POMBA E CHACAL
Ó Natureza! ó mãe piedosa e pura!
Ó cruel, implacável assassina!
– Mão, que o veneno e o bálsamo propina
e aos sorrisos as lágrimas mistura!
Pois o bêrço onde a bôca pequenina
abre o infante a sorrir, é a miniatura,
a vaga imagem de uma sepultura,
o gérmem vivo de uma atroz ruína?!
Sempre o contraste! Pássaros cantando
sôbre túmulos... flôres sôbre a face
de ascosas águas pútridas boiando...
Ainda a tristeza ao lado da alegria...
E êsse teu seio, de onde a noite nasce,
é o mesmo seio de onde nasce o dia...
Olavo Bilac
Ó Natureza! ó mãe piedosa e pura!
Ó cruel, implacável assassina!
– Mão, que o veneno e o bálsamo propina
e aos sorrisos as lágrimas mistura!
Pois o bêrço onde a bôca pequenina
abre o infante a sorrir, é a miniatura,
a vaga imagem de uma sepultura,
o gérmem vivo de uma atroz ruína?!
Sempre o contraste! Pássaros cantando
sôbre túmulos... flôres sôbre a face
de ascosas águas pútridas boiando...
Ainda a tristeza ao lado da alegria...
E êsse teu seio, de onde a noite nasce,
é o mesmo seio de onde nasce o dia...
Olavo Bilac
