SOLIDÃO
O rio se entristece sob
a ponte.
Substância de homem na
torrente escura
flui, enternecimento ou
desventura,
misturada ao crepúsculo
bifronte.
Antes que débil lume
além desponte,
a sombra, que se
apressa, desfigura
e apaga o casario em
sua alvura
e a curva esquiva e
sábia do horizonte.
Os bois fecham nos
olhos os arados,
o pasto, a hora que
tomba das subidas.
Dorme o ocaso, pastor,
entre as ovelhas.
Sobem névoas dos vales
fatigados
e das árvores já
enoitecidas
pendem silêncios como
folhas velhas.
Abgar Renault
Leia um belo poema e a
biografia do autor aqui:
Visite também:

