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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Sé de Pedra.

 
SÉ DE PEDRA

Não reparaste nunca? Pela aldeia,
Nos fios telegráficos da estrada,
Cantam as aves, desde que o sol nada,
E, à noite, se faz sol a luz cheia...

No entanto, pelo arame que as tonteia,
Quanta tortura vai, n'uma ânsia alada!
O ministro que joga uma cartada,
Alma que, às vezes, d'além-mar anseia:

– Revolução – Inútil. – Cem feridos,
Setenta mortos. – Beijo-te! – Perdidos!
– Enfim, feliz! – ! – Desesperado. – Vem!

E as lindas aves, bem se importam elas!
Continuam cantando, tagarelas:
Assim, António, deves ser também.

António Nobre
 
Poeta português, nascido em 1867, no Porto, e falecido a 18 de março de 1900, na mesma cidade. A infância e a adolescência de António Nobre foram passadas entre Leça da Palmeira, onde o pai, antigo emigrado no Brasil, possuía uma quinta, e a Foz do Douro. Tendo estudado em colégios do Porto, frequentou os principais centros da boemia portuense, convivendo com figuras literárias como Raul Brandão e Júlio Brandão e publicando criação poética. Frequentou posteriormente a Faculdade de Direito de Coimbra, onde, com Alberto de Oliveira, fundou a revista Boémia Nova, cuja polêmica com a publicação de... Leia mais aqui:

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