QUANDO EU FUI CHÃO
PARA LAGRIMATERRIZAGEM
de tanta, risada
a hiena ganhou vício
de lacrimealeijar.
porque um dia
exercitei-me de raiz,
compus-me de lamas.
a hiena passante,
desconhecendo.
e, quando parante, irrisonha.
(mas: para testemunhá-la
há que ser existido anedoticamente.)
enraizado para espreitações
— sub-hienado —
vitimizei-me de suas goticulares esferas,
íris desfalecendo humidades.
na provação, soube-me:
de tanto risar tanto
a hiena lacrimealeija é sementes.
sementes para flores salinas.
Ondjaki

Ndalu de Almeida, (Luanda, 1977) mais conhecido por seu pseudónimo Ondjaki, é um escritor angolano.
Estudou em Luanda e concluiu licenciatura em sociologia em Lisboa. Possui experiência na área do teatro e da pintura.
Em 2000, obtém o segundo lugar no concurso literário António Jacinto realizado em Angola, e publica o primeiro livro, Actu Sanguíneu.
Depois de estudar por seis meses em Nova Iorque na Universidade de Columbia, filma com Kiluanje Liberdade o documentário Oxalá cresçam pitangas - histórias da Luanda.
As suas obras foram traduzidas para diversas línguas, entre elas francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e chinês.
Foi laureado pelo Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco em 2007, pelo seu livro Os da Minha Rua. Recebeu, na Etiópia, o prémio Grinzane por melhor escritor africano de 2008.
Em Outubro de 2010 ganhou, no Brasil, o Prémio Jabuti, na categoria Juvenil, com o romance AvóDezanove e o Segredo do Soviético. O Jabuti é um dos mais importantes prémios literários brasileiros atribuído em 21 categorias.
Atualmente, mora no Brasil, no Rio de Janeiro.
Fonte: Wikipédia.
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