SÉ DE PEDRA
Não reparaste nunca?
Pela aldeia,
Nos fios telegráficos
da estrada,
Cantam as aves, desde
que o sol nada,
E, à noite, se faz sol
a luz cheia...
No entanto, pelo arame
que as tonteia,
Quanta tortura vai,
n'uma ânsia alada!
O ministro que joga uma
cartada,
Alma que, às vezes,
d'além-mar anseia:
– Revolução –
Inútil. – Cem feridos,
Setenta mortos. –
Beijo-te! – Perdidos!
– Enfim, feliz! – !
– Desesperado. – Vem!
E as lindas aves, bem
se importam elas!
Continuam cantando,
tagarelas:
Assim, António, deves
ser também.
António Nobre
Poeta
português, nascido em 1867, no Porto, e falecido a 18 de março de
1900, na mesma cidade. A infância e a adolescência de António
Nobre foram passadas entre Leça da Palmeira, onde o pai, antigo
emigrado no Brasil, possuía uma quinta, e a Foz do Douro. Tendo
estudado em colégios do Porto, frequentou os principais centros da
boemia portuense, convivendo com figuras literárias como Raul
Brandão e Júlio Brandão e publicando criação poética.
Frequentou posteriormente a Faculdade de Direito de Coimbra, onde,
com Alberto de Oliveira, fundou a revista Boémia Nova, cuja polêmica
com a publicação de... Leia mais aqui:
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