DESNUDA
E EXPOSTA AOS VENDAVAIS SEM PEJO
Árvore
abandonada no caminho;
desnuda
e exposta aos vendavais sem pejo,
não
tenho sombras para o teu carinho,
não
tenho frutos para o teu desejo.
Destroçou-me
o infortúnio... Malfazejo
foi-me
o destino, e pérfido, e mesquinho.
Guardei
no seio o teu primeiro beijo:
tudo
o mais se perdeu pelo caminho.
Por
que buscas agora o amor desfeito?
–
És sonho na minha alma, e sonho morto.
–
Sou rosa em tuas mãos, e desfolhada.
Depois
de tantos anos, no teu leito
tens
apenas sobejos do meu corpo,
da
minha alma, talvez, não tenhas nada...
Henrique
de Resende
Henrique de Resende, na verdade Henrique Vieira de Resende, nasceu no
dia 13 de agosto de 1899, na fazenda do Rochedo, em Cataguases. Era
filho do jurista Afonso Henrique Vieira de Resende e de Josefina
Adelina Faria de Resende. Fez o curso primário na casa dos pais.
Estudou no Colégio Anglo-Brasileiro do Rio de Janeiro e depois fez o
curso de matemática em Ouro Preto, vindo a formar-se engenheiro
civil pela Faculdade de Engenharia de Juiz de Fora em 1924.
Em seu livro de estréia “Turris Eburnea”, de 1923, a poética de
Enrique de Resende já era moderna. Influenciado por Alphonsus de
Guimaraens e a escola simbolista, em 1923 começaria uma evolução
em sua arte que o levou a criar, com seus... Leia mais aqui:

