FÉ, ESPERANÇA E CARIDADE

Eram três anjos – e uma só mulher!
Quando a infância corria alegre, à toa,
Como a primeira flor que, na lagoa,
Sôbre o cristal das águas se revê,
Em minha infância refletiu-se a tua...
Beijei-te as mãos suaves, pequeninas,
Tinhas um palpitar de asas, divinas...
Eras – o anjo da fé!...
Depois eu te revi... na fronte branca,
Radiava entre pérolas mais franca
A altiva c’roa que a beleza trança!...
Sob os passos da diva triunfante,
Ardente, humilde, arremessei minh’alma,
Por ti sonhei – triunfador – a palma,
Ó – Anjo da Esperança... –
Hoje é o terceiro marco dessa história,
Calcinado aos relâmpagos da glória,
Descri do amor, zombei da eternidade!...
Ai, não! – celeste e peregrina Déa,
Por ti em rosas mudam-se os martírios!
Há no teu seio a maciez dos lírios...
Anjo da Caridade!...
Castro Alves
Curralinho, 20 de junho de 1870.
Eram três anjos – e uma só mulher!
Quando a infância corria alegre, à toa,
Como a primeira flor que, na lagoa,
Sôbre o cristal das águas se revê,
Em minha infância refletiu-se a tua...
Beijei-te as mãos suaves, pequeninas,
Tinhas um palpitar de asas, divinas...
Eras – o anjo da fé!...
Depois eu te revi... na fronte branca,
Radiava entre pérolas mais franca
A altiva c’roa que a beleza trança!...
Sob os passos da diva triunfante,
Ardente, humilde, arremessei minh’alma,
Por ti sonhei – triunfador – a palma,
Ó – Anjo da Esperança... –
Hoje é o terceiro marco dessa história,
Calcinado aos relâmpagos da glória,
Descri do amor, zombei da eternidade!...
Ai, não! – celeste e peregrina Déa,
Por ti em rosas mudam-se os martírios!
Há no teu seio a maciez dos lírios...
Anjo da Caridade!...
Castro Alves
Curralinho, 20 de junho de 1870.