quinta-feira, 4 de agosto de 2011

"Julgamento".


"JULGAMENTO" 

“Por que avaliarmos do próximo os detalhes do seu comportamento, se no final, somente a DEUS caberá o julgamento?” 

R.S. Furtado

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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Indício velado.


INDÍCIO VELADO

Não toques, distância, no seu cabelo molhado;
Não lhe mexas. Rosto puro, às aguas posto e preso,
Uma imagem será o seu único peso,
Um pensamento o único beijo que me há dado.

Que o Índico persiga o indício velado;
Decore o Mar Vermelho o forte rosto aceso -
Mas não para morrer: para menos desprezo;
E eu próprio fique em meu amor atenuado.

Oh! platónico amor de ninguém e de alguma,
Espectro que criei e rodeei de lágrimas,
Vénus ainda ao longe no aro da minha espuma!

Imagem, força de vontade, imagem
Viva ou morta, não sei; imagem acre... mas
Verdadeira e suave, isso mais que nenhuma!

Vitorino Nemésio


Poeta, ficcionista, ensaísta, cronista e crítico literário português, Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva nasceu a 19 de Dezembro de 1901, na Ilha Terceira, nos Açores, e faleceu a 20 de Fevereiro de 1978, em Lisboa. Entre 1911 e 1912, Vitorino Nemésio frequentou o liceu de Angra, onde cedo manifestou a sua vocação de poeta e prosador, estreando-se com o livro de versos Canto Matinal, em 1916. Em 1919, após um desaire escolar, iniciou o serviço militar como voluntário, partindo para o continente. Do ano seguinte data a peça em um acto Amor de Nunca Mais e a poesia de A Fala das Quatro Flores. Em 1921, em Lisboa, iniciou-se na actividade jornalística, na redacção de A Pátria, a Imprensa de Lisboa e Última Hora. Em 1922, concluiu os estudos liceais em Coimbra e matriculou-se na Faculdade de Direito, onde, como revisor da Imprensa da Universidade, publicou o poema Nave Etérea. Transitará para o curso de Ciências Geográficas e, posteriormente, para Filologia Românica. Colaborou na fundação de Tríptico, em Seara Nova e na Presença. Correspondeu-se com Unamuno. Em 1934, doutorou-se com uma tese subordinada ao título A Mocidade de Herculano até à Volta do Exílio.

Fonte: http://antoniogois1.blogspot.com/





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terça-feira, 2 de agosto de 2011

A minha dor.


A MINHA DOR

Dói
a mesmíssima angústia
nas almas dos nossos corpos
perto e à distância.

E o preto que gritou
é a dor que se não vendeu
nem na hora do sol perdido
nos muros da cadeia.

Noémia de Sousa


Escritora moçambicana, Carolina Noémia Abranches de Sousa Soares nasceu a 20 de setembro de 1926, em Lourenço Marques (hoje Maputo), Moçambique, e faleceu a 4 de dezembro de 2002, em Cascais, Portugal. Poetiza que, numa espécie de postura predestinada, desembaraçando-se das normas tradicionais europeias, de 1949 a 1952 escreve dezenas de poemas, estando muitos deles dispersos pela imprensa moçambicana e estrangeira.

Com apenas 22 anos de idade, surge na senda literária moçambicana num impulso encantatório, gritando o seu verbo impetuoso, objetivo e generoso, vincado (bem fundo) na alma do seu povo, da sua cultura, da sua consciência social, revelando um talento invulgar e uma coragem impressionante.

Mestiça, revela ser marcada por uma profunda experiência, em grande parte por via dessa mesma circunstância de ser mestiça.

A sua poesia, desde logo, se mostrou "cheia" da "certeza radiosa" de uma esperança, a esperança dos humilhados, que é sempre a da sua libertação.

Toda a sua produção é marcada pela presença constante das raízes profundamente africanas, abrindo os caminhos da exaltação da Mãe-África, da glorificação dos valores africanos, do protesto e da denúncia.

Poesia de forte impacto social, acusatória, a sua linguagem recorre estilisticamente à ressonância verbal, ao encadeamento de significantes sonoros ásperos, à utilização de palavras que transportam o "grito inchado" de esperança.

Noémia de Sousa, como autêntica pioneira da Literatura Moçambicana (como assim sempre foi considerada) preconiza - no seu percurso literário - a revolução como único meio de modificar as estruturas sociais que assolam a terra moçambicana...

Fonte: Infopédia.



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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Invenção da agulha.



INVENÇÃO DA AGULHA

30 a.C.Cleópatra usa uma agulha de ouro para coser a túnica de Marco Antônio. As agulhas datam da época das cavernas, no antigo Egito e China. Na pré-história eram obtidas de lascas de osso ou de madeira. Os egípcios, babilônios, romanos e gregos aperfeiçoaram-na, fundindo-a em bronze. Alguns historiadores salientam que as primeiras agulhas de coser foram fabricadas pelos babilônios cerca de quatro mil anos antes de Cristo. Os maometanos atribuem a invenção a Enoc, filho do patriarca Janed. Sabe-se daí que na Europa foi fabricada na Alemanha (Nuremberg) em 1370, na Inglaterra (Londres) em 1543 e na França (Paris) em 1762, em aço polido. Somente em 1856 com a descoberta do método de Henri Bessemer, para a produção de aço fino, as fábricas se espalharam pela Europa, com produção em massa.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto, e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 1, páginas 56/57. 

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domingo, 31 de julho de 2011

As trompas.


AS TROMPAS

Se tua língua
linda, de longa
lábia se aninha
em cada lábio
lábil da minha
trompa de EUSTÁQUIO
e langue-lenga,

a minha língua
logo se vinga,
lambe o batom
sabor de ópio
de tuas trom
pás de FALÓPIO
e por lá míngua.

Nelson Ascher

Nelson Ronny Ascher (São Paulo SP 1958). Poeta, ensaísta, jornalista e tradutor. Filho de pais judeus húngaros emigrados para Israel e posteriormente para o Brasil, quando criança, mãe e avó narram-lhe contos de fadas tradicionais, enquanto o pai dedica-se ao relato de eventos históricos. A família, que cultiva já na época o hábito de frequentar as salas de cinema, mantinha uma diversificada e forte vivência cultural e o estimula para a leitura. Assim, desde muito jovem, alimenta o desejo de ser escritor. Aos 14 anos, um amigo lhe mostra o poema Datilografia, assinado pelo pseudônimo do poeta português Fernando Pessoa (1888 - 1935), Álvaro de Campos. A leitura desse poema faz com que Nelson reafirme seus anseios literários, especialmente poéticos. Em 1976, cursa por pouco mais de um semestre a graduação em medicina da Universidade de São Paulo - USP, mas a abandona, ingressando, no ano seguinte, na faculdade de administração de empresas da Fundação Getúlio Vargas - FGV, na qual se forma em 1981. Em seguida, faz mestrado em comunicação e semiótica na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP. Entretanto, já no final dos anos de 1970, passa a escrever para importantes periódicos do país, como a Folha de S. Paulo, dando início a uma longa, atuante e polêmica produção jornalística. Da mesma geração de Régis Bonvicino (1955) e Paulo Leminski (1944 - 1989), além da produção poética, Ascher destaca-se pelos trabalhos tanto na área editorial, quanto da tradução.

Fonte: http://www.itaucultural.org.br/


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