EMPAREDADO
Por
planícies e aspérrimas montanhas
Andei
errando como um beduíno,
E
contei ao luar o meu destino,
Velado
por dragões de outras entranhas.
E a
ti, ó sol, que de purezas banhas
Os
campos verdes, num clarão divino,
Contei,
também, chorando, o desatino
Das
minhas ânsias trágicas, estranhas.
Mas
não contei ao mar as minhas ânsias,
Ao
largo mar perdido nas distâncias,
Para
não vê-lo, dessa vez, cavado.
Pois
esse mar é um coração doente,
Igual
ao meu, e vive eternamente,
Eternamente
triste e emparedado.
Araújo
Figueiredo
Juvêncio Araújo Figueiredo nasceu em 27 de setembro de 1864, na
esquina das antigas ruas dos Artigos Bíblicos e Tranqueira, hoje
Victor Meireles e General Bittencourt. Com 6 anos de idade
encontra-se pela primeira vez com Cruz e Sousa na casa da professora
Camila, na rua dos Ilhéus. Aos 9 anos, estuda em escola pública
provisória em companhia de seu irmão Luiz, regida pelo professor
Lúcio Camargo, no Estreito. De saúde debilitada, nervoso ao
extremo, seus pais deixaram-no livre para percorrer os verdes campos
floridos dos bosques e as praias brandas, na persuasão de que os
encantos desses lugares pudessem trazer ao seu corpo o
rejuvenescimento das forças, da pujança de que necessitava. Com
grande vocação... Leia mais aqui:

