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quinta-feira, 4 de junho de 2009

Quando tu choras

QUANDO TU CHORAS
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Quando tu choras, meu amor, teu rosto
Brilha formoso com mais doce encanto,
E as mais leves sombras de infantil desgôsto
Tornam mais belo o cristalino pranto.

Oh! nessa idade da paixão lasciva,
Como o prazer é o chorar preciso:
Mas breve passa – qual a chuva estiva –
E quase ao pranto se mistura o riso.

É doce o pranto de gentil donzela,
É sempre belo quando a virgem chora:
- Semelha a rosa pudibunda e bela
Tôda banhada do orvalhar da aurora.

Da noite o pranto, que tão pouco dura,
Brilha nas fôlhas como um rir celeste,
E a mesma gôta transparente e pura
Treme na relva que a campina veste.

Depois o sol, como sultão brilhante
De luz inunda o seu gentil serralho,
E às flores tôdas – tão feliz amante! –
Cioso sorve o matutino orvalho.

Assim, se choras, inda és mais formosa,
Brilha teu rosto com mais doce encanto:
– Serei o sol e tu serás a rosa...
Chora meu anjo, – beberei teu pranto!

Casimiro de Abreu
Rio – 1858.