MORRER
Morrer! Coragem. Que nenhuma trema,
Fibra seguir da trôpega matéria.
Quando chegar a minha extrema,
De demandar a região etária.
Quero dar cumprimento a lei suprema,
Que por ser suprema é lei funérea.
Imposta a todos nós como um emblema,
Seja a vida de fausto ou de miséria.
Já não sinto esperança que me embale.
A um troféu esculpido em diamante,
A morte para mim já equivale.
Talvez seja minha alma astro irradiante,
Ou flor singela que matize o vale,
Quando eu da vida me encontrar distante.
R.S. Furtado.