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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Eu, o povo.


EU, O POVO 

Eu, o Povo 
Conheço a força da terra que rebenta a granada do grão 
Fiz desta força um amigo fiel. 

O vento sopra com força 
A água corre com força 
O fogo arde com força 

Nos meus braços que vão crescer vou estender panos de vela 
Para agarrar o vento e levar a força do vento à Produção. 
As minhas mãos vão crescer até fazerem pás de roda 
Para agarrar a força da água e pô-la na Produção. 
Os meus pulmões vão crescer soprando na forja do coração 
Para agarrar a força do fogo na Produção. 

Eu, o Povo 
Vou aprender a lutar do lado da Natureza 
Vou ser camarada de armas dos quatro elementos. 
A tática colonialista é deixar o Povo ao natural 
Fazendo do Povo um inimigo da Natureza. 

Eu, o Povo Moçambicano 
Vou conhecer as minhas Grandes Forças todas. 

Mutimati Barnabé João 

 António Quadros

Mutimati Barnabé João, heterónimo de António Augusto de Melo Lucena e Quadros (Santiago de Besteiros, 9 de Julho de 1933 - Santiago de Besteiros, 2 de Julho de 1994) foi um pintor e poeta português. 

Diplomou-se em pintura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Entre 1958 e 1959 esteve em Paris, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, onde fez os cursos de gravura e pintura a fresco. 

Parte para Moçambique em 1964. Em 1968 revela-se como poeta ao receber um prémio para "40 Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada" assinado por João Pedro Grabato Dias

Em 1971 lançou as odes "O Morto" e "A Arca" e ainda as "Laurentinas". Grabato Dias e Rui Knopfli, criam nesse ano a revista Caliban. 

Em 1972, por ocasião dos 400 anos da morte de Camões,lançou o poema épico “Quybyrycas”, assinadas por Frey Ioannes Garabatus, com prefácio de Jorge de Sena e onde glosava e parodiava "Os Lusíadas”. 

Depois do 25 de Abril, inventou o livrinho "Eu, o povo", deixado por Mutimati Bernabé João, guerrilheiro moçambicano morto em combate. Em Moçambique foi ainda o co-autor, com o Arq. José Forjaz, do monumento aos heróis, na Praça dos Heróis Moçambicanos, em Maputo. 

No regresso a Portugal e a Santiago de Besteiros, em 1984, dedicou-se ao ensino, à escrita e pintura. 

Foi cantado por cantores como José Afonso ou Amélia Muge

Fonte: Wikipédia. 

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