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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Incenso.


INCENSO

Quando dentro de um templo, a corola de prata
do turíbulo oscila e todo ambiente incensa,
fica pairando no ar, intangível e densa,
uma escada espiral que aos poucos se desata.

Enquanto bamboleia essa escada e suspensa
paira, uma ânsia de céus o meu ser arrebata,
e por ela a subir numa fuga insensata,
vai minha alma ganhando a rumo azul da crença.

O turíbulo é uma ave a esvoaçar, quando em quando
arde o incenso... Um rumor ondula, no ar se espalma,
sinto no meu olfato asas brancas roçando.

E, sempre que de um templo o largo umbral transponho,
logo o incenso me enleva e transporta minha alma
à presença de Deus na atmosfera do sonho.

Gilka Machado 

Leia mais um soneto e a biografia da autora aqui:
 
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