O
MIGRANTE
Emigrante
e imigrante de mim mesmo,
sem passaporte sigo nos mares e ares.
Não me atrapalha o mundo e seus lindes,
e cruzo qualquer pátria clandestino.
sem passaporte sigo nos mares e ares.
Não me atrapalha o mundo e seus lindes,
e cruzo qualquer pátria clandestino.
Limites impressos em códigos e mapas
não são fronteiras, não, para um poeta.
Inferno é o mundo máximo. O resto,
pegadas vãs – pó e pó, barro no barro.
Vou e volto dentro do eu-planeta,
ao sopro do poema – vento no velame
do barco da carne. O corpo voa!
Não me detém o mundo: suas alfândegas,
feitas de mofo, o vento as leva
- enquanto chego e parto a qualquer hora.
Fernando Mendes Vianna
Nasceu
no Rio de Janeiro em 1933. Poeta e tradutor de poesia. Estreou em
1958 com Marinheiro
no Tempo e
Construção
no Caos (Rio
de Janeiro, ed. Simões). Seguiram-se A
Chave e a Pedra (Rio
de Janeiro: São José, 1960), Proclamação
do Barro (Rio
de Janeiro: José Álvaro, 1964). O
Silfo-Hipogrifo (Rio
de Janeiro: José Olympio/MEC)obteve o Prêmio Literário do
INL de 1972 na categoria de inéditos; Embarcado
em Seco(Rio
de Janeiro:Civilização Brasileira/MEC,1978); Marinheiro
no Tempo: antologia ( Brasília:
Thesaurus, 1986 ) – Prêmio Literário Nacional do INL na categoria
obra publicada); Ah,
Último Paraíso (Zaragoza,
1998); Antologia
Pessoal (Brasília:Thesaurus, 2001); A
Rosa Anfractuosa(Brasília:
Thesaurus, 2004). Traduziu Quevedo e os clássicos espanhóis... Leia
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