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sexta-feira, 28 de maio de 2010

Fragmento.

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FRAGMENTO

O mundo é uma mentira, a glória - fumo,
A morte - um beijo, e esta vida um sonho
Pesado ou doce, que s'esvai na campa!

O homem nasce, cresce, alegre e crente
Entra no mundo c'o sorrir nos lábios,
Traz os perfumes que lhe dera o berço,
Veste-se belo d'ilusões douradas,
Canta, suspira, crê, sente esperanças,
E um dia o vendaval do desengano
Varre-lhe as flores do jardim da vida
E nu das vestes que lhe dera o berço
Treme de frio ao vento do infortúnio!
Depois - louco sublime - ele se engana,
Tenta enganar-se p'ra curar as mágoas,
Cria fantasmas na cabeça em fogo,
De novo atira o seu batel nas ondas,
Trabalha, luta e se afadiga embalde
Até que a morte lhe desmancha os sonhos.
Pobre insensato - quer achar por força
Pérola fina em lodaçal imundo!
- Menino louro que se cansa e mata
Atrás da borboleta que travessa
Nas moitas do mangal voa e se perde!...

Casimiro de Abreu

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Casimiro José Marques de Abreu, poeta brasileiro, nasceu no dia 4 de Janeiro de 1839, em Barra de São João, no Estado do Rio, e morreu no dia 18 de outubro de 1860, em Nova Friburgo.

Iniciou seus estudos em Nova Friburgo no Colégio Freese.

Em 1853, Casimiro embarcou para Lisboa deixando seu pai, português, José Joaquim Marques de Abreu, no Rio, onde era comerciante. Viveu 04 anos em Portugal, onde contraiu tuberculose.

Poeta nostálgico, sua solidão deu estímulo à sua vida poética. Dirigiu-se para a terra de Nova Friburgo, vindo a falecer na fazenda lndaiaçu. Seus primeiros versos, foram inspirados e baseados na saudade. Diz Casimiro de Abreu: "estando em minha casa à hora da refeição, pareceu-me escutar risadas infantis da minha mana pequena. As lágrimas brotavam e fiz os primeiros versos de minha vida, que teve o titulo "Ave Maria" Sua vocação foi contrariada por seu pai, que o obrigou a trabalhar em sua loja, privando-o das oportunidades de desenvolver sua vocação artística.

O poeta relata os seus desgostos: foi em setembro, sufocando o grito de lamento; contrariada foi a minha vocação, sentei-me à carteira do escritório e abracei-me à vida comercial, vida vulgar que esgota todas as faculdades.

Escreveu as seguintes obras: Camões e o Jau, teatro (1856); Carolina, romance (1856); Camila, romance inacabado (1856); A virgem loura Páginas do coração, prosa poética (1857); "As primaveras" (1859). Foram reunidas na Obras de Casimiro de Abreu, edição comemorativa do centenário do poeta; organização, apuração do texto, escorço biográfico e notas por Sousa da Silveira.

Casimiro foi convidado para patrono da cadeira número 6 da Academia Brasileira de Letras. Sua obra mais famosa é o livro "Primaveras".


Fonte: www.bibvirt.futuro.usp.br

quarta-feira, 17 de junho de 2009

"DEUS".

DEUS
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Eu me lembro! eu me lembro! – Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno.

E eu disse à minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
“Que pode haver maior que o oceano,
“Ou que seja mais forte do que o vento?!” –

Minha mãe a sorrir olhou p’ros céus
E respondeu: – Um Ser que nós não vemos
“É maior do que o mar que nós tememos,
“Mais forte que tufão! meu filho, é – Deus! “ –

Casimiro de Abreu
Dezembro – 1858.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Quando tu choras

QUANDO TU CHORAS
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Quando tu choras, meu amor, teu rosto
Brilha formoso com mais doce encanto,
E as mais leves sombras de infantil desgôsto
Tornam mais belo o cristalino pranto.

Oh! nessa idade da paixão lasciva,
Como o prazer é o chorar preciso:
Mas breve passa – qual a chuva estiva –
E quase ao pranto se mistura o riso.

É doce o pranto de gentil donzela,
É sempre belo quando a virgem chora:
- Semelha a rosa pudibunda e bela
Tôda banhada do orvalhar da aurora.

Da noite o pranto, que tão pouco dura,
Brilha nas fôlhas como um rir celeste,
E a mesma gôta transparente e pura
Treme na relva que a campina veste.

Depois o sol, como sultão brilhante
De luz inunda o seu gentil serralho,
E às flores tôdas – tão feliz amante! –
Cioso sorve o matutino orvalho.

Assim, se choras, inda és mais formosa,
Brilha teu rosto com mais doce encanto:
– Serei o sol e tu serás a rosa...
Chora meu anjo, – beberei teu pranto!

Casimiro de Abreu
Rio – 1858.