INÊS
DE MANTO
Teceram-lhe o manto
para ser de morta
assim como o pranto
se tece na roca
Assim como o trono
e como o espaldar
foi igual ao modo
de a chorar
Só a morte trouxe
todo o veludo
no corte da roupa
no cinto justo
Também com o choro
lhe deram um estrado
um firmal de ouro
o corpo exumado
O vestido dado
como a choravam
era de brocado
não era escarlata
Também de pranto
a vestiram toda
era como um manto
mais fino que roupa
Fiama
Hasse Pais Brandão
Dramaturga,
tradutora e poetisa, nasceu a 15 de agosto de 1938. em Lisboa, e
faleceu a 19 de janeiro de 2007, na mesma cidade. Frequentou o
colégio St. Julian's School, em Carcavelos, e, mais tarde, o curso
de Filologia Germânica da Universidade de Lisboa. Fez crítica de
teatro, estagiou no Teatro Experimental do Porto (1964), e foi, com
Gastão Cruz- com quem se casaria- e outros, fundadora do grupo
teatro Hoje (1974. Ao longo da sua vida, exerceu atividade de... Leia
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