LUA BOA
Quando
a lua sair nós iremos ao campo
esmagar
o capim, passo a passo, bem juntos
como
dois namorados que não gostam de falar
quando
a lua é mais clara e o coração mais limpo.
Nós
mergulharemos na simplicidade,
mão
na mão, sonhando as palavras que ficam,
enquanto
os maricás noivarem,
calma
grave e nupcial, tristeza boa
para
a gente saber que vai morrendo,
para
provar no lábio um gosto que abençoa.
Quanta
doçura virgem de ervas!
Mesmo
à noite os trevais têm cheiro azul de manhã,
e o
capim o capim esmagado
perfuma
os pés que o pisaram, santamente.
Augusto
Meyer
Leia
mais um belo poema e a biografia do autor aqui:

