sábado, 5 de outubro de 2013

Instância.


INSTÂNCIA

Quem volta ao lugar perdido
quer ver o tempo.
Não vê a casa, o muro, o degrau mais fino:
quer no bater do coração antigo.

Espanta a resistência daquela árvore,
a mesma e outra nesta floração.
Espanta a cor fiel dos azulejos,
a penumbra e o tom daquele quarto
desenhados na pauta de outros olhos.

Quem retorna não mora no outro tempo,
embora imite o rosto ancestral.
Quem retorna medita. Não cruza o corredor
como planava a mosca distraída.

Pode-se sentar na escada, prover os olhos
com a massa do cenário inocente.
Livre-se o coração para a verdade
desta árvore em gala de outro amor.

Alcides Villaça



Alcides Villaça (Atibaia SP, 1946) recebeu, em 1967, Menção Honrosa no Concurso Governador do Estado, categoria poesia. Na época, teve poemas publicados no jornal Diário do Povo, de Campinas. Em 1971, formou-se em Letras na Universidade de São Paulo, onde passaria a lecionar Literatura Brasileira a partir de 1973. Seu primeiro livro de poesia, O Tempo e Outros Remorsos, foi lançado em 1975, com recital do ator Antonio Fagundes, no Masp. Nos anos de 1970 e 1980 dedicou-se à pesquisa e ao ensino universitário; em 1984, tornou-se Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo, com a tese A Poesia de Ferreira Gullar. Em 1988 publicou a obra poética Viagem de Trem. Tornou-se Livre Docente pela USP, em 1999, com a tese Lendo Poetas Brasileiros. Vem colaborando em vários periódicos como resenhista e ensaista literário, entre os quais Folha de S. Paulo e Cadernos de Literatura Brasileira. A poesia de Villaça é influenciada por Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira. O crítico João Luiz Lafetá afirmou, ao analisar Viagem de Trem: “seu verso é ágil, seu ritmo é vário, suas imagens são quase sempre desconcertantes”.

Fonte: http://www.astormentas.com

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Nos tempos de outrora.



NOS TEMPOS DE OUTRORA

Se eu soubesse onde estás agora,
Juro-te, sairia sem atentar para a hora,
Correndo como louco, ao teu almejado encontro.
Te abraçaria e beijaria como antigamente,
Afogaria esta dor, imensa e persistente,
E dizimaria este meu terrível pranto.

E a saudade que me invade a todo momento,
E que faz da minha vida um eterno tormento,
Mesmo assim, ameniza minha desilusão.
De jamais algum dia, eu ter-te de volta,
Seja sonho ou não, para mim pouco importa,
O que importa é o alento para o meu coração.

Recordar os instantes juntinhos de ti,
E os prazeres do amor que contigo senti,
É tudo que quero, o meu ser implora.
Pelos teus carinhos, beijos, devaneios,
Quando atendias todos os meus anseios,
Nos idos, passados, nos tempos de outrora.

R.S.Furtado 

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sábado, 28 de setembro de 2013

Saudades do Corgo.



SAUDADES DO CORGO

Murmúrio de água na Terra da Purina,
Lembra a voz da montanha o meu amor.
Oh água em quebra voz”sou teu, és minha”!
Rescende em mim a madressilva em flor.

– Suas palavras dão perfume ao vento,
– Seus Olhos pedem o maior sigilo...
Sóror amando às grades de um convento,
Ó Sóror dum romance de Camilo!

De longe e ausente ao seu perfil do Norte,
Evoco em sonho as Terras do luar,
– Fragas do Corgo em medievo corte!

À Lua e o Sol para a servir e amar,
Quando a ausência vem – quem a suporte!
As saudades são o meu falar.

Afonso Duarte
Leia mais um belo soneto e a biografia do autor aqui:

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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O jangadeiro.

O JANGADEIRO


jangadas amarelas, azuis, brancas,
logo invadem o verde mar bravio,
o mesmo que Iracema, em arrepio,
sentiu banhar de sonho as suas ancas.
Que importa a lenda, ao longe, na história,
se elas cruzam, ligeiras, nesse instante,
o horizonte esticado da memória,
tornando o que se vê muito incessante?
As velas vão e voltam, incontidas,
sobre as ondas (do tempo). O jangadeiro
repete antigos gestos de outras vidas
feitas de sal e sonho verdadeiro.
Qual Ulisses, buscando, repentino,
a sua ilha, o seu rosto e o seu destino.

Adriano Espínola

Leia mais um belo poema e a biografia do autor aqui:

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Aniversário da plantinha.



ANIVERSÁRIO DA PLANTINHA

Nove meses antes de um lindo dia, de repente,
Em momentos de amor, de verdadeira paixão.
Num santo ventre, foi plantada uma semente,
Tão desejada e esperada, com ternura e emoção.
Os cuidados então surgiram, logo, prontamente,
E não lhe era desviado um segundo de atenção.

Salve 23 de setembro! Salve! O lindo dia chegou,
Trazendo a primavera, a mais bela das estações.
E, diante de tanta beleza, a semente então germinou,
Irradiando felicidade e alegrando os corações.
Pois a plantinha tão sonhada, da sementinha brotou
Para uma vida de muitas lutas e muitas realizações

Ao passar o tempo, a plantinha foi crescendo,
Cercada de muito zelo, de muito amor e carinho.
A cada batalha surgida, uma à uma, foi vencendo,
Pois, nas adversidades, sempre dava um jeitinho.
Com o seu saudoso pai, o poetar foi aprendendo,
Para postar na blogosfera, divulgar no seu cantinho.

Setenta e um anos se passaram, e ela tão somente,
Segue seu caminho, como DEUS quer e consente,
Se fazendo de poeta, utilizando rimas grosseiras.
Por algumas razões, às vezes se torna ausente,
Depois de certo tempo, retorna e se faz presente,
E tenta iludir a todos, escrevendo baboseiras.

MEUS QUERIDOS AMIGOS

Hoje é um dia muito especial para mim e para dois dos meus filhos, pois foi exatamente nesta data que ao chegar aqui no Brasil, a primavera trouxe-nos em suas bagagens. Eu, em 1942, Rosemildo Filho, em 1970 e Rosenildo em 1976.

Aproveito a oportunidade para levantar as mãos para os céus e, em meu nome e em nome deles, agradecer ao nosso bom DEUS por não ser uma quimera, mas sim, estarmos vivendo mais uma primavera.

Beijos com muito carinho para todos.

QUE DEUS SEJA LOUVADO!

Rosemildo Sales Furtado

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