IGNOTO DEO
Desisti de saber qual é
o Teu nome,
Se tens ou não tens
nome que Te demos:
Ou que rosto é que
toma, se algum tome,
Teu sopro tão além de
quanto vemos.
Desisti de Te amar, por
mais que a fome
Do Teu amor nos seja o
mais que temos,
E empenhei-me em domar,
nem que os não dome,
Meus, por Ti,
passionais e vãos extremos.
Chamar-Te amante ou
pai... grotesco engano
Que por demais tresanda
a gosto humano!
Grotesco engano o
dar-Te forma! E emfim,
Desisti de Te achar no
quer que seja,
De Te dar nome, rosto,
culto, ou igreja...
Tu é que não
desistirás de mim!
José Régio
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