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domingo, 9 de outubro de 2011

Quando eu fui chão para lagrimaterrizagem.


QUANDO EU FUI CHÃO 
PARA LAGRIMATERRIZAGEM 

de tanta, risada 
a hiena ganhou vício 
de lacrimealeijar. 
porque um dia 
exercitei-me de raiz, 
compus-me de lamas. 
a hiena passante, 
desconhecendo. 
e, quando parante, irrisonha. 
(mas: para testemunhá-la 
há que ser existido anedoticamente.) 
enraizado para espreitações 
— sub-hienado — 
vitimizei-me de suas goticulares esferas, 
íris desfalecendo humidades. 
na provação, soube-me: 
de tanto risar tanto 
a hiena lacrimealeija é sementes. 
sementes para flores salinas. 

Ondjaki 


Ndalu de Almeida, (Luanda, 1977) mais conhecido por seu pseudónimo Ondjaki, é um escritor angolano. Estudou em Luanda e concluiu licenciatura em sociologia em Lisboa. Possui experiência na área do teatro e da pintura. Em 2000, obtém o segundo lugar no concurso literário António Jacinto realizado em Angola, e publica o primeiro livro, Actu Sanguíneu. Depois de estudar por seis meses em Nova Iorque na Universidade de Columbia, filma com Kiluanje Liberdade o documentário Oxalá cresçam pitangas - histórias da Luanda. As suas obras foram traduzidas para diversas línguas, entre elas francês, inglês, alemão, italiano, espanhol e chinês. Foi laureado pelo Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco em 2007, pelo seu livro Os da Minha Rua. Recebeu, na Etiópia, o prémio Grinzane por melhor escritor africano de 2008. Em Outubro de 2010 ganhou, no Brasil, o Prémio Jabuti, na categoria Juvenil, com o romance AvóDezanove e o Segredo do Soviético. O Jabuti é um dos mais importantes prémios literários brasileiros atribuído em 21 categorias. 

Atualmente, mora no Brasil, no Rio de Janeiro. 

Fonte: Wikipédia. 

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