sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A invenção do futebol


A INVENÇÃO DO FUTEBOL

1863 – Nasce o futebol moderno. Narram-nos velhas tradições que a primeira bola usada foi a cabeça dum soldado romano. Corre o ano de 55 antes de Cristo. As famosas legiões romanas conquistam a Grã-Bretanha. São capitaneadas por Júlio César. Os ingleses expulsam-nas. A cabeça dum dos soldados romanos, morto na batalha, é chutada num campo, entre a multidão. Daí em diante o povo gosta da brincadeira. Enche de ar bexigas de carneiro e chuta-as pela estrada. Surge então um esporte entre turbulentos e desordeiros. Um bando de cada lado, sem número certo. Disputam um torneio de vida e morte. Não se obedece a regra de espécie alguma, que até então era desconhecida. Os participantes desses jogos consideravam-se verdadeiros inimigos entre si. Portanto, em meio à disputa, havia muitas mortes. Somente em 1861 é que se apresenta com alguma característica do atual esporte perante o público. Torna-se apreciado pelas multidões. Mas mesmo assim corriam grande risco jogadores e torcida, em virtude da falta de regras e disciplina. Somente a 26 de outubro de 1863 é que se funda em Londres “The Foot-ball Association”. Essa iniciativa se deve a Artur Pember, advogado; C. Morley, Ed Maw, H. T. Steward, J. F. Alcoock e G. W. Shillingford, todos componentes de entidades desportivas. Esses homens suavizaram a prática do esporte. Procuraram educar jogadores e torcedores. Estabeleceram regras e leis, algumas das quais ainda prevalecem, como a largura de 8 jardas das metas, o tiro inicial do meio de campo para o lado contrário e a escolha do campo pelo capitão favorecido no sorteio.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume3, página 458.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Banzo.


BANZO

E por que deixou na areia do Congo
a aldeia de palmas;
e porque seus ídolos negros
não fazem mais feitiços;
e porque o homem branco o enganou com missangas
e atulhou o porão do navio negreiro
com seu desespero covarde;
e porque não vê mais de ânfora ao ombro
a imagem do conga nas águas do Kuango,
ele fica na porta da senzala
de mão no queixo e cachimbo na boca,
varado de angústia,
olhando o horizonte,
calado, dormente,
pensando,
sofrendo,
chorando.
morrendo.

Menotti Del Picchia

Terceiro ocupante da Cadeira 28, eleito em 1º de abril de 1943, na sucessão de Xavier Marques e recebido pelo Acadêmico Cassiano Ricardo em 20 de dezembro de 1943. Recebeu o Acadêmico Luís Viana Filho.

Paulo Menotti del Picchia,  poeta, jornalista, político, romancista, contista, cronista e ensaísta, nasceu em São Paulo, SP, em 20 de março de 1892, e faleceu na mesma cidade em 23 de agosto de 1988.

Foram seus pais Luiz del Picchia e Corina del Corso del Picchia. Fez os estudos ginasiais em Campinas, SP, e diplomou-se em Ciências e Letras em Pouso Alegre, MG. Cursou depois a Faculdade de Direito de São Paulo, publicando durante o curso seu primeiro livro de poesias, Poemas do vício e da virtude, em 1913. Foi agricultor e advogado em Itapira, onde dirigiu o jornal Cidade de Itapira e fundou o jornal político O Grito. Lá escreveu os poemas Moisés e Juca Mulato, ambos publicados em 1917, Passou a residir em São Paulo, onde foi redator em diversos jornais, entre os quais A Gazeta e o Correio Paulistano. Fundou o jornal A Noite e dirigiu, com Cassiano Ricardo, os mensários São Paulo e Brasil Novo. Colaborou assiduamente no Diário da Noite, onde por muitos anos manteve uma seção diária sob o pseudônimo de Hélios, seção que ele criara, em 1922, no Correio Paulistano, através da qual divulgou as notícias do Movimento Modernista.

Com Graça Aranha, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e outros, foi um dos arautos do Movimento, participando da Semana de Arte Moderna de 11 a 18 de fevereiro de 1922. Com Cassiano Ricardo, Plínio Salgado e outros, realizou o movimento Verdamarelo; depois, com Cassiano Ricardo e Mota Filho, chefiou o movimento cultural da Bandeira.

Além de jornalista militante exerceu inúmeros cargos públicos. Foi o primeiro diretor do Departamento de Imprensa e Propaganda do Estado de São Paulo; deputado estadual em duas legislaturas, membro da Constituinte do Estado e deputado federal pelo Estado de São Paulo em três legislaturas. Presidiu a Associação dos Escritores Brasileiros, seção de São Paulo.

Embora tenha incursionado por vários gêneros literários, é a sua poesia que destaca o sentido nacionalista do Modernismo, do qual foi precursor o seu poema nacional Juca Mulato (1917). A sua origem estética, no entanto, ainda é o Romantismo, que é evidente em sua poesia pela grandiloqüência e floreios verbais. Em 1982, foi proclamado Príncipe dos Poetas Brasileiros, o quarto e último deste título que pertenceu anteriormente a Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Olegário Mariano. Em 1984, recebeu o Prêmio Moinho Santista Categoria Poesia.

Fonte: Academia Brasileira de Letras e Wikipédia.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Máxima - 02.



“Sentirdes ódio é cometerdes um suicídio lento, convidando ao mesmo tempo, a pessoa odiada para o vosso sepultamento.”

R.S. Furtado

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Araras versáteis.


ARARAS VERSÁTEIS

Araras versáteis. Prato de anêmonas.
O efebo passou entre as meninas trêfegas.
O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia.
Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca
E vergastou a cona com minúsculo açoite.
O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios
E uma língua de agulha, de fogo, de molusco
Empapou-se de mel nos refolhos robustos.
Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios
Quando no instante alguém
Numa manobra ágil de jovem marinheiro
Arrancou do efebo as luzidias calças
Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii...
E gozaram os três entre os pios dos pássaros
Das araras versáteis e das meninas trêfegas.

Hilda Hilst



Hilda de Almeida Prado Hilst nasceu em Jaú, São Paulo, aos 21 de Abril de 1930. Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), formando-se em 1952. Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas (SP), onde ainda reside. Ali dedica todo seu tempo à criação literária.

Poeta, dramaturga e ficcionista, Hilda Hilst escreve há quase cinqüenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do país. Participa, desde 1982, do Programa do Artista Residente, da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.

Seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, Instituto de Estudos de linguagem, IEL, UNICAMP, em 1995, estando aberto a pesquisadores do mundo inteiro.

Alguns de seus textos foram traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemão. Em março de 1997, seus textos Com os meus olhos de cão e A obscena senhora D foram publicados pela Ed. Gallimard, tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Em 1999, sob coordenação do escritor Yuri Vieira dos Santos, é lançado seu primeiro site na Internet.

Hilda Hilst faleceu em Campinas-SP, no dia 4 de Fevereiro de 2004.

Poesia:

•Presságio - SP: Revista dos Tribunais, 1950.
•Balada de Alzira - SP: Edições Alarico, 1951.
•Balada do festival - RJ: Jornal de Letras, 1955.
•Roteiro do Silêncio - SP: Anhambi, 1959.
•Trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959. SP: Massao Ohno, 161.
•Ode Fragmentária - SP: Anhambi, 1961.
•Sete cantos do poeta para o anjo - SP: Massao Ohno, 1962. (Prêmio PEN Clube de São Pulo)
•Poesia (1959/1967) - SP: Editora Sal, 1967.
•Júbilo, memória, noviciado da paixão - SP: Massao Ohno, 1974.
•Poesia (1959/1979) - SP: Quíron/INL, 1980.
•Da Morte. Odes mínimas - SP: Massao Ohno, Roswitha Kempf, 1980.
•Da Morte. Odes mínimas - SP: Nankin/Montréal: Noroît, 1998. (Edição bilíngüe, francês-português.)
•Cantares de perda e predileção - SP: Massao Ohno/Lídia Pires e Albuquerque Editores, 1980. ( Prêmio Jabuti/Câmara Brasileira do Livro. Prêmio Cassiano Ricardo/Clube de Poesia de São Paulo.)
•Poemas malditos, gozosos e devotos - SP: Massao Ohno/Ismael Guarnelli Editores, 1984.
•Sobre a tua grande face - SP: Massao Ohno, 1986.
•Alcoólicas - SP: Maison de vins, 1990.
•Amavisse - SP: Massao Ohno, 1989.
•Bufólicas - SP: Massao Ohno, 1992.
•Do Desejo - Campinas, Pontes, 1992.
•Cantares do Sem Nome e de Partidas - SP: Massao Ohno, 1995.
•Do Amor - SP: Massao Ohno, 1999.

Quer saber mais, leia em: http://www.angelfire.com/

domingo, 8 de agosto de 2010

Lá no água grande.


LÁ NO ÁGUA GRANDE

Lá no "Água Grande" a caminho da roça
negritas batem que batem co'a roupa na pedra.
Batem e cantam modinhas da terra.

Cantam e riem em riso de mofa
histórias contadas, arrastadas pelo vento.

Riem alto de rijo, com a roupa na pedra
e põem de branco a roupa lavada.

As crianças brincam e a água canta.
Brincam na água felizes...
Velam no capim um negrito pequenino.

E os gemidos cantados das negritas lá do rio
ficam mudos lá na hora do regresso...
Jazem quedos no regresso para a roça.

Alda Espírito Santo



Alda Espírito Santo, também conhecida por Alda Graça, nasceu em São Tomé em 1926 e teve a sua educação em Portugal. Ainda freqüentou a Universidade, mas teve que abandonar, em parte devido às suas atividades políticas, mas também por motivos econômicos. Sendo uma das mais conhecidas poetizas africanas de língua portuguesa, ocupou alguns cargos de relevo nos governos de São Tome e Príncipe, nomeadamente foi Ministra da Educação e Cultura, Ministra da Informação e Cultura e Deputada. Os seus poemas aparecem nas mais variadas antologias lusófonas, bem como em jornais e revistas de São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique. Depois de publicar "O Jogral das Ilhas, em 1976, publicou em 1978 "É nosso o solo sagrada da terra", o qual é até ao momento o seu trabalho mais importante.

Fonte: http://betogomes.sites.uol.com.br/