sábado, 10 de maio de 2014

Mãe.


MÃE

Aspiração que no coração lampeja,
O amor materno, se alcançada a tem.
A criatura que entronar deseja,
Os deveres santíssimos de mãe.

Quanta grandeza para o filho almeja,
Quantos cuidados aos seus sentidos vêm.
Quando ele dorme, levemente o beija,
Quando sorri, ela sorri também.

O amparo maternal ao filho estende;
Quando ele sofre, aflita ela soluça,
E roga ao céu que o sare e o céu atende.

Francamente, ela o seio desembuça.
E que doçura o seio seu desprende,
Quando ela sobre o berço debruça.

R.S.Furtado

Que DEUS abençoe e proteja a todas as MÃES do mundo!

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Manhã em Petrópolis.


        
MANHÃ EM PETRÓPOLIS

Que dourada manhã, que luz formosa
Enverniza dos campos a verdura!
Que aura cheirosa e cheia de brandura!
Será, quem sabe, o respirar da rosa?

Doura-se em luz a serra majestosa,
Das flores leva a Deus a essência pura;
Dos pássaros nos sons com que doçura,
Canta a floresta antiphona maviosa!

D'alma em ternura a ti sobem louvores,
Bendito criador da natureza!
Quem vê sem te adorar tantos primores?

Que humano rosto em si tem tal beleza?
De qual beleza nascem mais amores?
E quais amores têm tanta grandeza?

José Maria do Amaral
 

José Maria do Amaral Filho, nasceu no Rio de Janeiro no dia 14 de março de 1812 e faleceu em Niterói no dia 23 de setembro de 1885, foi um poeta brasileiro.

Foi conselheiro do Império, estudou Medicina e Direito em Paris. Começou a publicar suas primeiras obras no Rio de Janeiro, desde 1830, no ano seguinte escreveu no jornal O Nacional. Ao deixar a diplomacia fundou o periódico O Espectador da América do Sul.

Militou na imprensa a favor da República. Segundo José Veríssimo, comentado a obra desse poeta: “Os seus sonetos, nunca reunidos em volume, são talvez como tais, e como poesia subjetiva, o que melhor deixou essa geração”.

Fonte: Wikipédia.

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terça-feira, 6 de maio de 2014

O doente..

   
 

O DOENTE

Doente de poesia
não tem alívio nem cura
a menos que se interne
sozinho
no espaço incriado.
No diamante não serve; é
demasiado claro.
Convém-lhe o resguardo
dos recém-nascidos:
olhos no escuro
vômito contido.

O mais é deixá-lo
gemer à vontade.

Guilhermino César
 
  
Guilhermino César da Silva (Eugenópolis MG 1908 – Porto Alegre RS 1993). Poeta, romancista, crítico, ensaísta, historiador e professor. Em 1910, muda-se com a família para Leopoldina, Minas Gerais, onde conclui o curso primário. Dez anos mais tarde, vai residir em Cataguases, Minas Gerais, e inicia o curso ginasial no Grupo Escolar Astolfo Dutra.

Matricula-se no Ginásio Municipal de Cataguases em 1923, frequenta o Grêmio Literário Machado de Assis e integra o grupo que funda a revista modernista Verde em 1927, assinando... Leia mais aqui: 

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domingo, 4 de maio de 2014

Segundo Movimento.

 
 

SEGUNDO MOVIMENTO

Mas vem o amor, o amor que faz tão doce
o travo em que circula à flor do instante,
e entre resíduos vai como se fosse
suficiente, plácido e constante...

Mas se o amor é muito mais cortante
e em lâmina tão leve disfarçou-se
que por melhor alar seu golpe pôs
cintilações de ganho em cada instante.

E a alma se insurge, cobra o amor que abrande
seu ginete malsão tonto de posse,
esse peso de corpo que a alma torce

e não doma, esse breve, esse bastante
soluço da vontade no imperfeito –
mas a alma cede, a alma sucumbe ao peito...

Bruno Tolentino
Bruno Lúcio de Carvalho Tolentino (Rio de Janeiro, 12 de novembro de 1940 – São Paulo, 27 de junho de 2007) foi um poeta brasileiro. Nascido numa tradicional e rica família carioca, conviveu desde criança com intelectuais e escritores, entre eles Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto. Foi ensinado a falar francês e inlês antes mesmo de se alfabetizar no português. Seu avô foi conselheiro do Império e fundador da Caixa Econômica Federal. Saiu do Brasil em 1964, mudando-se para a Europa, onde viveu por mais de 30 anos, tendo trabalhado com o poeta inglês W. H. Auden, e convivido... Leia mais aqui: 

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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os rios, os peixes.

OS RIOS, OS PEIXES

Aqui o rio onde brinquei menino.
Ontem as águas claras
mostravam peixes transando no fundo entre pedras.
Agora, recobertas de uma espuma corrupta,
exibem a morte: peixes boiando
como os corpos insepultos num campo de guerra.
A cobiça, o desamor, o progresso com os defensivos e desfolhantes,
carregam para o leito os resíduos dos enxurros.

Destas águas não beberei mais,
para, sobrevivo, contemplar ainda
o inocente cavalo que ali jaz entre urubus,
dentes à mostra e olhos terríveis
escancarados aos céus.

Não os grandes rios, o São Francisco, o Paraná, o Araguaia,
mas a cantiga dos ribeirões pequenos de águas azuladas
que refrescam os vegetais em torno
e acordam pássaros nas manhãs alegres!

Estes não haverá mais.

João Accioli

Nasceu na cidade de Piracanjuba, no dia 1º de outubro de 1912, filho de Francisco Accioli Martins Soares e de Teófila Gonçalves Martins Soares, e faleceu em São Paulo, no dia 1º de maio de 1990.

Iniciou seus estudos na sua cidade natal e o curso secundário no Diocesano de Uberaba, Minas Gerais, e foi diretor na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Leia mais aqui: 

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