domingo, 6 de março de 2011

"Carnaval sadio"


"CARNAVAL SADIO"

“Carnaval é festa profana, que pra muitos deixa saudade, porém isso somente acontece, quando brincado com respeito, amor e responsabilidade.”

R.S. Furtado

sábado, 5 de março de 2011

Os Vendilhões do Templo.


OS VENDILHÕES DO TEMPLO

Deus disse: faz todo o bem
Neste mundo, e, se puderes,
Acode a toda a desgraça
E não faças a ninguém
Aquilo que tu não queres
Que, por mal, alguém te faça.

Fazer bem não é só dar
Pão aos que dele carecem
E à caridade o imploram,
É também aliviar
As mágoas dos que padecem,
Dos que sofrem, dos que choram.

E o mundo só pode ser
Menos mau, menos atroz,
Se conseguirmos fazer
Mais p'los outros que por nós.

Quem desmente, por exemplo,
Tudo o que Cristo ensinou.
São os vendilhões do templo
Que do templo ele expulsou.

E o povo nada conhece...
Obedece ao seu vigário,
Porque julga que obedece
A Cristo — o bom doutrinário.

António Aleixo


António Fernandes Aleixo, nasceu em Vila Real de Santo António, a 18 de Fevereiro de 1899.Foi um dos poetas populares algarvios de maior relevo, famoso pela sua ironia e pela crítica social sempre presente em seus versos.

Era simples, humilde e semi-analfabeto. Deixou como legado uma obra poética singular no panorama literário português da primeira metade do século XX.

No emaranhado de uma vida recheada de pobreza, mudanças de emprego, imigração, tragédias familiares e doenças, na sua figura de homem humilde e simples, havia o perfil de uma personalidade rica, vincada e conhecedora das diversas realidades da cultura e sociedade do seu tempo. Do seu percurso de vida fazem parte profissões como tecelão, guarda de polícia e servente de pedreiro, trabalho este que, como imigrante foi exercido em França.

De regresso ao seu país natal, restabeleceu-se novamente em Loulé, onde passou a vender cautelas e a cantar as suas produções pelas feiras portuguesas, actividades que se juntaram às suas muitas profissões e que lhe renderia a alcunha de "poeta-cauteleiro".

Faleceu por conta de uma tuberculose, a 16 de Novembro de 1949, doença que tempos antes havia também vitimado uma de suas filhas.

Fonte: http://joanaduque.blogspot.com/

sexta-feira, 4 de março de 2011

Flor da paixão.


FLOR DA PAIXÃO

beijo-te flor obscena.
no abraço dos relâmpagos
cai a chuva de pétalas
no corpo do jardim.
é com o sol nos dedos
que brinco na corola
nua de pólen frágil
e no incêndio das flores
na cegueira da luz
uma brisa solar
leva a cinza volida
no fogo brando claro.

José do Nascimento Félix


José do Nascimento Félix (José Félix, ou José N. Félix), natural de Angola, nascido em 1946, em Luanda. Licenciado em História pela F. C. S. H. da Universidade Nova de Lisboa. Promove a freqüência de listas de discussão poética na Rede, tendo criado a lista Escritas suportada pela página Encontro de Escrita, com entrevistas, divulgação de poemas e novos poetas de língua portuguesa.

Autor de Geografia da Árvore (a reinvenção da memória). Funchal: Múchia Publicações, 2003 (Col. Poéticas de La(v)Ra.

Fonte: http://www.terravista.pt/mussulo/1701

quinta-feira, 3 de março de 2011

Criação do Jardim da Infância.


CRIAÇÃO DO JARDIM DA INFÂNCIA.

1837Friedrich Froebel cria o Jardim da Infância. Pedagogo alemão, nasceu em Observeisbach em 1782. Faleceu em Mariental em 1855. O Jardim da Infância é por ele fundado pela primeira vez no mundo em Blakenburgo, na Turingia. Instituições desse gênero foram logo adotadas por toda a Alemanha e Suíça. Froebel foi assistente do Museu Mineralógico de Berlim e professor de Mineralogia da Universidade de Estocolmo. Pedagogo ilustre, em 1826 publicou: "Educação do Homem". A essência da doutrina froebeliana se resume no seguinte: “A educação tem por fim tornar o homem inteligente, racional e consciente, permitindo-lhe que manifeste e desenvolva a parcela de vida que lhe coube”. Admite três fatores educativos: a religião, ou seja, Deus; a Natureza; e o homem através da linguagem. A religião manifesta o ser; a Natureza, a essência da força e da ação; a linguagem, a vida como um todo.

Nota: Este trabalho é o resultado de pesquisas realizadas pelo ilustre professor Elias Barreto e publicado pela Enciclopédia das Grandes Invenções e Descobertas, edição de 1967, volume 2, páginas 379/380.

quarta-feira, 2 de março de 2011

O Major faz as compras.


O MAJOR FAZ COMPRAS

Diante de legumes e frutas
sente a proximidade da luta.
Encontra uma gangue de jambos
em suspeita imobilidade.
Sopesa na mão os aspargos
que em trincheira se agrupavam.

Dirige-se à seção das carnes
com entusiasmo pelo combate.
Os corpos de vencidos peixes
parecem mortos inimigos.
Envolve o cadáver do frango
num plástico sem oração.

O carrinho cheio: vitória
póstuma do homem sobre as frutas,
as carnes e as leguminosas.

Davino Ribeiro de Sena


Davino Ribeiro de Sena, diplomata e poeta brasileiro nascido em Recife, Pernambuco, em 1957. Graduou-se em Filosofia pela Universidade Católica de Pernambuco.

Como diplomata, viveu na Espanha, Austrália, Japão e Estados Unidos. Atualmente sediado no Consulado do Brasil em Nova Iorque, encarregado de assuntos culturais.

Livros publicados: Castelos de Areia (1991) , Pescador de Nuvens (1996), O Jaguar no Deserto (1997), Retrato com Guitarra (1997), Vidro e Ferro (1999), Três Martes (2004), Lêgo & Davinovich (2006), em parceria com Elizabeth Hazin, Expedição (2007).

Prêmios: Memórias (poema), vencedor do Prêmio Gervásio Fioravanti, edição 1982, da Academia Pernambucana de Letras; Castelos de Areia (seu primeiro livro, laureado no gênero Poesia Brasileira pela Fundação Nestlé de Cultura (1991).

Fonte: http://www.antoniomiranda.com.br/