FLORESTA MORTA
Por que, à luz de um sol de primavera
Uma floresta morta? Um passarinho
Cruzou, fugindo-a, o seio que lhe dera
Abrigo e pouso e que lhe guarda o ninho.
Nem vale, agora, a mesma vida, que era
Como a doçura quente de um carinho,
E onde flores abriram, vai a fera
Vidrado o olhar – lá vai pelo caminho.
Ah! Quanto dói o vê-la, aqui, Setembro,
Inda banhada pela mesma vida!
Floresta morta a mesma cousa lembro;
Sob outro céu assim, que pouco importa,
Abrigo à fera, mas, da ave fugida,
Há no meu peito uma floresta morta.
Pedro Kilkerry
Poeta brasileiro, Pedro Militão Kilkerry, nascido em 1885, em Salvador da Baía, e falecido na mesma cidade, em 1917, morreu sem ter visto ser publicada em vida nenhuma das suas obras, embora posteriormente tenha sido considerado um dos grandes nomes do simbolismo brasileiro.
Em 1913, fez o bacharelato em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade de Direito da Bahia. Nesta época, colaborava nas revistas Nova Cruzada, Os Anais, Via Láctea e... Leia mais aqui:
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