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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Desnuda e exposta aos vendavais sem pejo.


DESNUDA E EXPOSTA AOS VENDAVAIS SEM PEJO

Árvore abandonada no caminho;
desnuda e exposta aos vendavais sem pejo,
não tenho sombras para o teu carinho,
não tenho frutos para o teu desejo.

Destroçou-me o infortúnio... Malfazejo
foi-me o destino, e pérfido, e mesquinho.
Guardei no seio o teu primeiro beijo:
tudo o mais se perdeu pelo caminho.

Por que buscas agora o amor desfeito?
– És sonho na minha alma, e sonho morto.
– Sou rosa em tuas mãos, e desfolhada.

Depois de tantos anos, no teu leito
tens apenas sobejos do meu corpo,
da minha alma, talvez, não tenhas nada...

Henrique de Resende
 

Henrique de Resende, na verdade Henrique Vieira de Resende, nasceu no dia 13 de agosto de 1899, na fazenda do Rochedo, em Cataguases. Era filho do jurista Afonso Henrique Vieira de Resende e de Josefina Adelina Faria de Resende. Fez o curso primário na casa dos pais. Estudou no Colégio Anglo-Brasileiro do Rio de Janeiro e depois fez o curso de matemática em Ouro Preto, vindo a formar-se engenheiro civil pela Faculdade de Engenharia de Juiz de Fora em 1924.

Em seu livro de estréia “Turris Eburnea”, de 1923, a poética de Enrique de Resende já era moderna. Influenciado por Alphonsus de Guimaraens e a escola simbolista, em 1923 começaria uma evolução em sua arte que o levou a criar, com seus... Leia mais aqui: