sábado, 6 de fevereiro de 2010

Via-Láctea.

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VIA-LÁCTEA

Em mim também, que descuidado vistes,
encantado e aumentando o próprio encanto,
tereis notado que outras cousas canto
muito diversas das que outrora ouvistes.

Mas amastes, sem dúvida... Portanto,
meditai nas tristezas que sentistes:
que eu, por mim, não conheço cousas tristes,
que mais aflijam, que torturem tanto.

Quem ama inventa as penas em que vive:
e, em lugar de acalmar as penas, antes
busca novo pesar com que as avive.

Pois sabei que é por isso que assim ando:
que é das loucas somente e dos amantes
na maior alegria andar chorando.

Olavo Bilac.

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Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu no Rio de janeiro, em 16 de dezembro de 1865. Estudou medicina até o 4º ano, em sua cidade natal, e foi ouvinte do 1º ano de Direito, em São Paulo. Não se formou, preferindo exercer o jornalismo; além de poeta (inclusive satírico), granjeou renome como cronista, a ponto de ser dito por Emílio de Meneses “rei na prosa e imperador no verso”. Alguns de seus livros didáticos, como Através do Brasil, ainda hoje são lidos, apesar do envelhecimento inevitável dos trabalhos desse gênero. Bilac foi também orador e conferencista famoso, capaz de empolgar o país com campanha em prol do serviço militar obrigatório: achava ele que o país tinha muitos analfabetos, e que a caserna deveria ser uma escola que acabasse com essa falta de primeiras letras. Essa campanha foi desenvolvida já nos seus últimos tempos.

Em razão da sua posição na revolta de 1893, teve de ficar foragido em Minas Gerais; voltando ao Rio de Janeiro, foi preso e ficou por cinco meses na Fortaleza de Laje. Em sua carreira burocrática, ocupou os cargos de oficial da Secretaria do Interior do estado do Rio e inspetor escolar do Distrito Federal. Foi professor do pedagogium e fundador da Academia Brasileira de Letras. Faleceu no Rio de Janeiro, em 28 de dezembro de 1918.

Fonte: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Interrogação.

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INTERROGAÇÃO

Contemplo a noite: a cúpula estrelada
do firmamento sobre mim palpita;
meu olhar, que a interroga, embalde fita
o olhar dos astros, que não vêem nada:

“Nessa amplitude lôbrega e infinita
que inteligência ou força inominada
numa elipse traçou a vossa estrada,
estrelas de oiro, que o mistério habita?

Dizei-me se, transpondo a imensidade,
alguma cousa a vós minha alma prende,
um vínculo de amor ou de verdade.

Dizei-me, o fim da nossa vida agora:
para que serve a luz que em vós resplende,
e a oculta mágua que em meu seio mora?...”

Júlia Cortines.

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Júlia Cortines Laxe nasceu em Rio Bonito, na província do Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1868. É considerada uma das mais vigorosas poetisas fluminenses do século passado, comparada às ilustres Narcisa Amália e Ibrantina Cardona. Com pouco mais de 20 anos começou a publicar suas obras, e, em 1894, seu livro intitulado "Versos" alcançou algum sucesso. O segundo, "Vibrações", lançado em 1900 constituiu-se numa revelação para o famoso crítico literário José Veríssimo, que afirmou na época: "Os poemas de Júlia Cortines distanciam-se magnificamente da poesia de água-de-cheiro e de pó-de-arroz da musa feminina brasileira, e revelam em Júlia, mais que uma mulher que sabe sentir, alguém que sente com alma e coração e de forma que disputa primazias com nossos melhores poetas contemporâneos." Faleceu no Rio de janeiro, em 19 de março de 1948.

Fontes: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967 e Wikipédia.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Aniversário de Théo Drummond.

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THÉO DRUMMOND EM SEIS ESTROFES

Num certo dia do passado,
o mundo inteiro foi premiado.
Fazia-se uma grande festa;
Nascia Théo Drummond, o poeta.

Em seis estrofes homenageá-lo.
Falar de amor e poesia.
Do privilégio de, assim, unidos
Théo Drummond poder cantar.

Esse Mestre do soneto,
que faz vibrar seus poemas,
um amigo pra qualquer momento:
é só poesia o seu bico de pena.

Poeta que lapida poemas
com arte e sabedoria
enternece em cada verso
rimas que a emoção irradia

Em cada Soneto o Theo,
a nossa alma acarinha
com a doçura do mel
falando nas entrelinhas!

Que DEUS te abençoe, meu amigo,
faça com que tua arte seja mantida.
Te cubra com seu manto, como abrigo,
e te premie com muitos anos de vida.

Poetas (por ordem de estrofes):

Rosemildo S. Furtado, Clau Assi, Basilina Pereira, Conceição Bentes,
JJ Braga Neto, Rosemildo S. Furtado.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Lírios e rosas.

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LÍRIOS E ROSAS

Para meus olhos tristes, são colírios.
Teus encantos e formas primorosas.
Tua alma tem a candura de lírios,
Teu corpo exibe vicejar de rosas.

Teus gestos chamam-me, põem-me em delírio,
Tuas graças mancebas e mimosas.
-Os teus olhares desabrocham lírios,
-Os teus sorrisos desabrocham rosas.

Quando as essências brandas e tão puras,
Dos lírios dos teus beijos - brancos vivos -.
Das rosas dos teus lábios - rubras rosas -.

Um dia - a mais sublime das venturas -,
Cairei no teu colo sobre lírios,
Morrerei nos teus braços entre rosas.

R.S. Furtado.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O pôr-do-sol romântico.

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O PÔR-DO-SOL ROMÂNTICO

Quão belo é o sol quando se ergue risonho,
Como explosão, lançando Bom-dia, Senhor!
– Feliz aquele que poderá com amor
Saudar seu arrebol mais glorioso que um sonho!

Lembro que vi flor, sulco e fonte num desmaio,
Ao seu olhar que é como um coração ardente...
Corramos, pois, que é tarde, em direção do poente
E ao menos agarrar seu mais oblíquo raio!

Mas persigo em vão este Deus que se afasta;
Impõe o seu império a noite úmida e vasta,
Tão funesta a fremir sem estrelas e sem sóis;

Um odor sepulcral por toda a noite vaga;
Pelo charco, o meu pé medroso esmaga,
As imprevistas rãs e os frios caracóis.

Charles-Pierre Baudelaire.

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Charles-Pierre Baudelaire foi um poeta e teórico da arte francês. É considerado um dos precursores do Simbolismo, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX.

Nasceu em Paris em 09 de abril de 1821. Foi um poeta e teórico da arte francês. É considerado um dos precursores do Simbolismo, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX. Estudou no Colégio Real de Lyon e Colégio Louis-Le-Grand (de onde foi expulso por não querer mostrar um bilhete que lhe foi passado por um colega).

Em 1840 foi enviado pelo padrasto, preocupado com sua vida desregrada, à Índia, mas nunca chegou ao destino. Pára na ilha da Reunião e retorna a Paris. Atingindo a maioridade, ganha posse da herança do pai. Por dois anos vive entre drogas e álcool na companhia da mulata Jeanne Duval. Em 1844 sua mãe entra na justiça, acusando-o de pródigo, e então sua fortuna torna-se controlada por um notário.

Em 1857 é lançado As flores do mal contendo 100 poemas. O livro é acusado no mesmo ano, pelo poder público, de ultrajar a moral pública. Os exemplares são presos, o escritor paga 300 francos e a editora 100, de multa. Essa censura se deveu a apenas seis poemas do livro. Baudelaire aceita a sentença e escreveu seis novos poemas "mais belos que os suprimidos", segundo ele. Faleceu em Paris, no dia 31 de agosto de 1867.

Fontes: “As Flores do Mal” – Editora Martin Claret – 2005 e Wikpédia.