EU, O POVO
Eu, o Povo
Conheço a força da terra que rebenta a granada do grão
Fiz desta força um amigo fiel.
O vento sopra com força
A água corre com força
O fogo arde com força
Nos meus braços que vão crescer vou estender panos de vela
Para agarrar o vento e levar a força do vento à Produção.
As minhas mãos vão crescer até fazerem pás de roda
Para agarrar a força da água e pô-la na Produção.
Os meus pulmões vão crescer soprando na forja do coração
Para agarrar a força do fogo na Produção.
Eu, o Povo
Vou aprender a lutar do lado da Natureza
Vou ser camarada de armas dos quatro elementos.
A tática colonialista é deixar o Povo ao natural
Fazendo do Povo um inimigo da Natureza.
Eu, o Povo Moçambicano
Vou conhecer as minhas Grandes Forças todas.
Mutimati Barnabé João
António Quadros
Mutimati Barnabé João, heterónimo de António Augusto de Melo Lucena e Quadros (Santiago de Besteiros, 9 de Julho de 1933 - Santiago de Besteiros, 2 de Julho de 1994) foi um pintor e poeta português.
Diplomou-se em pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Entre 1958 e 1959 esteve em Paris, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, onde fez os cursos de gravura e pintura a fresco.
Parte para Moçambique em 1964. Em 1968 revela-se como poeta ao receber um prémio para "40 Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada" assinado por João Pedro Grabato Dias,
Em 1971 lançou as odes "O Morto" e "A Arca" e ainda as "Laurentinas". Grabato Dias e Rui Knopfli, criam nesse ano a revista Caliban.
Em 1972, por ocasião dos 400 anos da morte de Camões,lançou o poema épico “Quybyrycas”, assinadas por Frey Ioannes Garabatus, com prefácio de Jorge de Sena e onde glosava e parodiava "Os Lusíadas”.
Depois do 25 de Abril, inventou o livrinho "Eu, o povo", deixado por Mutimati Bernabé João, guerrilheiro moçambicano morto em combate. Em Moçambique foi ainda o co-autor, com o Arq. José Forjaz, do monumento aos heróis, na Praça dos Heróis Moçambicanos, em Maputo.
No regresso a Portugal e a Santiago de Besteiros, em 1984, dedicou-se ao ensino, à escrita e pintura.
Foi cantado por cantores como José Afonso ou Amélia Muge.
Fonte: Wikipédia.
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