DUAS CARAS
Já não és o mesmo homem! Quem nos dera,
Voltasses a agir como antigamente.
Abandonasses essa vida fútil, de quimera,
E retornasses a realidade do presente.
Já não amas o povo, que ao longo do passado,
Por ti tanto fez, com brio, zelo e devoção.
E hoje, somente espera e prova conformado,
O sabor da tua vã e mísera ingratidão.
Já não tens o mesmo tom de voz, que com brandura,
Ao pedires voto, demonstravas com ternura,
Que fama e poder jamais teria importância.
E assim, por mais que o povo reclame,
Para ti pouco importa, o povo que se dane,
Pois o que prevalece é a tua arrogância.
R.S. Furtado.