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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A Águia.

http://blog.cancaonova.com/franca/files/2008/06/aguia.jpg

A ÁGUIA

A águia negra, num vôo, de repente
fura o céu, desprendida da montanha,
e parece levar em feixe ardente
luz, que às garras metálicas apanha.

Afronta o sol, provoca-o frente a frente,
deixa as nuvens atrás, remonta em sanha...
E volta irada, triste e lentamente,
por ver tão longe a luminosa aranha.

Liso, e em fogo o areal, como um espelho
amplo, se estende ao seu olhar vermelho...
Vermelho, como a espuma dos vulcões:

desce; e por desenfado ao bico enorme,
enquanto um grupo de gazelas dorme,
folga arrancando os olhos dos leões.

Luís Delfino.

[Luiz+Delfino.jpg]
Luís Delfino dos Santos nasceu em Desterro (atual Florianópolis), em 25 de setembro de 1834. Estudou na cidade natal e na Corte, colando grau em Medicina em 1857. Abriu consultório e clinicou até o fim da vida. Como político, esteve no Senado, representando Santa Catarina, e na Constituinte Republicana. Faleceu no Rio de Janeiro, em 31 de janeiro de 1910. A seu tempo, a crítica dividia-se a seu respeito: Silvio Romero louvava-o, José Veríssimo lhe fazia sérias restrições.

Fonte: “Poesia Parnasiana” Antologia – Edições Melhoramentos – 1967.