
ESTOICISMO
Ouve tu, homem bom! Ouve, alma forte e pura!
Se a Vida destruiu teu santo ideal antigo;
Se teu pai te expulsou, como um torpe mendigo,
Por que fosses trilhar a rua da amargura;
Se a amante te traiu, num beijo de ternura;
Se te vendeu, sorrindo, o teu melhor amigo;
Se a déspota, da tua altivez em castigo,
Na prisão te deixou por leito a terra dura...
Não te queixes! Não dês ao tirano e ao perverso
O prazer de escutar-te um ai... Consciência justa,
Tu podes, num só gesto, esmagar o universo!
Sofre, pois, mudo, sem um gemido mesquinho;
Envolve-te na Dor silenciosa e augusta,
Como num manto real de púrpura e de arminho!
Magalhães de Azeredo.
Carlos Magalhães de Azeredo nasceu no Rio de Janeiro, em 07 de setembro de 1872. Estudou em Portugal (1879-1880), depois no Colégio São Luís, de Itu (até 1887), e graduou-se em 1893 na Faculdade de Direito de São Paulo. Diplomata de carreira, serviu no Uruguai (1895-1896), Cuba (1912), Grécia (1913-1914), Santa Sé (intermitentemente, 1896-1911, 1914-1919), 1919-1939, vindo a aposentar-se como embaixador. Foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (cadeira nº 9). Faleceu em Roma, em 04 de novembro de 1963, tendo sido seus restos transladados para o Rio de Janeiro, onde baixaram à sepultura.
A vida diplomática, levando-o para fora do Brasil, prejudicou-lhe o contato com as novas gerações literárias, embora tivesse se dedicado desde cedo às letras. Aos 12 anos escreveu um pequeno volume de versos, "Inspirações da infância", que ficou inédito. Estudante, colaborou em diversos jornais em São Paulo e no Rio, onde residiu antes de seguir para Montevidéu, em função diplomática. Em 1895, publicou "Alma primitiva", em prosa, e, em 1898, "Procelárias", o seu primeiro livro de poesias.
Fontes: “Poesias Parnasianas – Antologia” – Edições Melhoramentos – 1967 e Academia Brasileira de Letras.