos de quem possa ter e, ser

A legre e feliz, sentimentos de quem comemora

S etenta e duas primaveras.

R.S. Furtado

MEU QUERIDOS AMIGOS!



Hoje, dia 23 de setembro, despertei e, quando conversei com meu DEUS (o que faço diariamente à noite ao deitar para dormir e ao despertar pela manhã), além dos outros costumeiros e importantes agradecimentos, agradeci também, pelo prazer e a satisfação de poder receber a visita de mais uma primavera, principalmente, por saber que meus dois filhos, Rosemildo Filho e Rosenildo, também a receberam e, o melhor, em paz e gozando da mais perfeita saúde. Rosemildo Filho e Rosenildo completam hoje 44 e 38 anos, respectivamente, por isso, tomei a liberdade de partilhar com eles esta humilde comemoração.



“QUE DEUS SEJA LOUVADO”

domingo, 21 de setembro de 2014

Desânimo.

 
DESÂNIMO

Já nada tenho do que outrora tive,
e noutros tempos muita coisa eu tinha:
minh'Alma, agora, em desespero, vive,
vivendo sem viver, triste e sozinha.

Muito sorri e muita dor contive,
para que o Mundo vil não visse a minha
grande e profunda Mágoa. E assim estive,
a viver uma vida bem mesquinha.

Tudo perdi. Na noite do passado,
apagou-se o final que me guiava,
no Céu do meu viver a fulgurar.

Agora, velho, trôpego, cansado,
espero, mas em vão, que d'Alma escrava,
venha a Morte os grilhões despedaçar.

Figueiredo Pimentel


Alberto Figueiredo Pimentel (Macaé, 1869 – 1914) foi um romancista, cronista, diplomata, contista, poeta e jornalista brasileiro.  



Figueiredo Pimentel foi além de poeta, contista, cronista, autor de literatura infantil e tradutor. Manteve por muitos anos, desde 1907, uma seção chamada Binóculo na Gazeta de Notícias. Publicou novelas, poesia, histórias infantis e contos.


Um de seus grandes êxitos foi o romance naturalista O Aborto, estudo naturalista, publicado em 1893 e que hoje se encontra completamente esgotado à espera de uma urgente e necessária reedição. Como poeta, participou da primeira geração simbolista chegando a se corresponder com os franceses. Era amigo de Aluísio Azevedo, com quem trocou cartas, enquanto o autor de O Cortiço estava fora do país como diplomata.


Foi figura destacada na cena Belle Époque carioca. Poeta, romancista, escritor de literatura infantil, ganhou destaque e se perpetuou nos compêndios da literatura brasileira. Possui a autoria da máxima “O Rio civiliza-se”. O slogan lançado, em 1904, na Gazeta de Notícias, ganha envergadura como palavra de ordem do reformismo reacionário que provoca mudanças na vida carioca, interferindo em hábitos e costumes de seus moradores. A comunicação terá como foco a coluna Binóculo, assinada pelo autor, identificado como o primeiro cronista social da capital. Era ele quem tratava das novidades da moda, do bom gosto, do chic  em voga em Paris e que deveria ser aqui aclimatado. 

 
Fonte: Wikipédia.