DESÂNIMO
Já
nada tenho do que outrora tive,
e
noutros tempos muita coisa eu tinha:
minh'Alma,
agora, em desespero, vive,
vivendo
sem viver, triste e sozinha.
Muito
sorri e muita dor contive,
para
que o Mundo vil não visse a minha
grande
e profunda Mágoa. E assim estive,
a
viver uma vida bem mesquinha.
Tudo
perdi. Na noite do passado,
apagou-se
o final que me guiava,
no
Céu do meu viver a fulgurar.
Agora,
velho, trôpego, cansado,
espero,
mas em vão, que d'Alma escrava,
venha
a Morte os grilhões despedaçar.
Figueiredo
Pimentel
Alberto
Figueiredo Pimentel (Macaé, 1869 – 1914) foi um romancista,
cronista, diplomata, contista, poeta e jornalista brasileiro.
Figueiredo
Pimentel foi além de poeta, contista, cronista, autor de literatura
infantil e tradutor. Manteve por muitos anos, desde 1907, uma seção
chamada Binóculo
na
Gazeta de Notícias. Publicou novelas, poesia, histórias infantis e
contos.
Um
de seus grandes êxitos foi o romance naturalista O
Aborto, estudo naturalista,
publicado em 1893 e que hoje se encontra completamente esgotado à
espera de uma urgente e necessária reedição. Como poeta,
participou da primeira geração simbolista chegando a se
corresponder com os franceses. Era amigo de Aluísio Azevedo, com
quem trocou cartas, enquanto o autor de O Cortiço estava fora do
país como diplomata.
Foi
figura destacada na cena Belle
Époque carioca.
Poeta, romancista, escritor de literatura infantil, ganhou destaque e
se perpetuou nos compêndios da literatura brasileira. Possui a autoria da máxima “O Rio civiliza-se”. O slogan lançado, em
1904, na Gazeta de Notícias, ganha envergadura como palavra de ordem
do reformismo reacionário que provoca mudanças na vida carioca,
interferindo em hábitos e costumes de seus moradores. A comunicação
terá como foco a coluna Binóculo, assinada pelo autor, identificado
como o primeiro cronista social da capital. Era ele quem tratava das
novidades da moda, do bom gosto, do chic em voga em Paris e que deveria ser aqui aclimatado.
Fonte:
Wikipédia.

