A ÁGUIA
A águia negra, num vôo, de repente
fura o céu, desprendida da montanha,
e parece levar em feixe ardente
luz, que às garras metálicas apanha.
Afronta o sol, provoca-o frente a frente,
deixa as nuvens atrás, remonta em sanha...
E volta irada, triste e lentamente,
por ver tão longe a luminosa aranha.
Liso, e em fogo o areal, como um espelho
amplo, se estende ao seu olhar vermelho...
Vermelho, como a espuma dos vulcões:
desce; e por desenfado ao bico enorme,
enquanto um grupo de gazelas dorme,
folga arrancando os olhos dos leões.
Luís Delfino.
Luís Delfino dos Santos nasceu em Desterro (atual Florianópolis), em 25 de setembro de 1834. Estudou na cidade natal e na Corte, colando grau em Medicina em 1857. Abriu consultório e clinicou até o fim da vida. Como político, esteve no Senado, representando Santa Catarina, e na Constituinte Republicana. Faleceu no Rio de Janeiro, em 31 de janeiro de 1910. A seu tempo, a crítica dividia-se a seu respeito: Silvio Romero louvava-o, José Veríssimo lhe fazia sérias restrições.
Fonte: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967.