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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Formosura ideal.

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FORMOSURA IDEAL

Essa visão que em sonho me aparece,
e que, mesmo sonhando, me resiste,
por que foge, por que desaparece,
mal eu desperto, apaixonado e triste?

Por que, branca e formosa resplandece
como uma estrela, e a torturar-me insiste,
se é certo, – oh! Dor cruel que me enlouquece! –
que ela somente no meu sonho existe?

Cheia de luz e de pureza e graça,
– alma de flor e coração de estrela –
ela, sorrindo, nos meus sonhos passa...

E sempre a mesma angústia dolorida:
branca e formosa dentro d’alma tê-la,
sem poder dar-lhe forma e dar-lhe vida!

Zeferino Brasil.


Nasceu Zeferino de Sousa Brasil em Porto Grande, município de Taquari (Rio Grande do Sul), em 24 de abril de 1870. Foi funcionário público e exerceu o jornalismo, tendo sido também romancista, teatrólogo e crítico de arte. “Sua prosa tem o mesmo fulgor e a mesma cadência de sua poesia”, assinala Manuelito de Ornelas. Faleceu em Porto Alegre, em 03 de outubro de 1942.

Depois de acentuar que Zeferino Brasil foi o maior poeta parnasiano do Sul do país, escreve Manuelito de Ornelas: “Fustigado pelo demônio interior, naquele conflito do espírito com o físico, cuja harmonia um acidente quebrara, Zeferino Brasil tem, às vezes, a frescura das vozes ingênuas, na aceitação quase beneditina das penitências da vida e, outras vezes, a revolta de um Lúcifer diante do Criador. Foi um pouco anjo; foi um pouco demônio.

Ainda estou a revê-lo, cabeleira revolta, boca imensa e rasgada, gravata preta, de tope, caída sobre o peito, apoiado em sua bengala de junco, a passar – como um irmão de Santo Antero – pela sombra acolhedora das árvores gigantes da Praça da Alfândega...

Zeferino Brasil não foi somente parnasiano; foi também simbolista (em livros tais como Visão do Ópio e, embora menos, Na Torre de Marfim), mas já como parnasiano, escreveu “Teias de Luar”, “O Sonho de Titânia” e “A Rainha de Sabá”. Seu livro mais expressivo, de dicção mais pessoal e pura, é, para nós, "Teias de Luar", que lhe concedeu um lugar apenas seu em nosso parnasianismo.

Fonte: “Poesia Parnasiana – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967.