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terça-feira, 10 de maio de 2011

N'um Álbum.


N’UM ÁLBUM

Do sofrimento o arcanjo lamentoso
Sobre a face do mundo estende o braço:
Um diadema ofertava, e pavoroso:
“Para o que mais sofreu!” gritou no espaço.

Eis logo imensa turba se atropela,
Todos querem ganhar a prenda infausta;
Mas nenhum dos que chegam a obtê-la
Mostrava a taça da amargura exausta.

“Afaste-vos” lhes brada o gênio esquivo,
“Nenhum tocou do sofrimento a meta:
“Tu, só tu mereceste o prêmio altivo;
“Ergue a fronte, coroa-te, poeta!”

Soares de Passos


Nome: António Augusto Soares de Passos
Nascimento: 27-11-1826, Porto
Morte: 8-2-1860, Porto

Poeta portuense, expoente máximo do Ultrarromantismo em Portugal, Soares de Passos nasce no seio da média burguesia comerciante da Invicta. O seu pai, perseguido durante as guerras civis pelas suas ideias liberais, vivia largas temporadas escondido e afastado da família, o que teria marcado o temperamento algo soturno do jovem António Augusto. Tendo aprendido francês e inglês durante a juventude, e depois de trabalhar algum tempo no armazém do pai, ingressa na Universidade de Coimbra, em 1849, para cursar Direito. Aí convive com outros estudantes do Porto, como Alexandre Braga, Silva Ferraz e Aires de Gouveia, com quem fundaria, em 1851, a revista Novo Trovador. Em 1854, já formado, regressa ao Porto e, depois de uma passagem pelo Tribunal da Relação e da tentativa frustrada de obter um lugar de bibliotecário, decide dedicar-se exclusivamente à literatura, colaborando nos jornais de poesia O Bardo (1852-1854) e A Grinalda (1855-1869) e preparando a edição em volume das suas Poesias (1856). Para a sua celebridade contribuiu não apenas a sua imagem de misantropo e a frequência dos salões portuenses, como também o bom acolhimento dos críticos (é conhecida a carta de Alexandre Herculano em que o autor de Eurico, o Presbítero considera Soares de Passos "o primeiro poeta lírico português deste século"). Morre precocemente aos trinta e quatro anos, vítima da tuberculose, deixando um livro único onde confluem todas as tendências do imaginário poético seu contemporâneo.

Fonte: Infopédia.