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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Eu vi dois pólos.

 

EU VI DOIS PÓLOS

Eu vi dos pólos o gigante alado
Sobre um montão de pálidos coriscos,
Sem fazer caso dos bulcões ariscos
Devorando em silêncio a mão do fado

Cinco fatias de tufão gelado,
Figuravam na mesa entre os petiscos,
Envolto em crepe de fatais rabisco
Campeava o sofisma ensanguentado.

Quem és? Que assim me cercas de episódios
Lhe perguntei com voz de silogismo,
Brandindo um facho de trovões serôdios!

Eu sou, me disse, aquele anacronismo
Que a vil caterva de sulfúricos ódios,
Nas trevas sepultei de um solecismo.

Bernardo Guimarães
 

Leia mais um belo soneto e um resumo da biografia do autor aqui: