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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Na fazenda.

NA FAZENDA

Dorme ainda a fazenda: ao longo da varanda

Repousa o boiadeiro em couros estendidos;

Desponta no horizonte aurora froixa e branda,

No meio do terreiro o cão solta ganidos!



Mas nisso de repente escutam-se alaridos,

Dum sino que desperta estruge a voz nefanda;

Começam a soar conversas e balidos

E a ordem de rigor que rude aos negros manda!



Chegou o começar das lides e trabalhos,

Ressoam do feitor os brados e os ralhos:

A boiada desfila à porta do curral.



Os pretos esfregando os olhos sonolentos

Levando samburás lá vão a passos lentos

Da porta da senzala ao denso cafezal!



Afonso Celso.
  
Leia mais um belo soneto e um resumo da biografia do autor aqui: