NO
FUNDO DE MIM MESMO
No
fundo de mim mesmo
eu
sinto qualquer coisa que fere minha carne,
que
me dilacera e tortura...
…
qualquer coisa estranha (talvez seja ilusão),
qualquer
coisa que eu tenho não sei onde
que
faz sangrar meu corpo,
que
faz sangrar também
a
Humanidade inteira!
Sangue,
Sangue
escaldante pingando gota a gota
no
íntimo de mim mesmo,
na
taça inesgotável das minhas esperanças!
Luta
tremenda, esta luta do Homem:
E
beberei de novo – sempre, sempre, sempre –
este
sangue não sangue, que escorre do meu corpo,
este
sangue invesível – que é talvez a Vida!
Amilcar
Cabral
Leia
mais um belo poema e a biografia do autor aqui:
Visite
também:

