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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Pórtico.

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PÓRTICO

Ó minha esposa, minha mãe, meu filho,
- Santíssima trindade do meu peito -
Se este jardim de sonhos imperfeito
Floresce a pobre lira que eu dedilho;

É que deixastes nele o estranho brilho
Do vosso olhar, que me fecunda o jeito
De tratar, como a um casto amor-perfeito,
Vosso perfeito amor, que a nada humilho.

O verso... vosso bem é que mo trouxe;
Não me dissera a Musa uma verdade,
Se de vós três a síntese não fosse.

Quem quer que leia, pois, meus versos, há de,
Certo, aceitá-los... se aceitar o doce
Mistério da Santíssima Trindade.

Luís Carlos


Luís Carlos da Fonseca nasceu no Rio de Janeiro, em 10 de abril de 1880. Engenheiro, trabalhou na E. F. Central do Brasil, servindo em Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. Seus primeiros versos foram publicados em Juiz de Fora; em São Paulo, onde residiu, por vários anos, Luís Carlos continuou a estampá-los em jornais e revistas, e ao mudar-se para o Rio, foram lidos por Augusto de Lima em junho de 1917 na Academia Brasileira de Letras. Não muito tempo depois, ingressou no sodalício. Faleceu no Rio de Janeiro, em 10 de abril de 1932.

Os cantos de Luís Carlos – que encheram completamente 250 páginas de seu livro de estréia – foram classificados por Alberto de Oliveira como “analises do sentimento das coisas, divagações filosóficas, intimidades, afeições domésticas” Se fácil é neles descortinarmos a sonoridade a que se reportava o vate fluminense, difícil é darmos com o “alentado sopro de inspiração” que o mesmo Alberto neles divisava.

Fontes: “Poesias Parnasianas – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967 e Wikipédia.